terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SBPC envia carta a deputados contra o ensino do criacionismo em escolas


A entidade quer que permaneça no ensino o princípio da laicidade e liberdade de crença garantidos pela Constituição federal


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviou aos deputados federais uma carta solicitando que o Projeto de Lei 8099/2014, de deputado Marco Feliciano (PSC/SP), que propõe a inserção de conteúdos sobre criacionismo na grade curricular das Redes Pública e Privada de Ensino, e seu apensado ao PL 309/2011, de autoria do mesmo deputado, que “altera o Art. 33 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino religioso nas redes públicas de ensino do país”, sejam rejeitados e arquivados. Segundo a SBPC, isso é necessário para se manter o princípio da laicidade e liberdade de crença garantidos pela Constituição federal, bem como o não comprometimento do ensino das Ciências aos alunos.

Veja a carta na íntegra em:


(Ascom SBPC)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Que nos Leva a Fazer um Pós-doutorado?



Postado por Julie Gould em 3 de outubro de 2014.
Ambições de crescimento na carreira são os motivos mais comuns para realizar um pós-doutorado, seguido de perto pelo amor à ciência.

            A NatureJobs, por meio de sua última enquete: "Por que você decidiu fazer um estágio de pós-doutorado?" procurou descobrir as razões pelas quais os leitores decidiram realizar um estágio de pós-doutorado. A seguir, as três escolhas mais votadas: apenas para receber a bolsa de pesquisa; tornar-se um pesquisador mais experiente e desenvolver mais habilidades para produzir mais artigos científicos.
            Os leitores tiveram a oportunidade de escolher três dos seguintes motivos:
·       Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após o doutorado.
·       Porque ama a ciência e a pesquisa científica.
·       Para alcançar o sonho de se tornar um pesquisador titular.
·       Porque está difícil encontrar outro emprego.
·       Para pesquisar e descobrir algo novo.
·       Para contribuir com o conhecimento científico.
·       Porque não sei mais o que fazer.
·       Porque tenho medo de atuar fora da universidade.
·       Para mudar de laboratório.
·       Porque não consegue encontrar uma posição que desse mais segurança.
·       Para contribuir com a sociedade.
·       Por conveniência.
·       Porque acredita na promessa de que o laboratório está se expandindo e novas oportunidades podem surgir.
·       Outros.

            Após três meses, 482 pessoas de todo o mundo terem feito 817 escolhas, eis os resultados, classificados por ordem de votação:

             Quase 25% dos votos foram para "porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após o doutorado", indicando que, para melhor ou para pior, a opção mais escolhida para muitos cientistas é continuar na carreira atual.


            No entanto, nem todas as repostas foram relacionadas à carreira: a opção mais altruísta: "porque amo a ciência e a pesquisa científica" foi a segunda mais popular, com 16% dos votos. Outra resposta focada na carreira, "para alcançar o sonho de se tornar um acadêmico", veio em terceiro, com 15% dos votos. É possível agrupar estas respostas em 3 categorias:
Ambições futuras:
·       Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após o doutorado.
·       Para alcançar o sonho de se tornar um acadêmico titular.
·       Porque não consegui encontrar outro emprego.
·       Para mudar de laboratório (cidade).
·       Porque acreditou na promessa de que o laboratório estaria se expandindo e novas oportunidades surgiriam.
 Falta de outras opções:
·       Por conveniência.
·       Porque é a próxima etapa na carreira acadêmica após o PhD.
·       Porque não consegui encontrar uma posição estável.
·       Não sei mais o que fazer.
·       Porque não encontrei outro emprego.
·       Tenho medo do desconhecido fora da academia.
Amor pela ciência:
·       Porque amo a ciência e a pesquisa científica.
·       Para descobrir algo novo
·       Para contribuir para o corpo de conhecimento científico
·       Para contribuir com a sociedade
            Essas categorias não são mutuamente exclusivas. Por exemplo, a opção: "Próxima etapa" pode ser enquadrada como ambições futuras e à falta de outras opções. Ambições futuras parece ser a maior força motriz por trás da escolha de fazer um pós-doc, com 45% dos votos, seguido por "amor à ciência", com 30%.

domingo, 12 de outubro de 2014

Ciência absurda com molho de risadas


Bem-humorado, prêmio IgNobel laureia estudo sobre pessoas que veem o rosto de Jesus em torradas, técnica que usou bacon para estancar sangramento e salsicha ‘enriquecida’ com bactérias de fezes de bebês, entre outros casos da ciência improvável.

Por: Marcelo Garcia, Ciência Hoje On-line.
Não há nada errado com quem enxerga o rosto de Jesus em uma torrada ou de Elvis em uma tortilha: essa é a conclusão de um dos ridiculamente interessantes estudos ganhadores do IgNobel de 2014. (foto: Flickr/ joshkehn – CC BY 2.0)

          A zoeira não teve limites na noite de ontem (18/09), durante o evento anual do bom humor na ciência, a cerimônia de entrega do prêmio IgNobel, paródia do prêmio Nobel. Entre as atrações, chuvas de aviões de papel, salsichas ‘enriquecidas’ com bactérias do cocô de bebês, ópera com coro de bactérias, encontros às cegas e, claro, pesquisas estranhas e ridiculamente interessantes premiadas em 2014. O tema deste ano, que orientou boa parte das premiações, foi ‘comida’ – o que, em alguns momentos, fez a coisa toda descambar para a escatologia, mas tudo com muita classe e rigor científico!
          Para abrir a cerimônia, realizada na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, uma cena provavelmente nunca vista em qualquer teatro: nada de tomates ou ovos, a plateia proporcionou um bombardeio de aviões de papel contra um pobre alvo humano.
          Como de costume, o evento contou com laureados do Nobel para entregar os troféus – Roy Glauber, Nobel de Física de 2005, varria os aviõezinhos de papel do palco – e com outros convidados especiais, como Jim Bredt, coinventor da impressão 3D, que fez ‘bico’ de ‘ponto de luz humano’. Nos intervalos, uma ópera mostrou a história de um casal que atingiu a imortalidade trocando a comida por pílulas com nutrientes – até que, 600 anos depois, as bactérias de sua flora digestiva se cansaram da brincadeira!
Fatias de 'bacon' enfiadas no nariz podem ajudar a conter certo tipo de hemorragia nasal incontrolável: essa foi uma das demonstrações dos estudos laureados apresentadas no palco da cerimônia de entrega do IgNobel. (foto: reprodução)
Para todos os gostos
          “Mas e os prêmios?”, você pode estar se perguntando. Depois desse aperitivo, vamos então ao que todo mundo esperava (ou não). A tradição presente até no lema do IgNobel foi cumprida: primeiro fazer rir e, depois, pensar. A premiação começou com um estudo de um grupo japonês muito útil para desenhos animados e esquetes de comédia: laureado na categoria Física, ele avaliou a fricção na interação entre sapato, casca de banana e chão em uma daquelas cômicas derrapadas.
          Muito mais ‘metafísico’ foi o prêmio de neurociência, concedido a pesquisadores da China e do Canadá que estudaram o que ocorre no cérebro de pessoas que veem o rosto de Jesus Cristo em uma torrada – e quem disse que religião e ciência não combinam, não é mesmo? O resultado pode surpreender: não há nada de errado com elas. “Na verdade, seu cérebro é perfeitamente normal se você vê rostos em objetos do dia a dia, como Elvis numa tortilha; mas se você não os vê, isso pode significar que não tem o necessário para uma imaginação vívida”, argumentou Kang Lee, um dos autores. “Mas para quem não tem imaginação, é possível comprar uma torradeira de Jesus no Ebay.”
“Por favor, pare! Estou entediada.” Os berros da pequena ‘Miss Sweety Poo’, de oito anos, faziam calar os oradores mais demorados, como o ganhador do IgNobel de saúde pública Jaroslav Flegr. (foto: reprodução)

          O prêmio de biologia ficou com especialistas da República Tcheca, Alemanha e Zâmbia por identificarem que, quando defecam ou urinam, cães e gatos posicionam-se em paralelo às linhas do campo magnético da Terra. Pode parecer brincadeira, mas há muitos estudos que avaliam a capacidade de animais de ‘sentir’ esse campo invisível. E se a plateia queria levar lembrancinhas para casa, ficou feliz: recebeu saquinhos de papel supostamente contendo o cocô dos animais, educadamente recolhido pelos cientistas.
 Grandes temas, estranhos estudos
          As grandes questões dos nossos tempos também marcaram presença na festa: laureado na categoria Ciência Ártica, um estudo de pesquisadores da Noruega e da Alemanha avaliou a reação de renas ao observar humanos disfarçados como ursos polares, animais com os quais elas passaram a conviver mais devido ao aquecimento global e aos degelos nas altas latitudes – talvez a ciência jamais se recupere dos ridículos disfarces utilizados.
          O Instituto Nacional de Estatística da Itália foi laureado por sua liderança mundial em encontrar maneiras de incluir as receitas de prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras transações ilícitas na contas do PIB.

          Já a crise econômica mundial apareceu no discurso da autora da pesquisa laureada na categoria Arte, que mediu a dor que as pessoas sentem quando olham para uma pintura feia ou bonita enquanto um feixe delaser é apontado para sua mão. “A arte é boa para curar a dor, na Itália somos bons nisso, por razões econômicas”, afirmou a pesquisadora. “Se você está com dor, vá ao museu ver uma pintura, Botticelli é bom para dor de dente e Van Gogh para dor nas costas.”
          O prêmio de economia também foi italiano: o Instituto Nacional de Estatística do país foi o laureado por sua liderança mundial em encontrar maneiras de incluir as receitas de prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras transações ilícitas na contas do Produto Interno Bruto (PIB). Se essa estratégia pega por aí, talvez tivéssemos mudanças no panorama atual da economia mundial, hein?
 Permitido brincar com a comida!
          Por fim, é claro que uma noite de humor com comida não poderia acabar sem algumas ‘nojeiras’: na categoria Nutrição, por exemplo, o estudo espanhol laureado avaliou o uso de bactérias fecais de bebês como potenciais probióticos para salsichas fermentadas, ou seja, como colocar bactéria do cocô em alimentos. Os laureados com o prêmio Nobel presentes puderam provar a ‘receita’ – mas não se empolgaram muito...

Os laureados com o Nobel que participaram da cerimônia tiveram a duvidosa honra de provar a salsicha probiótica espanhola ‘enriquecida’ com bactérias das fezes de bebês. (foto: reprodução)

          Na área de medicina, os pesquisadores da Índia e dos Estados Unidos laureados desenvolveram um método para tratar casos incontroláveis de hemorragia nasal usando tiras de carne de porco curada nas narinas. “Obrigada a todos os canais culinários que dizem que bacon deixa tudo melhor, e também à minha mãe, que sempre dizia: ponha porco em tudo e você ficará bem”, comemorou Sonal Saraiya, uma das autoras. “Esse estudo também foi ótimo porque sou vegetariana e não sabia o que fazer com bacon.”
          Completando a relação de premiados, a láurea de psicologia foi para um estudo que mostrou que quem fica acordado até tarde tende a ter mais autoadmiração, ser mais manipulador e mais psicopata. Já o IgNobel de saúde pública foi para três pesquisas que avaliaram se é mentalmente perigoso para um ser humano possuir um gato. Cada laureado ganhou um belo troféu na forma de bandeja de refeitório, além da quantia de dez trilhões de dólares – do Zimbábue, o que não dá para comprar nem um lanche em qualquer cadeia de fast-food.
          Por fim, a festa contou, ainda, com uma bela homenagem ao pesquisador Francis Fesmire, falecido recentemente e que levou o IgNobel de medicina em 2006 por ter estudado técnicas de parar soluços com recurso ao toque retal. Ele foi lembrado com todos apontando seus indicadores para o alto. Poético, sem dúvida. No próximo ano, o IgNobel completa 25 anos, data que será comemorada, com certeza, com muitas risadas!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Nobel de Química defende ciência básica na UnB e prega persistência em pesquisas


Martin Chalfie criticou a pressão por quantidade de publicações acadêmicas, em detrimento da qualidade do que é divulgado.

          O Prêmio Nobel de Química, pesquisador norte-americano Martin Chalfie, defende a ciência básica como caminho para grandes descobertas, e critica a pressão por quantidade de publicações acadêmicas, em detrimento da qualidade do que é divulgado. Chalfie, que é professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, recebeu hoje (25) o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília e deu palestra para estudantes, professores e admiradores. A eles, o Nobel deu um recado: que não desistam das pesquisas e sejam persistentes.
          Chalfie defende que a chamada ciência básica – que se faz para aquisição de novos conhecimentos, que parte de uma inquietação – não deve ser deixada de lado por uma valorização apenas da ciência aplicada, voltada para um problema específico, em uma definição simples. Para que ela seja mantida, o pesquisador defende que o estado contribua com o desenvolvimento dos projetos.
          “O apoio do governo à ciência é muito importante. Usualmente, as empresas fazem pesquisa, mas é para objetivos específicos: querem desenvolver um remédio ou industrializar algo”, diz. “Nos Estados Unidos, o principal mantenedor da ciência é o governo nacional. As empresas dão muito, mas não chega ao que é investido pelo governo”.
          O Nobel de Química também critica a pressão por quantidade de publicações. No seu entender, “é importante o conteúdo, o teor; não a quantidade. Sobre a pressão por publicar, acredito que as pessoas precisam publicar os resultados. É importante disseminar, as pessoas precisam dos resultados para pensar. Mas [os pesquisadores] poderiam concluir os trabalhos e não focar [na pressa em publicá-los]“.
          Chalfie se dirigiu aos pesquisadores presentes e os incentivou a insistirem nas pesquisas, mesmo que os resultados não sejam os esperados. “Se você fizer um experimento e confirmar a sua hipótese, faz uma medição. Se fizer um experimento e refutar sua hipótese, você faz uma descoberta. Descoberta é aquilo que fomenta o avanço da ciência. Para fazê-la é preciso ser teimoso, insistir”, enfatizou.
          “Geralmente gostamos de fazer relatos científicos que não tomem muito tempo, e não falamos dos problemas ocorridos, apenas do lado bom”, acrescenta e brinca que as descobertas em químicas são feitas jogando-se o material no chão, jogando-o fora.
          Ele conta a história do também Nobel de Química, Osamu Shimomura. Foi jogando o material no qual trabalhou durante todo um dia – com exaustão, sem conseguir um resultado – na pia, que ele conseguiu combiná-lo quase acidentalmente a outra substância, o que deu o impulso inicial para os trabalhos com a chamada Proteína Verde Fluorescente, que renderam a Shimomura e a Chalfie o Prêmio Nobel.
          Chalfie também destaca a importância do trabalho em equipe, e relata que foi quando publicou o trabalho e, antes disso, quando o ofereceu a outros pesquisadores, que outras aplicações surgiram, ampliando o escopo da descoberta.
          O Nobel foi premiado em 2008 pela descoberta da Proteína Verde Fluorescente como marcador biológico. É possível injetá-la em organismos vivos, como microrganismos, minhocas, e fazer estudos que antes só eram possíveis com os organismos mortos. A utilização do marcador foi expandida em cerca de 160 trabalhos publicados após a descoberta.
          Perguntado o que ainda falta ser desenvolvido na química, ele responde: “Esta é uma pergunta difícil [de responder]. Se eu soubesse, estaria ganhando meu próximo Prêmio Nobel”.
          A iniciativa de trazer o pesquisador foi do Decanato de Pesquisa e Graduação da Universidade, em parceria com a biofarmacêutica AstraZeneca e o Nobel Media, empresa responsável por levar premiados pelo Nobel a universidades e centros de pesquisa.

(Mariana Tokarnia / Agência Brasil)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

“Educação científica é estratégica para o País”


Para ABC e SBPC, o cumprimento das metas do PNE pode reverter cenário negativo nos próximos anos

         O Brasil precisar adotar, com urgência, medidas para melhorar a educação e evitar mais uma geração com números medíocres nos próximos 20 anos. A análise é do vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Hernan Chaimovich, em palestra durante o 2º Encontro Regional de Membros Afiliados da ABC, na unidade do Mackenzie, em Higienópolis, São Paulo.
         “Se as ações em grande escala não forem tomadas rapidamente todas as crianças de até 12 anos (25 milhões de crianças) serão perdidas até 2035, em termos de educação”, disse. Hoje a educação dos ensinos médio e fundamental é de responsabilidade municipal e estadual, principalmente.
         Chaimovich citou os últimos dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostram distâncias consideráveis nos números da educação do Brasil em relação aos de países do bloco.
         Para Chaimovich, no Brasil, os problemas atingem todos os níveis educacionais. No ensino superior, declarou, os números são assustadores. Isso porque em cada 10 estudantes que ingressam na universidade apenas 4 concluem os estudos, em média.
         Citou ainda dados do Anuário Brasileiro de 2012 sobre a educação básica que mostram que 35% dos adultos com idade entre 35 e 45 anos são analfabetos funcionais. “Isto é, sabem escrever seu nome, sabe fazer sua assinatura, mas não conseguem ler um jornal”.
         Nesse caso, reiterou palavras da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sobre a necessidade de fazer uma revolução no sistema educacional nacional.
         “Ou se faz uma revolução na educação, como prega a presidente da SBPC (Helena Nader), ou vamos ter mais uma geração com números medíocres na educação”.
         Por sua vez, Helena Nader, presidente da SBPC, lamentou o atual cenário da educação nacional. “No nosso País o que fizemos foi uma grande inclusão sem nenhuma qualificação”, atestou.
         Na visão dos dois especialistas, o cumprimento de forma eficaz das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) - que reúne 20 metas e estratégias para a educação nos próximos dez anos – pode reverter tal cenário nos próximos anos.
         Segundo Helena, a sociedade civil precisa acompanhar o cumprimento de todas as metas do PNE, fiscalizando cada uma. “O PNE é o que a sociedade quer, mas sem fiscalização não vai dar”, pontuou.
         Com a mesma opinião, Chaimovich disse que se o PNE for executado conforme recomendam suas 20 metas não haverá crise no sistema educacional nos próximos 20 anos.

Desafios do Brasil
         Para Helena, o governo precisa considerar a educação científica uma estratégia para o desenvolvimento do País. Ela afirma que um dos desafios do País é melhorar a qualificação dos professores de ciência da educação básica, conforme recomendam as metas 15 e 16 do PNE.
         Outro desafio é dotar as escolas públicas de laboratórios didáticos e livros de ciência, além de fazer com que os alunos do ensino médio aprendam a utilizar o método científico, mais do que absorver conhecimentos científicos. A presidente da SBPC recomenda ainda ampliar os programas de iniciação científica no ensino médio.

Divulgação científica
         Helena Nader aproveitou o momento para lamentar a perda de espaço da área de ciência, tecnologia e inovação nos principais veículos de comunicação do País, canais importantíssimos para a divulgação científica.
         Nader vê também necessidade de ampliar os investimentos em museus de ciência a fim de ampliar os espaços de divulgação científica no País.

(Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Existência do elemento químico 117 é confirmada

Colisor de partículas onde foi criado o ununséptio, na Johannes Gutenberg University Mainz, na Alemanha Divulgação / Johannes Gutenberg University Mainz


         Um elemento pesado foi confirmado por experimentos com um colisor de partículas na Alemanha e ocupará sua justa posição como Elemento 117 na Tabela Periódica, dizem físicos daquele país e dos EUA.
         De acordo com o site “Tech Times”, bombardeando amostras de berquélio radioativo (número atômico 97) com átomos de cálcio (20), pesquisadores criaram átomos com 117 prótons, originando um elemento químico 40% mais pesado que o chumbo e com meia-vida relativamente longa. O novo elemento aguarda apenas que um nome lhe seja atribuído pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada, na sigla em inglês).
         Os físicos apelidaram temporariamente o novo integrante da Tabela Periódica como “ununséptio” (Uus), alusão direta ao numeral 117, que é a soma dos 20 prótons do cálcio com os 97 do berquélio, cujo nome é uma homenagem à Universidade da Califórnia em Berkeley. O novíssimo elemento é chamado também eka-astatínio.
         Demorou 18 meses para ser confirmado o ununséptio, que foi o tempo necessário para os cientistas do Laboratório de Oak Ridge, nos EUA, conseguirem criar a quantidade de berquélio necessária para ser bombardeada com átomos de cálcio pelos pesquisadores do Centro GSI Helmholtz do Centro para Pesquisas de Íons Pesados, em Darmstadt, na Alemanha.
         Só um elemento químico é mais pesado que o ununséptio: o ununóctio (Uuo), com número atômico 118, conhecido também como eka-radônio, que é o elemento de maior massa atômica entre todos, tanto naturais quanto sintéticos.

Leia mais sobre esse assunto em:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Mutações genéticas podem impedir combate de infecções por micobactérias

Cientistas conseguiram identificar que modificações nos genes prejudicam o funcionamento do sistema de defesa do organismo

Foto: Diego Vara / Ageência RBS
Mutações genéticas podem impedir combate de infecções por micobactérias Diego Vara/Ageência RBSPesquisa feita por cientistas brasileiros, apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Instituto National da Saúde e da Pesquisa Medica (Inserm) da França está elucidando como nove diferentes mutações genéticas podem impedir o sistema imunológico de combater adequadamente infecções causadas por micobactérias (bactérias em forma de bastonetes retos ou encurvados), entre as quais a tuberculose e a hanseníase.
— Entendendo o mecanismo, conseguiremos tentar novas alternativas terapêuticas. A tuberculose é uma doença endêmica ainda muito prevalente no mundo, para cujo tratamento os medicamentos que existem são muito limitados. São antigos e limitados — disse o professor do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), e coordenador do estudo, Antonio Condino Neto.
O grupo de cientistas já conseguiu identificar que mutações nos genes prejudicam o funcionamento do sistema de defesa do organismo contra micobactérias. Algumas mutações, por exemplo, desestabilizam o sistema NADPH oxidase, responsável pela atividade microbicida dentro dos macrófagos — células com o poder de englobar e destruir corpos estranhos, como bactérias. Assim, as pessoas portadoras da mutação perdem a capacidade de combater as infecções.
— A pessoa nasce já com a mutação, uma variação genética, que torna a resposta imunológica defeituosa. Em função disso, ela tem uma maior chance de contrair infecções por micobactérias, aí no caso destacando, principalmente, a tuberculose — ressalta o professor.
Alguns dos defeitos genéticos já podem ser constatados em um exame de triagem neonatal chamado TREC. O exame é complementar ao teste do pezinho, e já está sendo implementado nos Estados Unidos, Europa, e Japão. No Brasil, os pesquisadores estão realizando o teste em um convênio com a Apae.
— A pesquisa vai continuar tanto no Brasil quanto na França com os nossos parceiros. Acho que vamos descobrir ainda muitos outros defeitos genéticos relacionados a esse tipo de problema. Espero que, com isso, nos próximos anos, consigamos pensar em um novo tipo de vacina para tuberculose e um novo tipo de tratamento — destacou o professor.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/vida/noticia/2014/03/mutacoes-geneticas-podem-impedir-combate-de-infeccoes-por-micobacterias-4442729.html

Cientistas reconstroem impacto de asteroide gigante na Terra


Colisão há 3,26 bilhões de anos faz evento catastrófico que exterminou os dinossauros parecer pequeno


Há cerca de 65 milhões de anos, a queda de um meteoro com entre cinco e dez quilômetros de diâmetro na região que hoje é a costa da Península de Yucatán, no México, lançou a Terra em um longo período de trevas e é apontada como principal responsável pela extinção dos dinossauros. Mas ao longo dos seus 4,5 bilhões de anos de história, nosso planeta foi alvo de outros impactos ainda maiores e agora, pela primeira vez, os cientistas foram capazes de reconstruir um deles.

Segundo os pesquisadores, 3,26 bilhões de anos atrás uma rocha espacial com entre 37 e 58 quilômetros atingiu o que é atualmente o Sul da África a uma velocidade de mais de 72 mil km/h, deixando para trás uma cratera de quase 500 quilômetros de largura, o equivalente à distância entre Rio e São Paulo, e provocando terremotos e tsunamis ao redor do planeta tão fortes e grandes que fazem tanto o evento catastrófico que exterminou os dinossauros quanto os maiores desastres naturais da História recente parecerem pequenos.

Mas apesar da magnitude da colisão, os cientistas tiveram que recorrer a um trabalho de "geologia forense" para reconstruí-la. Isso porque a ação da erosão e dos movimentos das placas tectônicas praticamente "apagou" todas suas marcas, assim como de outros impactos do tipo durante período da evolução da Terra entre 3 e 4 bilhões de anos atrás conhecido como "bombardeio pesado tardio". Um dos poucos sinais que restaram desta série de colisões é um cinturão de rochas verdes com cerca de 100 quilômetros de comprimento e 60 de largura na região de Barberton, entre Joanesburgo, na África do Sul, e a fronteira com a Suazilândia, em que foram encontradas algumas das pedras mais antigas do planeta e serviram de base para o estudo.

- Não podemos ir e ver os locais dos impactos, então para entender o quão grandes eles foram e quais foram seus efeitos precisamos estudar regiões como esta - explica Donald Lowe, geólogo da Universidade de Stanford, nos EUA, e um dos autores de artigo sobre a reconstrução, aceito para publicação pelo periódico "Geochemistry, Geophysics, Geosystems", editado pela União Americana de Geofísica. - Sabíamos que o asteroide tinha sido grande, mas não o quão grande.

Segundo Lowe, o impacto provavelmente exterminou boa parte dos organismos microscópicos que se acredita viviam na época, o que também possivelmente abriu caminho para a evolução de seres mais complexos, assim como o desaparecimento dos dinossauros legou a Terra aos mamíferos, como os seres humanos.

- Estamos tentando entender as forças que moldaram nosso planeta bem cedo durante sua evolução e, assim, os ambientes onde a vida também evoluiu - considera.

(Cesar Baima / O Globo)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Revistas como a Nature, Cell e Science são prejudiciais à Ciência


Artigo de Randy Schekman, ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2013, publicado pelo Jornal The Guardian, afirma que os incentivos oferecidos pelas principais revistas distorcem a ciência, assim como os grandes bônus distorcem o sistema bancário.

Traduzido por Murilo Sérgio da Silva Julião
           Sou um cientista e o meu objetivo profissional é obter grandes coisas para a humanidade. Porém, isto pode ser desfigurado por meio de incentivos inadequados. As estruturas predominantes de reputação pessoal e progressão profissional nos levam às maiores recompensas, muitas vezes acompanhadas de trabalhos rápidos, mas não os melhores. Os que seguem estes incentivos estão sendo inteiramente racionais – tenho seguido a mim mesmo – mas nem sempre estão servindo aos melhores interesses de nossa profissão, muito menos aos da humanidade e da sociedade.
          Sabemos como os incentivos distorceram os sistemas financeiro e bancário Os incentivos ofertados aos cientistas não são bônus enormes, porém recompensas profissionais são sempre destinadas aqueles cientistas que publicam em revistas de prestígio – principalmente a Nature, Cell e a Science.
          Essas revistas de luxo supostamente são a epítome da qualidade, pois publicam apenas as melhores pesquisas. Por conta disto, as agências de financiamento de pesquisas frequentemente levam em consideração as revistas onde foram publicadas as pesquisas como um parâmetro para avaliar a qualidade da ciência, logo se o cientista publicar sua pesquisa numa destas revistas, certamente obterá mais subsídios e alçará mais degraus na carreira. Porém a reputação das grandes revistas é só uma justificativa parcial. Enquanto essas revistas publicam muitos artigos excelentes, não publicam somente artigos excelentes. Nem são as únicas publicações para pesquisas de excelência.
          A curadoria dessas revistas atua de modo agressivo, pois propicia à maior vendagem de assinaturas do que o estímulo às pesquisas mais importantes. Como os estilistas que criam bolsas ou roupas de edição limitada, pois sabem que a escassez alimenta a demanda, de modo que artificialmente restringem o número de artigos aceitos. As marcas exclusivas são então comercializadas com um truque chamado "fator de impacto" – uma pontuação para cada revista, que mede o número de vezes que seus trabalhos são citados por pesquisas posteriores. Melhores artigos, diz a teoria, são citados com mais frequência, por isso as melhores revistas possuem as maiores pontuações. Ainda assim, é uma medida profundamente falha, perseguindo o que tornou-se um fim em si mesmo – e é tão prejudicial para a ciência como a cultura do bônus para o setor bancário.
          Isto é comum e incentivado por muitas revistas, para a pesquisa ser julgada pelo fator de impacto do periódico do que publicá-lo. Mas, como a pontuação de uma revista é uma média, este parâmetro não diz muito sobre a qualidade de qualquer pedaço individual da pesquisa. Além disso, a citação é, por vezes, mas nem sempre, ligada à qualidade. Um artigo pode se tornar altamente citado porque divulgou bons resultados sob o ponto de vista da ciência – ou porque é atraente, provocante ou errado. Os editores de revistas de luxo sabem disso, por isso aceitam artigos que possam explorar temas sensuais ou fazer reivindicações desafiadoras. Isso influencia a ciência que os cientistas fazem. Esses editores constroem verdadeiras bolhas nos campos da moda, pois do mesmo modo que incentivam os pesquisadores a fazer afirmações ousadas nessas revistas querem ao mesmo tempo desencorajar outros trabalhos importantes, como os estudos de replicação.
          Em casos extremos, a atração por uma revista de luxo pode incentivar correções mais rígidas e contribuir para o número crescente de artigos retraídos por serem falhos ou fraudulentos. A Science só recentemente retraiu artigos de alto nível que reportaram clonagem de embriões humanos, ligações entre lixo e violência e os perfis genéticos de pessoas centenárias. Talvez pior do que não ter retraído sobre as alegações de que um micróbio é capaz de usar arsênio em seu DNA em vez de fósforo, apesar das críticas da esmagadora maioria da comunidade científica.
          Há uma maneira melhor de corrigir isto, através da nova geração de revistas de acesso aberto que são livres para qualquer um ler, e não têm assinaturas caras para promover. Nascidas na web, essas revistas podem aceitar todos os artigos que cumprirem as normas de qualidade, sem limites artificiais. Muitas delas são editadas por cientistas em atividade, que podem avaliar o valor dos artigos sem levar em conta as citações. Como a eLife, uma revista de acesso aberto, que faço a editoria, financiada pelo Wellcome Trust, na qual os Institutos de Medicina Howard Hughes e a Sociedade Max Planck estão publicando ciência de nível mundial a cada semana.
          As agências financiadoras e universidades também têm um papel a desempenhar, pois devem esclarecer às comissões, que decidem sobre auxílios financeiros e cargos de chefia, para não julgar artigos com base somente nas revistas onde foram publicados. O importante é a qualidade da pesquisa, e não a marca da revista. O mais importante de tudo é que nós, cientistas, precisamos ter mais atitude. Tal como muitos pesquisadores de sucesso, já publiquei em revistas de marca, inclusive o artigo que me fez ser agraciado com o prêmio Nobel de medicina. Mas não publico mais. Já comprometi o meu laboratório para evitar revistas de luxo e incentivo os outros a fazerem o mesmo.
          Assim como Wall Street precisa quebrar a influência da cultura dos bônus, o que leva a assumir riscos que podem ser racionais para os indivíduos, mas prejudiciais para o sistema financeiro, de modo que a Ciência deve quebrar a tirania das revistas de luxo. Os resultados serão melhores pesquisas que servem melhor à ciência e à sociedade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Cinco Apostas da Ciência para os Próximos Anos



IBM faz lista do que mudará no mundo até 2018, a empresa costuma acertar nas previsões. Confira!

       A IBM lançou ontem sua tradicional lista "Five to Five", em que enumera cinco previsões do que podem ocorrer no próximos cinco anos. Nas edições anteriores, a gigante da informática acertou ao apontar, por exemplo, o desenvolvimento da telemedicina e da nanotecnologia, a tradução simultânea no computador por reconhecimento de voz e a implantação de tecnologias 3D. Agora, a empresa aposta em um mundo cada vez mais individualista.

1. Na sala de aula
       Cena comum: um aluno faz cara de paisagem enquanto o professor explica o Teorema de Pitágoras, enquanto outro colega anota tudo atenciosamente. No futuro, porém, as aulas serão individualizadas.
       A computação cognitiva ajudará escolas e universidades a calcularem como cada estudante aprende - e, assim, elas criarão um sistema que permitirá um ensino mais flexível.

2. Na medicina
       Em vez de um estetoscópico, o médico levará o DNA do paciente no bolso de seu jaleco. Parece ficção, mas a iniciativa já está desenvolvida pela empresa 23andMe. Logo os doutores terão à disposição os elos fracos da cadeia genética de seus pacientes.
       "Hoje em dia, as provas de DNA que ajudariam na tomada de decisões para um tratamento são escassas", diz a IBM. "Mas a tecnologia permitirá novas informações, e o acesso a elas será mais rápido e barato". A identificação de doenças por estas novas medidas também permitirá a criação de tratamentos personalizados.

3. Na internet
       Chega de hackers e de preocupações com roubo ou perda de senhas. Uma polícia online identificará qualquer atuação estranha em seus acessos. Os primeiros passos já foram dados. A Google, por exemplo, alerta os usuários do Gmail quando seu e-mail é aberto em um local diferente do normal - um outro país, por exemplo.
       A internet, assim, vai identificar quais são os sites normalmente visitados por cada um de nós, protegendo-nos de fraudes – se permitirmos, ressalta a IBM.

4. Na rua
       O tema "cidade inteligente" é recorrente, mas ainda vai avançar. O smartphone será o instrumento básico para mover-se por aí. "Saberemos de tudo que está acontecendo", revela a IBM. "Devido à interação contínua do sistema cognitivo com os cidadãos, é possível saber o que cada um de nós gosta e, assim, receberemos opções mais adequadas".
       Mudam-se, assim, os costumes. Fatores como a chuva, o horário e o congestionamento podem fazer o smartphone nos avisar se é necessário sair de casa dez minutos antes do normal.

5. Nas compras
       Nada desaparece, mas tudo muda – inclusive a lojinha da esquina. Voltaremos a ela, desta vez conectados a internet. Assim saberemos as ofertas do dia e o varejista conhecerá nossas preferências.
       "Será a fusão do que há de melhor na loja física - tocar e vestir um produto – com a riqueza de informações - as ofertas instantâneas e o gosto do consumidor, que hoje vemos com mais facilidade na internet.

(O Globo)