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domingo, 28 de junho de 2015

Química verde



Veja o vídeo produzido pela equipe da Pesquisa Fapesp, 
que mostra como uma nova tecnologia para 
processamento de minérios chamada de 
nanohidrometalurgia magnética (NHM), desenvolvida na 
USP, poderá tornar a mineração, sobretudo de cobre,  
mais eficiente e menos danosa ao meio ambiente 


domingo, 8 de setembro de 2013

Pesquisadores criam biossensor para detectar pesticida



Princípio básico de sensor biológico para identificar pesticida altamente tóxico em água e alimentos também deu origem a um teste rápido de dengue (IFSC/USP)

21/08/2013
Por Elton Alisson
 Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), criaram um sensor biológico (biossensor) que detecta em minutos, na água, no solo e em alimentos, a presença de um pesticida altamente tóxico que está sendo banido no Brasil, mas que ainda é usado em diversas lavouras no país: o metamidofós.
            Desenvolvido no âmbito do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica (INEO) – um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo –, o sensor pode ser adaptado para detecção de outros tipos de pesticidas, afirmam os pesquisadores. O princípio básico do dispositivo também deu origem a um possível novo teste rápido para detecção de infecção pelo vírus da dengue.
            “Escolhemos o metamidofós para ser detectado pelo sensor porque, apesar de já ter sido banido em diversos países, há indícios do uso desse pesticida, extremamente tóxico, sobretudo no Estado do Mato Grosso”, disse Nirton Cristi Silva Vieira, pós-doutorando no IFSC e um dos orientadores do projeto do biossensor de pesticida e do teste rápido de dengue, à Agência FAPESP.
            Vieira conta que o metamidofós é utilizado principalmente em lavouras de soja para matar lagartas e percevejos que atacam a oleaginosa. O pesticida penetra facilmente o solo e os lençóis freáticos e, ao contaminar a água e os alimentos, atua no sistema nervoso central dos seres vivos, inibindo a ação da acetilcolinesterase – enzima que promove as ligações (sinapses) dos neurônios.
            Nos humanos, além de ser prejudicial para as funções neurológicas, o metamidofós também pode causar danos nos sistemas imunológico, reprodutor e endócrino e levar à morte.
Em conjunto com Francisco Eduardo Gontijo Guimarães, professor do IFSC e orientador de sua pesquisa de doutorado, Vieira orientou Izabela Gutierrez de Arruda, durante o seu mestrado na UFMT, a desenvolver um teste rápido e portátil para detectar a presença de metamidofós utilizando a própria enzima acetilcolinesterase.
            Para isso, os pesquisadores desenvolveram um sensor de pH, que mede prótons (íons H+), constituído por uma lâmina de vidro – composta por camadas de óxido de silício em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro) –, na qual a acetilcolinesterase é imobilizada, mantendo alta atividade.
            Ao colocar o sensor em uma solução – como extrato de soja ou de tomate – contendo pequenas concentrações de metamidofós –, a atividade da acetilcolinesterase é inibida e a enzima produz menos prótons do que produziria se não estivesse na presença do pesticida.
            Essa diferença da quantidade de prótons produzidos pela enzima presente no sensor, quando exposta a diferentes concentrações do pesticida, é medida por meio de um pequeno aparelho, também desenvolvido pelos pesquisadores, no qual a película sensora é introduzida.
            Semelhante a um medidor de glicose utilizado por diabéticos, o aparelho indica o nível de atividade da enzima e, consequentemente, o índice de contaminação por metamidofós da amostra analisada, com base em padrões de tensão medidos pelos pesquisadores com diferentes concentrações de acetilcolina – substância que atua como neurotransmissor e com a qual o pesticida se assemelha muito.
            “À medida que introduzimos o sensor em soluções com diferentes concentrações de pesticida, a atividade da acetilcolinesterase (medida em termos de diferença de potencial) variava e conseguimos quantificá-la”, explicou Vieira.

Outras aplicações
            De acordo com Vieira, o sensor pode ser adaptado para detectar outras categorias de pesticidas das classes dos carbamatos e dos organofosforados – à qual pertence o metamidofós –, que também inibem a ação da acetilcolinesterase.
            Para isso, no entanto, seria preciso medir a atividade da enzima em diferentes concentrações de cada pesticida especificamente, de modo que o sinal de um não mascare o do outro.
            “O padrão de sinal elétrico em outras categorias de pesticidas pode variar, porque o mecanismo de inibição da ação da acetilcolinesterase para cada um deles é diferente. Por isso, seria preciso recalibrar o sensor para também poder detectá-los”, disse Vieira.
            Segundo o pesquisador, o biossensor já despertou o interesse de fabricação e comercialização de uma empresa de biotecnologia de Minas Gerais. O custo estimado do aparelho – incluindo o sensor e o medidor – deverá ser entre R$ 100 e R$ 200 a unidade.
            O componente que mais encarece o produto hoje, segundo os pesquisadores, é a acetilcolinesterase. Para tentar substituí-la, eles iniciarão nos próximos meses um processo com o intuito de tentar obter de frutas – como o abacate e a banana – um outro tipo de enzima com propriedades semelhantes às da acetilcolinesterase.
            “Compramos hoje a enzima purificada, que é bem cara. A ideia é obter de frutas o extrato bruto de uma enzima com atividade semelhante à da acetilcolinesterase para ser utilizada em medições de concentrações de pesticidas”, disse Vieira.
            Atualmente, de acordo com os pesquisadores, as análises de contaminação por pesticidas no Estado de Mato Grosso são enviadas para São Paulo ou Rio de Janeiro e levam dias para serem processadas.
            Por meio do biossensor, será possível diminuir o custo e tempo de obtenção dos resultados para poucos minutos, ressaltam os pesquisadores. “Para analisar amostra de solo contaminado, por exemplo, basta misturá-lo com água para decantar a terra, deixar o sensor imerso por 15 minutos na solução contendo o pesticida dissolvido e colocá-lo no medidor para obter o índice de contaminação”, exemplificou Vieira.
            A ideia do desenvolvimento do sensor – surgida durante um encontro entre os pesquisadores do IFSC com colegas da UFMT no INEO – resultou na primeira patente depositada pela universidade mato-grossense nos 40 anos de existência da instituição.
            “Em uma das reuniões anuais do INEO entramos em contato com um grupo pesquisadores da UFMT que tinha a ideia de desenvolver um sensor de pesticida pelo fato de Mato Grosso ser o Estado que mais produz grãos no país atualmente e se usar muito metamidofós nas lavouras”, contou Guimarães.
            “Na época, Vieira estava pesquisando exatamente sobre biossensores e decidimos iniciar uma colaboração com o grupo da UFMT – liderado pelo professor Romildo Jerônimo Ramos – para desenvolver esse biossensor de pesticida”, disse.

Detecção da dengue
            Em seu atual pós-doutorado, Vieira pretende desenvolver biossensores que, em vez de enzimas, como a usada no biossensor de metamidofós, utilizem anticorpos para detecção de proteínas marcadoras de contaminação pelo vírus da dengue e de início de infarto agudo do miocárdio.
            Em parceria com uma empresa brasileira de biotecnologia, Vieira desenvolveu – com a estudante de mestrado no IFSC Alessandra Figueiredo e o professor Guimarães – um sistema que detecta a proteína NS1 secretada pelo vírus da dengue nos primeiros dias de infecção. “Essa proteína marca a presença do vírus da dengue e, consequentemente, o início da infecção”, disse.
            De acordo com ele, a maioria dos sensores existentes hoje voltados a detectar a infecção pelo vírus da dengue faz isso de forma indireta, por meio de um anticorpo imobilizado que se liga à proteína NS1 e necessita de um anticorpo secundário, geralmente marcado com outras moléculas.
            Com base no mesmo princípio do biossensor para detecção de metamidofós, os pesquisadores desenvolveram um sensor que promete detectar de forma direta e com maior precisão a proteína NS1. “O sensor para detecção de infecção da dengue está em processo de patenteamento. Nós ainda não chegamos a um produto final”, disse Vieira.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A lâmpada que não queima!


Entrevista com Benito Muros publicada no Outer Space/Portal Terra com informações do El Economista
            A bateria de um celular morre em dois anos, um computador em quatro, a geladeira está tendo problemas em oito anos e de repente, em um belo dia, a televisão lhe diz adeus.

            "Não há nada a se fazer além de comprar outra". É possível fazer produtos que durem mais do que isso? Quem sabe a vida toda? Benito Muros da SOP (Sem Obsolescência Programada), diz que é possível. Por isso está ameaçado de morte.

            O conceito de obsolescência programada surgiu entre 1920 e 1930 com a intenção de criar um novo modelo de mercado, que visava a fabricação de produtos com curta durabilidade de maneira premeditada obrigando os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real.

            As lâmpadas e a luta de Benito Muros respondem a um novo conceito empresarial, baseado em desenvolver produtos que não caduquem, como aquelas geladeiras Frigidaire ou máquinas de lavar Westinghouse que duravam a vida toda.

            Uma filosofia empresarial mais conforme com nossos tempos, graças à comercialização de produtos que não estejam programados para ter uma vida curta, senão que respeitem o meio ambiente e que não gerem resíduos que, por vezes, acabam desembocando em containers de lixo no terceiro mundo.

 

Leia a entrevista onde ele fala sobre seu projeto:

            Trata-se de um movimento que denuncia a Obsolescência Programada. Lutamos para que as coisas durem o que tenham que durar, porém os fabricantes de produtos eletrônicos os programam para que durem um tempo determinado e obrigam os usuários a comprar outros novos. A lei permite!

            O consumo de nossa sociedade está baseado em produtos com data de validade. Mudar isso suporia mudar nosso modelo de produção e optar por um sistema mais sustentável. Os fabricantes devem ser conscientes de que as crises de endividamento como a que vivemos são inevitáveis e que podemos deter o crime ecológico.

(Repórter: A lavadora de minha mãe durou 35 anos)

            E agora aos seis já dá problemas. Também, antes havia umas meias de náilon irrompíveis.

            Deixaram de fabricar, por isso, porque duravam demais.

            Mas hoje, por exemplo temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore (California). Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida.

(Repórter: Não queima nunca?)

            Nunca! Dura mais de cem anos, porém como não veremos, oferecemos uma garantia de 25 anos.

(Repórter: Não se vê isto nos grandes armazéns.)

            Não, porque as distribuidoras nos dizem que vivem das que se queimam. Inclusive recebemos ofertas de milhares de dólares para tira-la do mercado.

(Repórter: E quanto custa sua lâmpada?)

            Pode ser comprada online por uns 37 euros. Aos fabricantes não lhes interessa.

(Repórter: Um gênio ou um louco?)

            Nem um nem outro. Somente buscamos uma sociedade mais justa. Ainda que isto signifique estar ameaçado de morte. A lâmpada criada pela OEP Electrics responde à necessidade atual de um compromisso com o meio ambiente. Ao durar tanto tempo, não gera resíduos ao mesmo tempo em que permite uma poupança energética de até 92% e emite até 70% a menos de CO2.

            Mas, ao que parece, a indústria de produtos elétricos não está muito contente com a descoberta. Benito Muros diz que está sendo ameaçado devido a seu invento e inclusive afirma ter recebido ofertas milionárias para retirar seu produto do mercado.

            - "Senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados", reza a denúncia que Muros apresentou à Polícia, que apesar do medo não se acovardou.

            Para realizar sua pesquisa, Muros viajou até o parque de bombeiros de Livermore (Califórnia), lugar no qual há uma lâmpada que permanece acesa de forma ininterrupta há mais de 111 anos. Ali contatou com descendentes e conhecidos dos criadores da lâmpada, já que não existia documentação a respeito.

            Com esta informação conseguiu as bases para começar sua pesquisa, cujo achado supõe um novo conceito de modelo empresarial baseado na não Obsolescência Programada.

            Uma pequena lista das vantagens prometidas por Benito Muros e OEP Electrics:

- Gasta 92% menos eletricidade que uma lâmpada incandescente, 85% em relação às alógenas e 70% em relação às fluorescentes.

- Garante 25 anos funcionando 24 horas por dia, 365 dias por ano.

- Não se queima no caso de acender e pagar várias vezes. A empresa OEP Electrics garante 10.000 (Dez mil) comutações (acender e apagar) diárias.

- Ela acende na hora. Não precisa esperar ela esquentar.

- Não emite ultravioleta e nem infravermelho (Evitando problemas de pele e nos olhos)

- Não faz zumbido.

- Consegue iluminar em temperaturas de até 45 graus abaixo de zero.

- Não contém tungstênio e nem mercúrio. Não possui metais pesados que demoram para desintegrar. São recicláveis e seguem todas as normas ambientais.

- Emite 70% a menos de CO2.

- Por ter mais tempo de vida, produz menos resíduos para a natureza.

- Praticamente não esquenta utilizando somente aquela energia que será necessária para iluminar, ao contrário das lâmpadas convencionais que gastam 95% da energia para produzir calor e 5% para iluminar.

- Por não esquentar e não produzir radiação evita deteriorar os materiais que estão perto.

- Evitam risco de incêndio.

- Não prejudicam o frio dentro de câmaras frigorificas.

(Outer Space / Portal Terra com informações do El Economista)

terça-feira, 16 de abril de 2013

SiBBr Recebe Informações Sobre Bancos de Dados de Biodiversidade

Imagen da Internet 

Termina hoje o prazo para instituições e centros de pesquisa enviarem seus dados para o levantamento nacional

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) recebe até segunda-feira (15) informações sobre os bancos de dados de biodiversidade das diversas instituições e centros de pesquisa. O levantamento busca identificar como a informação está apresentada e armazenada nessas entidades e qual a infraestrutura de informática existente nos potenciais parceiros da iniciativa.

A consulta abrange coleções biológicas, herbários, listas de espécies e catálogos, entre outros acervos. Consiste em dois questionários - um focado mais nas informações sobre o conteúdo desses bancos, e outro para conhecer as soluções de tecnologia da informação (TI) usadas pela instituição.

O objetivo é o aperfeiçoamento do SiBBr de modo a permitir que seja capaz de integrar dados de diversas fontes. Além disso, o conhecimento detalhado de cada instituição possibilita uma estratégia de articulação entre elas.

O SiBBr integrará bancos de dados sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros, subsidiando pesquisas científicas e a formulação de políticas públicas. É um projeto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e apoio financeiro do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), responsáveis pelo desenvolvimento e pela hospedagem do SiBBr, são os principais parceiros do projeto.

(Ascom do MCTI, com informações do Pnuma)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pesquisadores de Harvard armazenam 704 TB em um grama de DNA


Descoberta pode ser capaz de guardar todas as informações sobre a humanidade durante períodos de tempo que passam dos 400 mil anos.




Um time de cientistas de Harvard liderados por George Church conseguiu usar filamentos de DNA como um meio para armazenar dados. Para isso, eles atribuíram um valor binário a cada uma das bases (A, C, G, T), criando uma sequência genética que em seguida foi sintetizada em um chip microfluídico que faz correspondências entre elas e um banco de dados com informações relevantes.
A técnica é capaz de armazenar cerca de 96-bits em um único filamento de DNA, algo que não parece muito impressionante em um primeiro momento. Porém, quando se leva em consideração que a técnica permite guardar nada menos que 704 TB em um volume de um milímetro cúbico (com peso aproximado de um grama), a descoberta surge como um forte concorrente aos discos rígidos e memórias SSD.

Armazenando todas as experiências humanas


Uma das principais vantagens da novidade é o fato de que o DNA não precisa de condições especiais para armazenar informações. “Você pode deixá-lo em qualquer lugar que desejar, seja no meio do deserto ou em seu quintal, e ele vai estar lá 400 mil anos depois”, afirma Church.
Pesquisadores de Harvard armazenam 704 TB em um grama de DNA 


Como escrever e ler os dados armazenados nos filamentos se mostra um processo mais lento do que aquele que ocorre em outras mídias, a invenção é voltada a armazenar grandes quantidades de dados que não precisam ser consultados rapidamente — quase como uma biblioteca ou uma sala imensa repleta de pastas com documentos.
O problema do método fica pelo fato de que não é possível utilizar células vivas no processo, já que os filamentos de DNA presentes nelas se destroem de maneira rápida demais. Isso forçou os pesquisadores a investir em microchips contendo os filamentos necessários para o processo, o pode significar a possibilidade de guardar em um espaço mínimo toda a soma das experiências registradas em toda a história humana.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Computadores vão se Comparar a Mente Humana no Ano de 2029


Em coisa de 50 anos, a humanidade será completamente diferente do que sempre foi. Máquinas menores que a espessura de um fio de cabelo ajudarão a manter a saúde no interior do corpo e participarão da atividade cerebral, tornando mundos virtuais tão realistas para os sentidos quanto o mundo verdadeiro. E a imortalidade estará ao nosso alcance. 

Maluquice? Pode ser. Mas o maior proponente dessas ideias certamente não é maluco. Um dos inventores mais brilhantes das últimas décadas, o americano Ray Kurzweil é um importante impulsor da inteligência artificial há mais de 30 anos. Entre suas criações estão sistemas de reconhecimento de caracteres e de voz. 

Aos que torcem o nariz para a sua futurologia, Kurzweil lembra que, usando o mesmo raciocínio, ele foi capaz de prever a explosão mundial da internet quando ela se resumia a 2.000 cientistas usuários, na década de 1980. Ele prevê alguns avanços notáveis que podem servir de balizas para o seu poder de previsão. O inventor sugere, por exemplo, que um computador poderá exibir comportamento que imite de forma indistinguível um ser humano em 2029. 

Confira a seguir trechos da entrevista que ele concedeu à Folha durante sua última passagem por São Paulo, durante o evento de gestão Fórum HSM. 

O inventor norte-americano Ray Kurzweil se apresenta emevento em Nova Déli, Índia.

Folha - O sr. fala do aumento exponencial da tecnologia, mas há quem já fique irritado de ter de comprar um iPhone novo todo ano. O próprio perfil de consumo não vai frear o ritmo de avanço tecnológico?
Ray Kurzweil - Isso não vai acontecer, porque a tecnologia está evoluindo para se adaptar ao ser humano. Quando eu era jovem, computadores eram só para engenheiros e técnicos. Hoje, a interface está cada vez mais simples e intuitiva. Hoje, as pessoas conhecem faixas muito estreitas do conhecimento, mas temos nossas ferramentas computadorizadas para encontrar as informações de que precisamos. Então, já estamos expandindo nossas mentes por essas ferramentas. No fim das contas, elas vão parar dentro do nosso corpo e do nosso cérebro. 

Como o sr. vê o percurso futuro da tecnologia, uma vez que mesmo eventos como guerras mundiais ou recessões econômicas fortes parecem ser incapazes de frear seu avanço? Há um limite?
Os limites definitivos, que vêm das leis da física, na verdade não são muito limitadores. Podemos expandir nossa inteligência trilhões de vezes antes de alcançar esse limiar. Agora, o que pode parar tudo é um derretimento existencial da civilização. Isso não é impossível. Nós temos armas atômicas em número suficiente para fazer isso.

E quanto ao risco representado por novas tecnologias?
Eu escrevi muito sobre o risco existencial vindo da genética, da nanotecnologia e da robótica. Eu não acho que a solução certa seria banir essas tecnologias. Primeiro, estaríamos nos privando dos benefícios. Ainda há muito sofrimento no mundo. Não acho que queremos dizer aos pacientes de câncer, "bem, estamos muito próximos de reprogramar a biologia e eliminar o câncer, mas vamos cancelar tudo isso por causa do risco de bioterrorismo". 

Em segundo lugar, seria preciso um sistema totalitário para impor um banimento em biotecnologia. 
Mais importante, contudo, isso não funcionaria. Só empurraríamos essas tecnologias para o submundo, onde as únicas pessoas que teriam acesso a elas seriam os criminosos.

Cientistas responsáveis, com quem contaríamos para nos proteger, não teriam acesso às ferramentas para fazer isso.

Embora sua visão seja extremamente otimista quanto ao avanço da medicina, temos um sistema de desenvolvimento e aprovação de novos medicamentos que consome muitos anos. Isso não impedirá a evolução acelerada?
Eu acho que há problemas com a regulação. Mas não acho que seja um problema com a FDA [agência que regula remédios nos EUA] e com as agências reguladoras de outros países, e sim com as expectativas públicas e a ideia do juramento de Hipócrates, que eu acho errada. Ele diz: "em primeiro lugar, não faça mal". Se você quer não fazer mal, demita todos os médicos e feche todos os hospitais, porque então você nunca faria mal nenhum. Sempre que você tenta ajudar as pessoas, há uma possibilidade de fazer mal a elas. 

Sim, mas a ideia é ser cauteloso...

Não é um jogo de risco zero, você tem de considerar o risco da doença. E isso não recebe igual atenção na regulamentação. Se houver uma pequena chance de prejudicar o paciente, isso vai segurar o processo, mesmo que haja uma chance enorme de ajudar o paciente. 

O sr. tem defendido que o desenvolvimento de máquinas capazes de pensar passa por usar o cérebro humano como modelo, e o sr. também fala de superinteligência, muito superior à do cérebro humano. Entretanto, temos exemplos de supercapacidades em humanos, como os savants, que têm memória e habilidades prodigiosas, mas, em compensação, apresentam um sério deficit em outras áreas da cognição. Será que não há aí uma barreira intransponível para a superinteligência?
O cérebro humano tem limitações. Faz certas coisas muito bem, e só podemos nos beneficiar aprendendo como funciona e então evitando algumas de suas limitações. Uma delas diz respeito à capacidade. Estimo que haja cerca de 300 milhões de reconhecedores de padrões no neocórtex. É isso que pode caber lá, biologicamente, por causa da arquitetura do crânio. 

Uma vez que possamos criar um córtex artificial que funcione do mesmo modo, não existe razão pela qual o limitemos em 300 milhões, porque não teremos essa limitação física. Você pode ir para 1 bilhão, 1 trilhão... 

Mas como saber que vai funcionar? Talvez haja uma limitação inerente à arquitetura do sistema. Não há como saber se ele continuará operando se você aumentar a escala ou se simplesmente haverá uma sobrecarga.

Você obviamente terá de tentar construir [esse supercérebro] para saber se ele funciona. Até agora funciona bem. Ainda não estamos no nível humano de inteligência. Mas, quando os computadores aprendem a fazer alguma coisa, conseguem fazê-la muito bem, na verdade melhor que os humanos. 
Temos muito caminho a percorrer, mas não acho que estejamos muito longe. A data que eu sugiro é 2029, quando os computadores estarão no nível dos humanos. 

E quanto à diferença entre inteligência e consciência? O sr. acha que máquinas serão capazes de fazer esse salto de autopercepção?
Bem, é uma questão filosófica. Algumas pessoas acham que a consciência é pensar sobre pensar; se você pode descrever seu processo de pensamento, isso é consciência. Minha posição é de que algumas teorias a esse respeito soam científicas, mas não são. Não são diferentes da crença religiosa de que há um ser supremo que atribui consciência a certas coisas, como humanos. Minha conclusão: você não pode evitar saltos de fé. 

A aceleração da tecnologia leva, numa expressão que o sr. tomou emprestado da física, a uma singularidade -uma realidade imprevisível que não podemos ver agora porque está escondida de nós da mesma forma que um buraco negro. Queria levar essa metáfora um pouco mais adiante. Se eu fosse um viajante espacial e passasse perto de uma singularidade, faria tudo para evitá-la. Nós devemos evitar a singularidade tecnológica?
É uma ótima pergunta. Eu acho que estamos sendo puxados para ela e não podemos evitá-la. Nós temos inteligência suficiente para falar de como seria cair numa singularidade. Nós não necessariamente perceberíamos que cruzamos o horizonte dos eventos. Acho que é a mesma coisa aqui. 

O mais difícil de encarar é a noção de uma IA (inteligência artificial) não amigável, que seria mais inteligente que nós e defenderia valores que não reconhecemos em nosso sistema moral.

Acho que o melhor jeito de nos defendermos disso é enfatizar os valores que respeitamos em nossa sociedade hoje, valores como democracia, tolerância, apreciação pelo próximo, liberdade de expressão e por aí vai. 

O mundo do futuro não virá de um único laboratório. Ele emergirá do mundo de hoje. Se praticarmos esses valores agora, temos a melhor chance de refleti-lo no mundo do futuro. Não é uma estratégia infalível. Mas acho que é o melhor que podemos fazer.

Mas como os nossos valores vão ser transferidos às máquinas?
Bem, acho que nossas máquinas estão tremendamente integradas à nossa sociedade. Elas não estão isoladas em algum laboratório. Há 6 bilhões de celulares, 1 bilhão de smartphones, uma criança na África tem mais poder na sua mão que o presidente dos Estados Unidos tinha 15 anos atrás, em termos de acesso ao conhecimento e à informação. Indivíduos, jovens, têm o poder de mudar o mundo. Não é uma abstração. E as máquinas não estão lá fora com sua própria cultura. Nós já somos uma civilização homem-máquina.




Fonte: Salvador Nogueira, Folha de São Paulo de 03.10.1951

domingo, 30 de setembro de 2012

Bicho-da-seda Transgênico Produz "Teia do Homem-Aranha".


Genética da seda

Uma equipe internacional de pesquisadores criou bichos-da-seda geneticamente modificados para produzir fios com uma resistência similar aos fios das teias de aranha. Segundo os cientistas da Universidade de Wyoming, os resultados do experimento podem levar ao desenvolvimento de materiais revolucionários para a medicina e engenharia, já que a seda produzida pelas aranhas é mais resistente que o aço. Tentativas anteriores de criar aranhas para a produção comercial de sua seda fracassaram porque os aracnídeos não produzem quantidades suficientes e têm tendência a comer uns aos outros. Bichos-da-seda, por seu lado, podem ser criados em cativeiro facilmente e produzem grandes quantidades de seda, mas o material é mais frágil. A solução foi unir o melhor de cada um dos animais por meio da engenharia genética.

 Teia em volume industrial

Pesquisadores vêm tentando há anos chegar à produção de seda super-resistente em quantidades industriais, através da inserção de genes das aranhas nos bichos-da-seda, mas os animais geneticamente modificados não haviam produzido seda suficiente até agora. O estudo da equipe liderada por Don Jarvis gera um composto de seda de aranha e de bicho-da-seda - tão forte como as teias dos aracnídeos - em vastas quantidades. Os primeiros resultados da pesquisa surgiram em 2010, quando a equipe conseguiu criar os primeiros bichos-da-seda transgênicos capazes de produzir teia de aranha artificial.
Agora eles conseguiram ampliar essa produção a um nível passível de exploração comercial. 

Medicina e plásticos

Para o professor Christopher Holland, da Universidade de Oxford, a pesquisa pode tornar mais viável a produção de seda fortalecida em escala comercial. "Essencialmente, o que este estudo mostra é que os cientistas foram capazes de usar um componente da seda de aranha e fazer com que bichos-da-seda o transformassem em uma fibra juntamente com sua própria seda. Eles também provaram que este composto, que contém partes da seda de aranha e da seda do próprio bicho-da-seda, tem propriedades mecânicas melhoradas", explicou ele. Na área médica, o novo material poderia ser usado para criar suturas, implantes e ligamentos mais fortes. A seda de aranha geneticamente modificada também poderia ser usada como um substituto mais sustentável para os plásticos duros, que usam muita energia em sua produção. 

Agradecimento: Bióloga Carliane Ribeiro

Bibliografia:
 Silkworms transformed with chimeric silkworm/spider silk genes spin composite silk fibers with improved mechanical properties Florence Teulé, Yun-Gen Miao, Bong-Hee Sohn, Young-Soo Kim, J. Joe Hull, Malcolm J. Fraser, Jr, Randolph V. Lewis, Donald L. Jarvis Proceedings of the National Academy of Sciences January 3, 2012 Vol.: Published ahead of print DOI: 10.1073/pnas.1109420109

Ligação Avançada: Cabo de Fibra Ótica Ligará Fortaleza a Luanda.


Técnicos da Telebrás e da Angola Cable concluem em duas semanas os estudos do cabo submarino de fibra óptica de seis mil quilômetros que ligará Fortaleza e Luanda.

Em muitos países, a disseminação da fibra óptica nas redes de telecomunicações é fator estratégico para o desenvolvimento econômico e social. O Brasil já conta com mais de 350 mil km de fibra, principalmente nos backbones, a espinha dorsal das redes das operadoras. Mas, sem uma política pública definida e longe de dispor de uma meta para opticalização de sua infraestrutura de telecomunicações, o país precisa correr para alcançar os resultados de nações como Japão e Coreia, que em 2010 atingiram a meta de cobertura de fibra óptica em 95% dos domicílios.

A Comissão Europeia estabeleceu a "Agenda Digital para a Europa" com as metas de que, até 2020, todos os europeus tenham acesso à internet com velocidades acima de 30 Mbps e que pelo menos 50% dos lares sejam atendidos com velocidades acima de 100 Mbps.

Segundo dados do FTTX Council, havia 74,7 milhões de acessos residenciais (FTTH/B) no mundo em 2011, sendo 54,3 milhões na Ásia, 9,7 milhões nos Estados Unidos/Canadá, 5,7 milhões na Rússia e países vizinhos, 4,5 milhões na Europa e 0,52 milhões no Oriente Médio.

"Ainda temos o desafio da opticalização. Nosso objetivo é expandir os grandes backbones nacionais, que hoje atingem apenas duas mil cidades, para 95% dos municípios até 2022, dentro do que o ministro Paulo Bernardo vem chamando de PNBL 2.0. Mas, no caso do acesso, ainda não chegamos a um desenho nem a uma meta", explica Artur Coimbra Oliveira, diretor do departamento de banda larga do Ministério das Comunicações.

Criado em 2010, o Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) tem por objetivo ampliar a infraestrutura e os serviços de telecomunicações, promovendo o acesso com melhores condições de preço, cobertura e qualidade. Mas a meta sempre foi acanhada: permitir o acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014 à velocidade de, no mínimo, 1 Mbps.

"O objetivo do PNBL 1 foi massificar o acesso, e isso está sendo feito por meio da redução de custo e do aumento da competição. No PNBL 2.0, vamos focar o aumento da velocidade com a meta de acesso mínimo de 5 Mbps, podendo chegar a 100 Mbps até 2022", assegura Oliveira. Para Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa, a fibra óptica vai avançar no País quando houver um benefício econômico para as operadoras. "Sem isso, vamos levar 30 anos para ter o País coberto por fibra", afirma.

O mercado aguardava com expectativa a Lei 12.715 que cria o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações. Mas o artigo 34, que previa a possibilidade de projetos estratégicos gerarem créditos no Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), foi vetado pela presidente Dilma Rousseff. "Mas o regime especial prevê incentivos fiscais de PIS e Cofins para expansão e modernização de redes, desde que os projetos sejam executados com tecnologia nacional", diz Oliveira.

Para Eduardo Levy, diretor-executivo da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), qualquer desoneração é bem-vinda, mas ele adverte que as operadoras terão de submeter projetos e é possível que a contrapartida de investimentos obrigatórios seja maior do que os benefícios tributários que vão receber.

Os projetos não se restringem ao território nacional. Empresas brasileiras e estrangeiras já firmaram contratos para investir na instalação de cabos submarinos que vão ampliar a conexão do Brasil com outros países.

A fibra óptica é um filamento de vidro ou materiais poliméricos. A partir de equipamentos emissores a LED ou a laser, os sinais elétricos de dados e imagens são convertidos em pulsos de luz, que são transmitidos pela fibra. Na ponta, ficam os equipamentos eletrônicos de tecnologia WDM/DWDM (Wavelength-Division Multiplexing / Dense Wavelength Division Multiplexing), que transformam as informações de vários comprimentos de onda em um único pulso de luz, chegando a taxas de transmissão de 1,6 Terabits/s em um único par de fibras.

Desde a privatização, as operadoras brasileiras avançaram na opticalização de suas redes de transporte e praticamente todos os grandes backbones já são de fibra. O passo seguinte é a implementação de fibra no backhaul, redes metropolitanas que vão do backbone até os pontos de distribuição do tráfego. Praticamente todas as grandes cidades já têm redes metropolitanas em fibra. A última fronteira é levar o meio óptico ao acesso, correspondente à última milha da rede, que vai da central até os domicílios.

Cabos submarinos - Técnicos da Telebrás e da Angola Cable concluem em duas semanas os estudos do cabo submarino de fibra óptica de seis mil quilômetros que ligará Fortaleza e Luanda. A previsão é que as obras comecem em dois meses e estejam prontas até 2014. A capacidade e custo do projeto serão definidos no edital de licitação internacional para a realização do empreendimento.

A parceria é parte da estratégia da Telebrás de ter uma rede de cabos submarinos ligando o Brasil à África, Europa e Estados Unidos. A empresa trabalha para lançar cinco cabos submarinos - quatro internacionais e um em território brasileiro. Serão 24 mil quilômetros de rede a um custo estimado de R$ 1,8 bilhão.

"Muitos desses projetos visam a Copa do Mundo. Se não forem viabilizados, será preciso sobrecarregar a rede que já existe. Se acontecerem, folga para todo mundo", diz Sebastião Nascimento, gerente de projetos especiais da Telebrás.

A Claro, subsidiária do grupo mexicano América Móvil, constrói com a Embratel um cabo submarino com 17.500 quilômetros que vai ligar o Brasil e os Estados Unidos. A Oi também tem plano de lançar novas redes internacionais de fibra óptica além da extensão até a Colômbia do GlobeNet que liga Tuckerton, em Nova Jersey, e Boca Raton, na Flórida, a Fortaleza e Rio de Janeiro, no Brasil, St. David, nas Bermudas, e Maiquetía, na Venezuela. Outros grupos, como Seaborn Networks, EFive e Wasace Cable Company também têm projetos de novos cabos submarinos com passagem pelo Brasil. "A necessidade de banda para conexão à internet praticamente dobra a cada ano", diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações.

O projeto da Telebrás é estratégico para garantir ao país autonomia na comunicação internacional por meio de uma conexão de alta velocidade e qualidade. Hoje, 46% do tráfego de internet do Brasil vem de fora do País e 90% faz escala nos Estados Unidos. As novas rotas diretas também permitirão o barateamento dos custos de internet.

Hoje, o tráfego entre a Europa e a América Latina é 600 vezes menor do que com a América do Norte por falta de infraestrutura. A rede de novos cabos submarinos aumentará a capacidade do tráfego de informações do País, que hoje é de 1,8 Terabytes por segundo, para 32 Tbps. Apenas 500 Gigabytes por segundo são acessados via redes internacionais pelos cabos submarinos existentes.

A Telebrás também já firmou acordo com espanhola IslaLink para a execução de ações conjuntas que viabilizem a construção do cabo submarino entre América do Sul e Europa com passagem por Cabo Verde, na África. O cabo com saída para os Estados Unidos e chegada em Miami, Jacksonville ou Virgínia, passará pelo Caribe e conectará o Brasil à Colômbia e Venezuela. O projeto para o Cone Sul fará a ligação do Brasil com Argentina e Uruguai.

O investimento da Claro no cabo submarino AMX, com capacidade de 500 Gbps, será de US$ 1 bilhão. O traçado sai de Salvador, passa pelo Rio de Janeiro e Fortaleza até chegar a Miami. A previsão da operadora é concluir o projeto no primeiro trimestre do ano que vem. O grupo América Móvil integra um consórcio com operadores internacionais que já controla dois cabos submarinos: o Atlantis-II e o Americas-II, que ligam o Brasil aos Estados Unidos. "Este cabo submarino permitirá suportar o crescimento de tráfego previsto para os próximos anos", diz a operadora no Plano de Melhoria dos Serviços entregue à Anatel em agosto.

A Seaborn Networks planeja o Seabras-I, entre Nova York e São Paulo. O grupo sulafricano EFive já anunciou a construção do South Atlantic Express (SAEx), para ligar a África do Sul ao Brasil e aos Estados Unidos. A Wasace Cable Company está desenvolvendo uma série de três sistemas, dois dos quais se conectam à América Latina: o Wasace Américas e o Wasace África, integrando África do Sul, Angola, Brasil e Estados Unidos. Grupos de investimento sulafricanos também já propuseram um cabo chamado BRICs desde Vladivostok, na Rússia, a Fortaleza, no Brasil, com passagem por China, Índia, Ilhas Maurício, África do Sul e Cingapura.

O primeiro cabo submarino do Brasil, parte da primeira linha telegráfica do país, foi inaugurado em 1857, tinha 50 quilômetros, 15 debaixo d'água, e ia da Praia da Saúde, no Rio de Janeiro, a Petrópolis. Hoje, sete sistemas fazem a conexão internacional do país. Eles somam quase 100 mil quilômetros. O Americas-II, que entrou em operação em 2000, liga o Brasil de Fortaleza à Guiana Francesa, Trinidad e Tobago, Venezuela, Curaçao, Martinica, Porto Rico e Estados Unidos. Tem 9 mil quilômetros de extensão, quatro pares de fibras óticas e capacidade de transmissão de 80 Gbps. O Americas-I, que segue o mesmo traçado, foi inaugurado em 1994.

O Atlantis-II tem 12 mil quilômetros. Liga o Brasil à América do Sul, EUA, Europa e África. Pertence a um consórcio internacional formado por 25 empresas, entre elas a Embratel, custou US$ 370 milhões e tem capacidade de 20 Gbps com previsão para atingir 40 Gbps. Pelo Atlantis-II o Brasil integra uma rede digital que conecta os cinco continentes e é composta por 73 sistemas de cabos de fibras ópticas com 385 mil Km de extensão.
(Valor Econômico)

sábado, 9 de junho de 2012

COMUNIDADE CIENTÍFICA PARTICIPARÁ DE EVENTOS SOBRE POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA RIO 20

A SBPC estará presente na rodada de atividades científicas que será promovida no Armazém 4 do Pier Mauá, área nobre de eventos e shows do Rio de Janeiro, que será transformado em um armazém científico, durante a conferência Rio 20 - de 13 a 22 de junho. Batizado de “Armazém Pop Ciência na Rio 20”, o evento contará com as mais variadas, dinâmicas e interessantes atividades sobre ciência e tecnologia.

A SBPC estará presente promovendo palestras, oficinas com jogos sobre a biodiversidade e sobre a Rio 20, além de lançamento de livros. Estima-se que mais de 30 instituições de ensino e pesquisa participarão do Armazém Pop Ciência na Rio 20.

Com entrada gratuita, o espaço vai oferecer, por exemplo, a “Exposição Biomas do Brasil” que permite uma jornada sensorial pelos biomas nacionais. Em uma área de 2000 m², cenários e módulos interativos proporcionam uma imersão nos mais diversos ambientes naturais do País.

Na ocasião, o público, também, poderá interagir com a “A Árvore da Vida” que será alimentada com frases, mensagens e desenhos de crianças, jovens e o público em geral. A ideia é que esse público alimente a “Árvore da Vida” com mensagens posteriormente encaminhadas aos dirigentes de todos os países e que serão difundidas, pela internet, para todo o Planeta.

Essas e outras exposições sobre biodiversidade e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável farão parte da programação cientifica que será alocada no espaço Armazém em todos os dias da Rio 20.

Haverá também palestras, oficinas, feiras, experimentos, exibição de vídeos e outras atividades, realizadas por cientistas e especialistas, relacionadas aos temas da Rio 20, como biodiversidade, química para um mundo sustentável, mudanças climáticas, economia verde, tecnologias sociais, energias alternativas etc.

Além da SBPC, estarão presentes no Armazém Pop Ciência instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Museu de Astronomia e Ciências Afins. A lista é seguida pela Secretaria Especial de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro, pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro e Fundação CECIERJ. Além dessas, participarão também a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, o Museu da Vida/Fiocruz, o Colégio Pedro II e a Casa da Ciência da UFRJ.

Na lista constam o Instituto Nacional de Tecnologia; Rede Brasileira de Jardins Botânicos, a Fundação Xuxa Meneghel e a Ciência Hoje das Crianças. Além do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Museu de Zoologia da USP; Instituto Brasileiro de Museus e a Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro.

Local: Armazém 4 do Píer Mauá, Zona Portuária, Avenida Rodrigues Alves, s/n°, Centro – Rio de Janeiro.
Data: 13 a 22 de junho
Horário: 9 às 18 hs.

Veja a lista completa das atividades das instituições no site: www.popciencia.org.br