terça-feira, 2 de dezembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
O Que nos Leva a Fazer um Pós-doutorado?
Postado por Julie Gould em 3 de outubro de 2014.
Ambições de crescimento na carreira
são os motivos mais comuns para realizar um pós-doutorado, seguido de perto pelo
amor à ciência.
A
NatureJobs, por meio de sua última enquete: "Por que você decidiu
fazer um estágio de pós-doutorado?" procurou descobrir as razões pelas
quais os leitores decidiram realizar um estágio de pós-doutorado. A seguir, as
três escolhas mais votadas: apenas para receber a bolsa de pesquisa; tornar-se
um pesquisador mais experiente e desenvolver mais habilidades para produzir mais
artigos científicos.
Os
leitores tiveram a oportunidade de escolher três dos seguintes motivos:
·
Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após
o doutorado.
·
Porque ama a ciência e a pesquisa científica.
·
Para alcançar o sonho de se tornar um pesquisador
titular.
·
Porque está difícil encontrar outro emprego.
·
Para pesquisar e descobrir algo novo.
·
Para contribuir com o conhecimento científico.
·
Porque não sei mais o que fazer.
·
Porque tenho medo de atuar fora da universidade.
·
Para mudar de laboratório.
·
Porque não consegue encontrar uma posição que desse
mais segurança.
·
Para contribuir com a sociedade.
·
Por conveniência.
·
Porque acredita na promessa de que o laboratório
está se expandindo e novas oportunidades podem surgir.
·
Outros.
Após
três meses, 482 pessoas de todo o mundo terem feito 817 escolhas, eis os
resultados, classificados por ordem de votação:
No
entanto, nem todas as repostas foram relacionadas à carreira: a opção mais
altruísta: "porque amo a ciência e a pesquisa científica" foi a
segunda mais popular, com 16% dos votos. Outra resposta focada na carreira,
"para alcançar o sonho de se tornar um acadêmico", veio em terceiro,
com 15% dos votos. É possível agrupar estas respostas em 3 categorias:
Ambições futuras:
·
Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após
o doutorado.
·
Para alcançar o sonho de se tornar um acadêmico
titular.
·
Porque não consegui encontrar outro emprego.
·
Para mudar de laboratório (cidade).
·
Porque acreditou na promessa de que o laboratório
estaria se expandindo e novas oportunidades surgiriam.
·
Por conveniência.
·
Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após
o PhD.
·
Porque não consegui encontrar uma posição estável.
·
Não sei mais o que fazer.
·
Porque não encontrei outro emprego.
·
Tenho medo do desconhecido fora da academia.
Amor pela ciência:
·
Porque amo a ciência e a pesquisa científica.
·
Para descobrir algo novo
·
Para contribuir para o corpo de conhecimento
científico
·
Para contribuir com a sociedade
Essas
categorias não são mutuamente exclusivas. Por exemplo, a opção: "Próxima etapa"
pode ser enquadrada como ambições futuras e à falta de outras opções. Ambições
futuras parece ser a maior força motriz por trás da escolha de fazer um
pós-doc, com 45% dos votos, seguido por "amor à ciência", com 30%.
domingo, 12 de outubro de 2014
Ciência absurda com molho de risadas
Bem-humorado, prêmio IgNobel laureia estudo sobre pessoas que veem o
rosto de Jesus em torradas, técnica que usou bacon para estancar sangramento e
salsicha ‘enriquecida’ com bactérias de fezes de bebês, entre outros casos da
ciência improvável.
Por: Marcelo Garcia, Ciência Hoje On-line.
Não há nada errado com quem enxerga o rosto de Jesus em uma torrada ou
de Elvis em uma tortilha: essa é a conclusão de um dos ridiculamente
interessantes estudos ganhadores do IgNobel de 2014. (foto: Flickr/ joshkehn –
CC BY 2.0)
A zoeira não teve limites
na noite de ontem (18/09), durante o evento anual do bom humor na ciência, a
cerimônia de entrega do prêmio IgNobel, paródia do prêmio Nobel. Entre as
atrações, chuvas de aviões de papel, salsichas ‘enriquecidas’ com bactérias do cocô
de bebês, ópera com coro de bactérias, encontros às cegas e, claro, pesquisas
estranhas e ridiculamente interessantes premiadas em 2014. O tema deste ano,
que orientou boa parte das premiações, foi ‘comida’ – o que, em alguns
momentos, fez a coisa toda descambar para a escatologia, mas tudo com muita
classe e rigor científico!
Para abrir a cerimônia,
realizada na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, uma cena provavelmente
nunca vista em qualquer teatro: nada de tomates ou ovos, a plateia proporcionou
um bombardeio de aviões de papel contra um pobre alvo humano.
Como de costume, o evento
contou com laureados do Nobel para entregar os troféus – Roy Glauber, Nobel de
Física de 2005, varria os aviõezinhos de papel do palco – e com outros
convidados especiais, como Jim Bredt, coinventor da impressão 3D, que fez
‘bico’ de ‘ponto de luz humano’. Nos intervalos, uma ópera mostrou a história
de um casal que atingiu a imortalidade trocando a comida por pílulas com
nutrientes – até que, 600 anos depois, as bactérias de sua flora digestiva se
cansaram da brincadeira!
Fatias de 'bacon' enfiadas no nariz podem ajudar a conter certo tipo de
hemorragia nasal incontrolável: essa foi uma das demonstrações dos estudos
laureados apresentadas no palco da cerimônia de entrega do IgNobel. (foto:
reprodução)
Para todos os gostos
“Mas e os prêmios?”, você
pode estar se perguntando. Depois desse aperitivo, vamos então ao que todo
mundo esperava (ou não). A tradição presente até no lema do IgNobel foi
cumprida: primeiro fazer rir e, depois, pensar. A premiação começou com um estudo de um grupo
japonês muito útil para
desenhos animados e esquetes de comédia: laureado na categoria Física, ele
avaliou a fricção na interação entre sapato, casca de banana e chão em uma
daquelas cômicas derrapadas.
Muito mais ‘metafísico’
foi o prêmio de neurociência, concedido a pesquisadores da China e do Canadá
que estudaram o que
ocorre no cérebro de pessoas que veem o rosto de Jesus Cristo em uma torrada – e quem disse que
religião e ciência não combinam, não é mesmo? O resultado pode surpreender: não
há nada de errado com elas. “Na verdade, seu cérebro é perfeitamente normal se
você vê rostos em objetos do dia a dia, como Elvis numa tortilha; mas se você
não os vê, isso pode significar que não tem o necessário para uma imaginação
vívida”, argumentou Kang Lee, um dos autores. “Mas para quem não tem
imaginação, é possível comprar uma torradeira de Jesus no Ebay.”
“Por favor, pare! Estou entediada.” Os berros da pequena ‘Miss Sweety
Poo’, de oito anos, faziam calar os oradores mais demorados, como o ganhador do
IgNobel de saúde pública Jaroslav Flegr. (foto: reprodução)
O prêmio de biologia
ficou com especialistas da República Tcheca, Alemanha e Zâmbia por
identificarem que, quando defecam ou urinam, cães e gatos posicionam-se em paralelo às linhas do campo
magnético da Terra. Pode parecer brincadeira, mas há muitos estudos que avaliam a capacidade de animais de ‘sentir’ esse campo
invisível. E se a plateia queria levar lembrancinhas para casa, ficou feliz:
recebeu saquinhos de papel supostamente contendo o cocô dos animais,
educadamente recolhido pelos cientistas.
Grandes temas,
estranhos estudos
As grandes questões dos
nossos tempos também marcaram presença na festa: laureado na categoria Ciência
Ártica, um estudo de pesquisadores da Noruega e da Alemanha avaliou a reação de
renas ao observar humanos disfarçados como
ursos polares, animais com os quais elas passaram a conviver mais devido ao
aquecimento global e aos degelos nas altas latitudes – talvez a ciência jamais
se recupere dos ridículos disfarces utilizados.
O
Instituto Nacional de Estatística da Itália foi laureado por sua liderança
mundial em encontrar maneiras de incluir as receitas de prostituição, tráfico
de drogas, contrabando e outras transações ilícitas na contas do PIB.
Já a crise econômica
mundial apareceu no discurso da autora da pesquisa laureada na categoria Arte, que mediu a
dor que as pessoas sentem quando olham para uma pintura feia ou bonita enquanto
um feixe delaser é apontado para sua mão. “A arte é boa para curar
a dor, na Itália somos bons nisso, por razões econômicas”, afirmou a pesquisadora.
“Se você está com dor, vá ao museu ver uma pintura, Botticelli é bom para dor de dente e Van Gogh para dor nas costas.”
O prêmio de economia
também foi italiano: o Instituto Nacional de Estatística do país foi o
laureado por sua liderança
mundial em encontrar
maneiras de incluir as receitas de prostituição, tráfico de drogas, contrabando
e outras transações ilícitas na contas do Produto Interno Bruto (PIB). Se essa
estratégia pega por aí, talvez tivéssemos mudanças no panorama atual da
economia mundial, hein?
Permitido brincar com
a comida!
Por fim, é claro que uma
noite de humor com comida não poderia acabar sem algumas ‘nojeiras’: na
categoria Nutrição, por exemplo, o estudo espanhol
laureado avaliou o uso
de bactérias fecais de bebês como potenciais probióticos para salsichas
fermentadas, ou seja, como colocar bactéria do cocô em alimentos. Os laureados
com o prêmio Nobel presentes puderam provar a ‘receita’ – mas não se empolgaram
muito...
Os laureados com o Nobel que participaram da cerimônia tiveram a
duvidosa honra de provar a salsicha probiótica espanhola ‘enriquecida’ com
bactérias das fezes de bebês. (foto: reprodução)
Na área de medicina, os
pesquisadores da Índia e dos Estados Unidos laureados desenvolveram um método
para tratar casos incontroláveis de hemorragia nasal usando tiras de carne de porco curada
nas narinas. “Obrigada a todos
os canais culinários que dizem que bacon deixa tudo melhor, e
também à minha mãe, que sempre dizia: ponha porco em tudo e você ficará bem”,
comemorou Sonal Saraiya, uma das autoras. “Esse estudo também foi ótimo porque
sou vegetariana e não sabia o que fazer com bacon.”
Completando a relação de
premiados, a láurea de psicologia foi para um estudo que mostrou que quem fica
acordado até tarde tende a ter mais autoadmiração, ser mais manipulador e mais
psicopata. Já o IgNobel de saúde pública foi para três pesquisas que avaliaram se é mentalmente
perigoso para um ser
humano possuir um gato. Cada laureado ganhou um belo troféu
na forma de bandeja de refeitório, além da quantia de dez trilhões de dólares –
do Zimbábue, o que não dá para comprar nem um lanche em qualquer cadeia
de fast-food.
Por fim, a festa contou,
ainda, com uma bela homenagem ao pesquisador Francis Fesmire, falecido
recentemente e que levou o IgNobel de medicina em 2006 por ter estudado
técnicas de parar soluços com recurso ao toque retal. Ele foi lembrado com
todos apontando seus indicadores para o alto. Poético, sem dúvida. No próximo
ano, o IgNobel completa 25 anos, data que será comemorada, com certeza, com
muitas risadas!
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Nobel de Química defende ciência básica na UnB e prega persistência em pesquisas
Martin
Chalfie criticou a pressão por quantidade de publicações acadêmicas, em
detrimento da qualidade do que é divulgado.
O Prêmio Nobel de Química, pesquisador
norte-americano Martin Chalfie, defende a ciência básica como caminho para
grandes descobertas, e critica a pressão por quantidade de publicações
acadêmicas, em detrimento da qualidade do que é divulgado. Chalfie, que é
professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, recebeu hoje (25) o
título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília e deu
palestra para estudantes, professores e admiradores. A eles, o Nobel deu um
recado: que não desistam das pesquisas e sejam persistentes.
Chalfie defende que a chamada ciência
básica – que se faz para aquisição de novos conhecimentos, que parte de uma
inquietação – não deve ser deixada de lado por uma valorização apenas da
ciência aplicada, voltada para um problema específico, em uma definição
simples. Para que ela seja mantida, o pesquisador defende que o estado
contribua com o desenvolvimento dos projetos.
“O apoio do governo à ciência é muito
importante. Usualmente, as empresas fazem pesquisa, mas é para objetivos
específicos: querem desenvolver um remédio ou industrializar algo”, diz. “Nos
Estados Unidos, o principal mantenedor da ciência é o governo nacional. As
empresas dão muito, mas não chega ao que é investido pelo governo”.
O Nobel de Química também critica a
pressão por quantidade de publicações. No seu entender, “é importante o
conteúdo, o teor; não a quantidade. Sobre a pressão por publicar, acredito que
as pessoas precisam publicar os resultados. É importante disseminar, as pessoas
precisam dos resultados para pensar. Mas [os pesquisadores] poderiam concluir
os trabalhos e não focar [na pressa em publicá-los]“.
Chalfie se dirigiu aos pesquisadores
presentes e os incentivou a insistirem nas pesquisas, mesmo que os resultados
não sejam os esperados. “Se você fizer um experimento e confirmar a sua
hipótese, faz uma medição. Se fizer um experimento e refutar sua hipótese, você
faz uma descoberta. Descoberta é aquilo que fomenta o avanço da ciência. Para
fazê-la é preciso ser teimoso, insistir”, enfatizou.
“Geralmente gostamos de fazer relatos
científicos que não tomem muito tempo, e não falamos dos problemas ocorridos,
apenas do lado bom”, acrescenta e brinca que as descobertas em químicas são
feitas jogando-se o material no chão, jogando-o fora.
Ele conta a história do também Nobel
de Química, Osamu Shimomura. Foi jogando o material no qual trabalhou durante
todo um dia – com exaustão, sem conseguir um resultado – na pia, que ele
conseguiu combiná-lo quase acidentalmente a outra substância, o que deu o
impulso inicial para os trabalhos com a chamada Proteína Verde Fluorescente,
que renderam a Shimomura e a Chalfie o Prêmio Nobel.
Chalfie também destaca a importância
do trabalho em equipe, e relata que foi quando publicou o trabalho e, antes
disso, quando o ofereceu a outros pesquisadores, que outras aplicações
surgiram, ampliando o escopo da descoberta.
O Nobel foi premiado em 2008 pela
descoberta da Proteína Verde Fluorescente como marcador biológico. É possível
injetá-la em organismos vivos, como microrganismos, minhocas, e fazer estudos
que antes só eram possíveis com os organismos mortos. A utilização do marcador
foi expandida em cerca de 160 trabalhos publicados após a descoberta.
Perguntado o que ainda falta ser
desenvolvido na química, ele responde: “Esta é uma pergunta difícil [de
responder]. Se eu soubesse, estaria ganhando meu próximo Prêmio Nobel”.
A iniciativa de trazer o pesquisador
foi do Decanato de Pesquisa e Graduação da Universidade, em parceria com a
biofarmacêutica AstraZeneca e o Nobel Media, empresa responsável por levar
premiados pelo Nobel a universidades e centros de pesquisa.
(Mariana
Tokarnia / Agência Brasil)
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
“Educação científica é estratégica para o País”
Para ABC
e SBPC, o cumprimento das metas do PNE pode reverter cenário negativo nos
próximos anos
O Brasil precisar adotar, com urgência,
medidas para melhorar a educação e evitar mais uma geração com números
medíocres nos próximos 20 anos. A análise é do vice-presidente da Academia
Brasileira de Ciências (ABC), Hernan Chaimovich, em palestra durante o 2º
Encontro Regional de Membros Afiliados da ABC, na unidade do Mackenzie, em
Higienópolis, São Paulo.
“Se as ações em grande escala não forem
tomadas rapidamente todas as crianças de até 12 anos (25 milhões de crianças)
serão perdidas até 2035, em termos de educação”, disse. Hoje a educação dos
ensinos médio e fundamental é de responsabilidade municipal e estadual,
principalmente.
Chaimovich citou os últimos dados do
PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), coordenado pela
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostram
distâncias consideráveis nos números da educação do Brasil em relação aos de
países do bloco.
Para Chaimovich, no Brasil, os
problemas atingem todos os níveis educacionais. No ensino superior, declarou,
os números são assustadores. Isso porque em cada 10 estudantes que ingressam na
universidade apenas 4 concluem os estudos, em média.
Citou ainda dados do Anuário Brasileiro
de 2012 sobre a educação básica que mostram que 35% dos adultos com idade entre
35 e 45 anos são analfabetos funcionais. “Isto é, sabem escrever seu nome, sabe
fazer sua assinatura, mas não conseguem ler um jornal”.
Nesse caso, reiterou palavras da
presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sobre a
necessidade de fazer uma revolução no sistema educacional nacional.
“Ou se faz uma revolução na educação,
como prega a presidente da SBPC (Helena Nader), ou vamos ter mais uma geração
com números medíocres na educação”.
Por sua vez, Helena Nader, presidente
da SBPC, lamentou o atual cenário da educação nacional. “No nosso País o que
fizemos foi uma grande inclusão sem nenhuma qualificação”, atestou.
Na visão dos dois especialistas, o
cumprimento de forma eficaz das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) - que
reúne 20 metas e estratégias para a educação nos próximos dez anos – pode
reverter tal cenário nos próximos anos.
Segundo Helena, a sociedade civil
precisa acompanhar o cumprimento de todas as metas do PNE, fiscalizando cada
uma. “O PNE é o que a sociedade quer, mas sem fiscalização não vai dar”,
pontuou.
Com a mesma opinião, Chaimovich disse
que se o PNE for executado conforme recomendam suas 20 metas não haverá crise
no sistema educacional nos próximos 20 anos.
Desafios
do Brasil
Para Helena, o governo precisa
considerar a educação científica uma estratégia para o desenvolvimento do País.
Ela afirma que um dos desafios do País é melhorar a qualificação dos
professores de ciência da educação básica, conforme recomendam as metas 15 e 16
do PNE.
Outro desafio é dotar as escolas
públicas de laboratórios didáticos e livros de ciência, além de fazer com que
os alunos do ensino médio aprendam a utilizar o método científico, mais do que
absorver conhecimentos científicos. A presidente da SBPC recomenda ainda
ampliar os programas de iniciação científica no ensino médio.
Divulgação
científica
Helena Nader aproveitou o momento para
lamentar a perda de espaço da área de ciência, tecnologia e inovação nos
principais veículos de comunicação do País, canais importantíssimos para a
divulgação científica.
Nader vê também necessidade de ampliar
os investimentos em museus de ciência a fim de ampliar os espaços de divulgação
científica no País.
(Viviane
Monteiro/ Jornal da Ciência)
terça-feira, 6 de maio de 2014
Existência do elemento químico 117 é confirmada
Colisor de partículas onde foi criado o ununséptio, na Johannes Gutenberg University Mainz, na Alemanha Divulgação / Johannes Gutenberg University Mainz
Um elemento pesado foi confirmado por
experimentos com um colisor de partículas na Alemanha e ocupará sua justa
posição como Elemento 117 na Tabela Periódica, dizem físicos daquele país e dos
EUA.
De acordo com o site “Tech Times”,
bombardeando amostras de berquélio radioativo (número atômico 97) com átomos de
cálcio (20), pesquisadores criaram átomos com 117 prótons, originando um
elemento químico 40% mais pesado que o chumbo e com meia-vida relativamente
longa. O novo elemento aguarda apenas que um nome lhe seja atribuído pela IUPAC
(União Internacional de Química Pura e Aplicada, na sigla em inglês).
Os físicos apelidaram temporariamente o
novo integrante da Tabela Periódica como “ununséptio” (Uus), alusão direta ao
numeral 117, que é a soma dos 20 prótons do cálcio com os 97 do berquélio, cujo
nome é uma homenagem à Universidade da Califórnia em Berkeley. O novíssimo
elemento é chamado também eka-astatínio.
Demorou 18 meses para ser confirmado o
ununséptio, que foi o tempo necessário para os cientistas do Laboratório de Oak
Ridge, nos EUA, conseguirem criar a quantidade de berquélio necessária para ser
bombardeada com átomos de cálcio pelos pesquisadores do Centro GSI Helmholtz do
Centro para Pesquisas de Íons Pesados, em Darmstadt, na Alemanha.
Só um elemento químico é mais pesado
que o ununséptio: o ununóctio (Uuo), com número atômico 118, conhecido também
como eka-radônio, que é o elemento de maior massa atômica entre todos, tanto
naturais quanto sintéticos.
Leia mais
sobre esse assunto em:
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Mutações genéticas podem impedir combate de infecções por micobactérias
Cientistas conseguiram identificar que modificações nos genes prejudicam o funcionamento do sistema de defesa do organismo
Foto:
Diego Vara / Ageência RBS
— Entendendo o mecanismo, conseguiremos tentar novas alternativas
terapêuticas. A tuberculose é uma doença endêmica ainda muito prevalente
no mundo, para cujo tratamento os medicamentos que existem são muito
limitados. São antigos e limitados — disse o professor do Departamento
de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo (USP), e coordenador do estudo, Antonio Condino Neto.
O grupo de cientistas já conseguiu identificar que mutações nos genes
prejudicam o funcionamento do sistema de defesa do organismo contra
micobactérias. Algumas mutações, por exemplo, desestabilizam o sistema
NADPH oxidase, responsável pela atividade microbicida dentro dos
macrófagos — células com o poder de englobar e destruir corpos
estranhos, como bactérias. Assim, as pessoas portadoras da mutação
perdem a capacidade de combater as infecções.
— A pessoa nasce já com a mutação, uma variação genética, que torna a
resposta imunológica defeituosa. Em função disso, ela tem uma maior
chance de contrair infecções por micobactérias, aí no caso destacando,
principalmente, a tuberculose — ressalta o professor.
Alguns dos defeitos genéticos já podem ser constatados em um exame de
triagem neonatal chamado TREC. O exame é complementar ao teste do
pezinho, e já está sendo implementado nos Estados Unidos, Europa, e
Japão. No Brasil, os pesquisadores estão realizando o teste em um
convênio com a Apae.
— A pesquisa vai continuar tanto no Brasil quanto na França com os
nossos parceiros. Acho que vamos descobrir ainda muitos outros defeitos
genéticos relacionados a esse tipo de problema. Espero que, com isso,
nos próximos anos, consigamos pensar em um novo tipo de vacina para
tuberculose e um novo tipo de tratamento — destacou o professor.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/vida/noticia/2014/03/mutacoes-geneticas-podem-impedir-combate-de-infeccoes-por-micobacterias-4442729.html
Cientistas reconstroem impacto de asteroide gigante na Terra
Colisão há 3,26 bilhões de anos faz evento catastrófico que exterminou os dinossauros parecer pequeno
Há cerca de 65 milhões de anos, a queda de um meteoro com entre cinco
e dez quilômetros de diâmetro na região que hoje é a costa da Península
de Yucatán, no México, lançou a Terra em um longo período de trevas e é
apontada como principal responsável pela extinção dos dinossauros. Mas
ao longo dos seus 4,5 bilhões de anos de história, nosso planeta foi
alvo de outros impactos ainda maiores e agora, pela primeira vez, os
cientistas foram capazes de reconstruir um deles.
Segundo os pesquisadores, 3,26 bilhões de anos atrás uma rocha
espacial com entre 37 e 58 quilômetros atingiu o que é atualmente o Sul
da África a uma velocidade de mais de 72 mil km/h, deixando para trás
uma cratera de quase 500 quilômetros de largura, o equivalente à
distância entre Rio e São Paulo, e provocando terremotos e tsunamis ao
redor do planeta tão fortes e grandes que fazem tanto o evento
catastrófico que exterminou os dinossauros quanto os maiores desastres
naturais da História recente parecerem pequenos.
Mas apesar da magnitude da colisão, os cientistas tiveram que
recorrer a um trabalho de "geologia forense" para reconstruí-la. Isso
porque a ação da erosão e dos movimentos das placas tectônicas
praticamente "apagou" todas suas marcas, assim como de outros impactos
do tipo durante período da evolução da Terra entre 3 e 4 bilhões de anos
atrás conhecido como "bombardeio pesado tardio". Um dos poucos sinais
que restaram desta série de colisões é um cinturão de rochas verdes com
cerca de 100 quilômetros de comprimento e 60 de largura na região de
Barberton, entre Joanesburgo, na África do Sul, e a fronteira com a
Suazilândia, em que foram encontradas algumas das pedras mais antigas do
planeta e serviram de base para o estudo.
- Não podemos ir e ver os locais dos impactos, então para entender o
quão grandes eles foram e quais foram seus efeitos precisamos estudar
regiões como esta - explica Donald Lowe, geólogo da Universidade de
Stanford, nos EUA, e um dos autores de artigo sobre a reconstrução,
aceito para publicação pelo periódico "Geochemistry, Geophysics,
Geosystems", editado pela União Americana de Geofísica. - Sabíamos que o
asteroide tinha sido grande, mas não o quão grande.
Segundo Lowe, o impacto provavelmente exterminou boa parte dos
organismos microscópicos que se acredita viviam na época, o que também
possivelmente abriu caminho para a evolução de seres mais complexos,
assim como o desaparecimento dos dinossauros legou a Terra aos
mamíferos, como os seres humanos.
- Estamos tentando entender as forças que moldaram nosso planeta bem
cedo durante sua evolução e, assim, os ambientes onde a vida também
evoluiu - considera.
(Cesar Baima / O Globo)
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Revistas como a Nature, Cell e Science são prejudiciais à Ciência
Artigo de Randy Schekman, ganhador do prêmio Nobel
de Medicina e Fisiologia em 2013, publicado pelo Jornal The Guardian, afirma
que os incentivos oferecidos pelas principais revistas distorcem a ciência, assim
como os grandes bônus distorcem o sistema bancário.
Traduzido por Murilo Sérgio da
Silva Julião
Sou
um cientista e o meu objetivo profissional é obter grandes coisas para a
humanidade. Porém, isto pode ser desfigurado por meio de incentivos inadequados.
As estruturas predominantes de reputação pessoal e progressão profissional nos
levam às maiores recompensas, muitas vezes acompanhadas de trabalhos rápidos, mas
não os melhores. Os que seguem estes incentivos estão sendo inteiramente
racionais – tenho seguido a mim mesmo – mas nem sempre estão servindo aos melhores
interesses de nossa profissão, muito menos aos da humanidade e da sociedade.
Sabemos como
os incentivos distorceram os sistemas financeiro e bancário Os incentivos ofertados
aos cientistas não são bônus enormes, porém recompensas profissionais são sempre
destinadas aqueles cientistas que publicam em revistas de prestígio – principalmente
a Nature, Cell e a Science.
Essas
revistas de luxo supostamente são a epítome da qualidade, pois publicam apenas as
melhores pesquisas. Por conta disto, as agências de financiamento de pesquisas frequentemente
levam em consideração as revistas onde foram publicadas as pesquisas como um parâmetro
para avaliar a qualidade da ciência, logo se o cientista publicar sua pesquisa numa
destas revistas, certamente obterá mais subsídios e alçará mais degraus na
carreira. Porém a reputação das grandes revistas é só uma justificativa parcial.
Enquanto essas revistas publicam muitos artigos excelentes, não publicam somente
artigos excelentes. Nem são as únicas publicações para pesquisas de excelência.
A
curadoria dessas revistas atua de modo agressivo, pois propicia à maior
vendagem de assinaturas do que o estímulo às pesquisas mais importantes. Como
os estilistas que criam bolsas ou roupas de edição limitada, pois sabem que a escassez
alimenta a demanda, de modo que artificialmente restringem o número de artigos
aceitos. As marcas exclusivas são então comercializadas com um truque chamado
"fator de impacto" – uma pontuação para cada revista, que mede o
número de vezes que seus trabalhos são citados por pesquisas posteriores.
Melhores artigos, diz a teoria, são citados com mais frequência, por isso as melhores
revistas possuem as maiores pontuações. Ainda assim, é uma medida profundamente
falha, perseguindo o que tornou-se um fim em si mesmo – e é tão prejudicial
para a ciência como a cultura do bônus para o setor bancário.
Isto é
comum e incentivado por muitas revistas, para a pesquisa ser julgada pelo fator
de impacto do periódico do que publicá-lo. Mas, como a pontuação de uma revista
é uma média, este parâmetro não diz muito sobre a qualidade de qualquer pedaço
individual da pesquisa. Além disso, a citação é, por vezes, mas nem sempre,
ligada à qualidade. Um artigo pode se tornar altamente citado porque divulgou bons
resultados sob o ponto de vista da ciência – ou porque é atraente, provocante
ou errado. Os editores de revistas de luxo sabem disso, por isso aceitam artigos
que possam explorar temas sensuais ou fazer reivindicações desafiadoras. Isso
influencia a ciência que os cientistas fazem. Esses editores constroem verdadeiras
bolhas nos campos da moda, pois do mesmo modo que incentivam os pesquisadores a
fazer afirmações ousadas nessas revistas querem ao mesmo tempo desencorajar
outros trabalhos importantes, como os estudos de replicação.
Em
casos extremos, a atração por uma revista de luxo pode incentivar correções
mais rígidas e contribuir para o número crescente de artigos retraídos por
serem falhos ou fraudulentos. A Science só recentemente retraiu artigos de alto nível que reportaram clonagem
de embriões humanos, ligações entre lixo e violência e os perfis
genéticos de pessoas centenárias. Talvez pior do que não ter retraído sobre as alegações
de que um micróbio é capaz de usar arsênio em seu DNA em vez de fósforo, apesar
das críticas da esmagadora maioria da comunidade científica.
Há uma
maneira melhor de corrigir isto, através da nova geração de revistas de acesso
aberto que são livres para qualquer um ler, e não têm assinaturas caras para
promover. Nascidas na web, essas revistas podem aceitar todos os artigos que
cumprirem as normas de qualidade, sem limites artificiais. Muitas delas são
editadas por cientistas em atividade, que podem avaliar o valor dos artigos sem
levar em conta as citações. Como a eLife, uma revista de
acesso aberto, que faço a editoria, financiada pelo Wellcome Trust, na qual os Institutos
de Medicina Howard Hughes e a Sociedade Max Planck estão publicando ciência de nível
mundial a cada semana.
As
agências financiadoras e universidades também têm um papel a desempenhar, pois
devem esclarecer às comissões, que decidem sobre auxílios financeiros e cargos
de chefia, para não julgar artigos com base somente nas revistas onde foram publicados.
O importante é a qualidade da pesquisa, e não a marca da revista. O mais
importante de tudo é que nós, cientistas, precisamos ter mais atitude. Tal como
muitos pesquisadores de sucesso, já publiquei em revistas de marca, inclusive o
artigo que me fez ser agraciado com o prêmio Nobel de medicina. Mas não publico
mais. Já comprometi o meu laboratório para evitar revistas de luxo e incentivo
os outros a fazerem o mesmo.
Assim
como Wall Street precisa quebrar a influência da cultura dos bônus, o que leva
a assumir riscos que podem ser racionais para os indivíduos, mas prejudiciais para
o sistema financeiro, de modo que a Ciência deve quebrar a tirania das revistas
de luxo. Os resultados serão melhores pesquisas que servem melhor à ciência e à
sociedade.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Cinco Apostas da Ciência para os Próximos Anos
IBM
faz lista do que mudará no mundo até 2018, a empresa costuma acertar nas
previsões. Confira!
A IBM lançou ontem sua tradicional lista
"Five to Five", em que enumera cinco previsões do que podem ocorrer
no próximos cinco anos. Nas edições anteriores, a gigante da informática
acertou ao apontar, por exemplo, o desenvolvimento da telemedicina e da
nanotecnologia, a tradução simultânea no computador por reconhecimento de voz e
a implantação de tecnologias 3D. Agora, a empresa aposta em um mundo cada vez
mais individualista.
1.
Na sala de aula
Cena comum: um aluno faz cara de paisagem
enquanto o professor explica o Teorema de Pitágoras, enquanto outro colega
anota tudo atenciosamente. No futuro, porém, as aulas serão individualizadas.
A computação cognitiva ajudará escolas e
universidades a calcularem como cada estudante aprende - e, assim, elas criarão
um sistema que permitirá um ensino mais flexível.
2.
Na medicina
Em vez de um estetoscópico, o médico
levará o DNA do paciente no bolso de seu jaleco. Parece ficção, mas a
iniciativa já está desenvolvida pela empresa 23andMe. Logo os doutores terão à
disposição os elos fracos da cadeia genética de seus pacientes.
"Hoje em dia, as provas de DNA que
ajudariam na tomada de decisões para um tratamento são escassas", diz a
IBM. "Mas a tecnologia permitirá novas informações, e o acesso a elas será
mais rápido e barato". A identificação de doenças por estas novas medidas
também permitirá a criação de tratamentos personalizados.
3. Na internet
Chega de hackers e de preocupações com
roubo ou perda de senhas. Uma polícia online identificará qualquer atuação
estranha em seus acessos. Os primeiros passos já foram dados. A Google, por
exemplo, alerta os usuários do Gmail quando seu e-mail é aberto em um local
diferente do normal - um outro país, por exemplo.
A internet, assim, vai identificar quais
são os sites normalmente visitados por cada um de nós, protegendo-nos de
fraudes – se permitirmos, ressalta a IBM.
4. Na
rua
O tema "cidade inteligente" é
recorrente, mas ainda vai avançar. O smartphone será o instrumento básico para
mover-se por aí. "Saberemos de tudo que está acontecendo", revela a
IBM. "Devido à interação contínua do sistema cognitivo com os cidadãos, é
possível saber o que cada um de nós gosta e, assim, receberemos opções mais
adequadas".
Mudam-se, assim, os costumes. Fatores
como a chuva, o horário e o congestionamento podem fazer o smartphone nos
avisar se é necessário sair de casa dez minutos antes do normal.
5.
Nas compras
Nada desaparece, mas tudo muda –
inclusive a lojinha da esquina. Voltaremos a ela, desta vez conectados a
internet. Assim saberemos as ofertas do dia e o varejista conhecerá nossas
preferências.
"Será a fusão do que há de melhor na
loja física - tocar e vestir um produto – com a riqueza de informações - as
ofertas instantâneas e o gosto do consumidor, que hoje vemos com mais
facilidade na internet.
(O
Globo)
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