sábado, 30 de setembro de 2017

Cortes na Ciência ameaçam o futuro do Brasil, dizem ganhadores do Nobel


Carta enviada a Temer traz assinatura de 23 ganhadores do prêmio; mesmo argumento está em outro texto, enviado por 250 pesquisadores da área de Matemática
Herton Escobar, O Estado de S.Paulo, 30 de Setembro de 2017.


         Os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia “comprometem seriamente o futuro do Brasil” e precisam ser revistos “antes que seja tarde demais”, segundo um grupo de 23 ganhadores do Prêmio Nobel, que enviou nesta sexta-feira, 29, uma carta ao presidente Michel Temer, recomendando mudanças na postura do governo com relação ao setor.
  

Marcha. Pesquisadores protestam contra corte de verbas  Foto: Felipe Rau/Estadão.

         O documento, enviado por e-mail ao gabinete da Presidência, faz referência ao corte de 44% no Orçamento deste ano do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), assim como à perspectiva de um novo corte em 2018 - que deverá ser da ordem de 15%, caso o Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado pelo governo ao Congresso seja aprovado como está.
         “Isso danificará o Brasil por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa internacionalmente reconhecidos e uma fuga de cérebros que afetará os melhores jovens cientistas” do País, escrevem os pesquisadores.
         A carta, à qual o Estado teve acesso com exclusividade, é assinada pelo físico francês Claude Cohen-Tannoudji e outros 22 laureados com o Prêmio Nobel nas áreas de Física, Química e Medicina. “Sabemos que a situação econômica do Brasil é muito difícil, mas urgimos o senhor a reconsiderar sua decisão antes que seja tarde demais”, conclui a carta.

Repercussão

         “É uma iniciativa que mostra a importância da ciência brasileira e a gravidade da situação”, disse o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, que também recebeu uma cópia da carta. A Presidência da República foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até às 21 horas.
         “A situação é trágica, não há outra palavra para descrevê-la”, disse ao Estado o pesquisador David Gross, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, vencedor do Nobel de Física em 2004 e também signatário da carta. Ele prevê que muitos jovens pesquisadores brasileiros vão desistir da carreira científica ou migrar para outros países, mais favoráveis à ciência. “Eles vão embora e não voltarão”, alertou. “É uma política estúpida, autodestrutiva”, completou Gross, referindo-se aos cortes horizontais aplicados pelo governo em todas as áreas, sem definição de prioridades.
         A ciência, de acordo com ele, é uma área que precisa de investimentos consistentes e de longo prazo para produzir resultados que são essenciais para qualquer sociedade moderna. “Não é algo que você liga e desliga sem ter consequências graves.”
         A carta dos laureados reproduz argumentos que vem sendo usados exaustivamente pela comunidade científica brasileira nos últimos anos. Em uma carta enviada à Presidência da República no início da semana, mais de 250 pesquisadores da área de Matemática pedem também a Temer que reconsidere os cortes orçamentários do setor.
         “À fria luz dos fatos e além de qualquer partidarismo, repudiamos os repetidos e substanciais cortes de verba que sabotam o potencial transformador da ciência brasileira”, diz o documento. Entre os signatários está o matemático Artur Ávila, ganhador da Medalha Fields, considerada o Prêmio Nobel da Matemática.

Cortes

         O orçamento deste ano do MCTIC é o menor de todos os tempos, com cerca de R$ 3,2 bilhões disponíveis (depois do contingenciamento de 44% no início do ano) para o financiamento de pesquisas e pagamentos de bolsas em todo o País. Isso equivale a um terço do que o ministério tinha quatro anos atrás (antes de ser unificado com a pasta de Comunicações), e a proposta inicial do governo para 2018 é reduzir esse valor ainda mais, para R$ 2,7 bilhões.

Signatários

Nobel de Medicina
Harold Varmus (1989)
Jules Hoffman (2011)
Tim Hunt (2001)
Torsten Wiesel (1981) 
Nobel de Química
Martin Chalfie (2008)
Johann Deisenhofer (1988)
Robert Huber (1988)
Ada Yonath (2009)
Dan Shechtmann (2011)
Venkatraman Ramakrishnan (2009)
Jean-Marie Lehn (1987)
Yuan Lee (1986) 
Nobel de Física
Albert Fert (2007)
David Gross (2004)
Serge Haroche (2012)
Claude Cohen-Tannoudji (1977)
Andre Geim (2010)
Robert Laughlin (1998)
Frederic Haldane (2016)
Klaus von Klitzing (1985)
Arthur McDonald (2015)
Takaaki Kajita (2015)
Jerome Friedman (1990)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Segue a panaceia da fosfoetanolamina, agora como suplemento alimentar

            Recente apreensão feita pela Polícia Federal mostra que as pessoas ainda acreditam na chamada "pílula do câncer". No final de agosto a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 1,4 mil frascos de fosfoetanolamina que estavam sendo transportados ilegalmente para o Paraguai. O produto é oficialmente vendido pela internet para consumidores brasileiros como "suplemento alimentar", mas as pessoas ainda o compram por acreditarem que cura o câncer.

Professor Luiz Carlos Dias (IQ-Unicamp): "Nós, cientistas, precisamos ser mais intolerantes com o que nos parece errado. A fosfoetanolamina virou um caso de enorme gravidade no país! Todos os resultados divulgados pelo grupo de trabalho montado pelo então Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para esclarecer a questão, aliados aos resultados dos testes em humanos realizados pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), mostraram que a substância não tem nenhuma atividade anticâncer. A ciência séria, conduzida com ética e respeito deu uma resposta extraordinária para a sociedade brasileira!”

            A polêmica da fosfoetanolamina – que vem sendo usada como remédio para câncer há cerca de duas décadas sem aval científico nem fiscalização sanitária – tomou corpo há cerca de dois anos e chegou ao auge quando a presidente Dilma Rousseff sancionou lei que permitia seu uso – posteriormente derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.
            "Sancionar esta lei é uma decisão insensata e sem fundamento. A substância não passou pelos ensaios clínicos exigidos pela legislação. Em vez disso, foi impulsionada pelo entusiasmo de parte da população, que acredita que a pílula seja capaz de curar todos os tipos de câncer - algo inviável do ponto de vista científico e médico", afirmou na época o então presidente da SBQ, professor Adriano D. Andricopulo, pesquisador com amplo trabalho na área de fármacos.
            A comunidade científica reagiu, o produto foi analisado a pedido do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação pelo Laboratório de Química Orgânica Sintética do IQ-Unicamp, coordenado pelo professor Luiz Carlos Dias, no âmbito do INCT-INOFAR. "Acreditávamos que havia apenas fosfoetanolamina no grau de pureza informado pelo grupo do IQSC-USP. Para nossa surpresa encontramos fosfoetanolamina, mas não como descrita pelo fabricante, e mais quatro substâncias que não deveriam estar lá", descreveu Dias, naquela oportunidade.
            Em maio de 2016 o governo paulista anunciou investimento de dois milhões de reais em testes clínicos realizados pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Estes testes foram recentemente encerrados depois de constatarem a ineficácia da fosfoetanolamina como fármaco contra o câncer. E nessa época algumas empresas começaram a vendê-la como suplemento alimentar.
            O presidente da SBQ, professor Aldo Zarbin (UFPR) manifestou sua preocupação com o fato. "Apoiamos sem restrições o relatório dos cientistas escolhidos pelo MCTI para analisar o caso. E o relatório é muito claro: não há nenhum indício, nenhum dado científico, de que a fosfoetanolamina tem efeito positivo no tratamento contra o câncer. E mais, a fosfoetanolamina que vem sendo comercializada não é pura. Obviamente a SBQ é absolutamente contra a comercialização de uma substância impura e ineficaz".
            O professor Luiz Carlos Dias (IQ-Unicamp) é um dos principais químicos na área de síntese orgânica e química medicinal do Brasil, especialista em pesquisas que visam o desenvolvimento de novos fármacos e medicamentos. Fez pós-doutorado em Harvard, orientou mais de 90 alunos de iniciação científica, pós-graduação e pós-docs, e ministrou 167 conferências no Brasil e no exterior. Pesquisador 1A do CNPq, autor de 105 trabalhos com mais de 2.700 citações, ele teve seu laboratório credenciado pela Organização Mundial da Saúde como referência na síntese de compostos para o tratamento da doença de Chagas. Tem colaborações internacionais para o desenvolvimento de novos medicamentos para tratamento de doenças parasitárias tropicais negligenciadas e teve trabalhos em destaque de capa nas principais revistas de síntese orgânica e química medicinal.
            Na semana passada, por alertar as pessoas sobre o perigo de comprar fosfoetanolamina sintética como suplemento alimentar, o professor Luiz Carlos Dias sofreu ataques nas redes sociais por parte de um comerciante de fosfoetanolamina.
            O professor da Unicamp conhece bem as cápsulas de fosfoetanolamina. Ele analisou e caracterizou o conteúdo das pílulas produzidas no final de 2015, provenientes do IQSC-USP, sintetizou os diferentes componentes das cápsulas em sua forma pura e analisou o contéudo de duas das marcas que agora estão sendo vendidas como suplemento alimentar pela internet.
            Leia depoimento do Professor Luiz Carlos Dias sobre o caso:
            Nós, cientistas, precisamos ser mais intolerantes com o que nos parece errado. A fosfoetanolamina virou um caso de enorme gravidade no país! Todos os resultados divulgados pelo grupo de trabalho montado pelo então Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para esclarecer a questão (http://www.mcti.gov.br/relatorios-fosfoetanolamina), aliados aos resultados dos testes em humanos realizados pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), mostraram que a substância não tem nenhuma atividade anticâncer (http://ciencia.usp.br/index.php/2017/03/31/fosfoetanolamina-nao-e-eficiente-contra-o-cancer-em-pessoas/). A fosfoetanolamina não cura nenhum tipo de câncer. O grupo de trabalho montado pelo MCTI mostrou que as cápsulas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos (IQSC-USP) eram muito impuras e uma pequena atividade anticâncer foi observada apenas contra melanoma, mas cerca de 3000 vezes menor que a do antitumoral cisplatina. E esta atividade marginal foi observada para uma impureza presente nas cápsulas do IQSC-USP, a monoetanolamina, não para a fosfoetanolamina. Nós testamos em nosso laboratório na UNICAMP, no âmbito do INCT-INOFAR, tanto as cápsulas provenientes do IQSC-USP como cada um dos compostos da mistura, preparados em sua forma isolada e pura. O ICESP também testou em humanos a fosfoetanolamina preparada no laboratório PDT-PHARMA pelo grupo de São Carlos. Na fase de testes clínicos, o ICESP observou alguma pequena melhora em apenas um paciente, de um grupo de 72 pessoas, exatamente para melanoma, que pode inclusive ser devido a efeito placebo ou como resultado de tratamento anterior com quimioterapia. A ciência séria, conduzida com ética e respeito deu uma resposta extraordinária para a sociedade brasileira! Estava provado que a fosfoetanolamina como cura do câncer era uma invenção.
            Quando o MCTI começou a divulgar os resultados dos estudos realizados pelo grupo de trabalho montado pelo MCTI, nós fomos acusados pelo Prof. Gilberto Orivaldo Chierice e seus colegas defensores da fosfoetanolamina, em várias ocasiões, inclusive no plenário do Senado Federal, uma casa do povo brasileiro, de subornar (sic) resultados, de deturpar a fórmula criada por eles, de agir de má-fé e de adicionar bário na fosfoetanolamina deles.
Parte 1:
(Fosfoetanolamina – pesquisadores denunciam no senado fosfo falsificada pelo MCTI)
Parte 2 (continuação):
(Criador da fosfoetanolamina contesta grupo de trabalho do governo: suborno de dados é má-fé)

            Fomos acusados, dentre outras coisas, de usar uma síntese que não era a deles, de usar uma síntese em que adicionávamos bário, o que é um completo absurdo. O bário está sim presente, mas apenas nas cápsulas do IQSC-USP, não na que sintetizamos na UNICAMP. Infelizmente nós não fomos convidados a estar presentes nesta sessão no Senado Federal e não nos foi dada a oportunidade de defesa ou teríamos comparecido, por razões óbvias.
            Em maio de 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) organizou um seminário público em sua sede no Rio de Janeiro, convidando o grupo de trabalho do MCTI e os criadores da fosfoetanolamina para discutir frente a frente os resultados, mas embora tenhamos ido ao seminário, os criadores da fosfoetanolamina não compareceram.
1. https://www.youtube.com/watch?v=q6Es2vn3IAw (Seminário sobre Fosfoetanolamina - Manhã)
2. https://www.youtube.com/watch?v=fIP_cesJlnY (Seminário sobre Fosfoetanolamina – Tarde)

            Em uma de suas falas no Plenário do Senado Federal, o Dr. Marcos Vinícius de Almeida, do grupo do Prof. Chierice, após sugestão do então Ministro Celso Pansera, de lançar a fosfoetanolamina como suplemento alimentar (em minha opinião, também de forma equivocada), afirmou que lançar como suplemento seria "patifaria". Contudo, após a divulgação dos resultados em humanos pelo ICESP e a comprovação de que a fosfoetanolamina não cura câncer, eles perceberam que lançar como suplemento alimentar seria a alternativa comercialmente viável para o seu produto. Assim, o Dr. Marcos e o Dr. Ricardo Meneguelo aparentemente romperam com o Prof. Chierice e decidiram lançar a fosfoetanolamina como suplemento alimentar, nos Estados Unidos (USA). Eles passaram a produzir o suplemento de fosfoetanolamina no laboratório Federico Diaz, no Uruguai e a comercializar pela Quality Elements, em Miami. Como já havia um suplemento alimentar contendo fosfoetanolamina nos Estados Unidos, vendido pela New Life e que seria, portanto, um forte concorrente deles, foi feito um enorme trabalho de publicidade a fim de associar a fosfoetanolamina da Quality Elements à cura do câncer e a ANVISA suspendeu a propaganda enganosa proibindo a comercialização de fosfoetanolamina no Brasil.

            Há poucos dias, mais uma quadrilha foi pega, agora em Cascavel, no Paraná, vendendo cápsulas do suplemento contendo fosfoetanolamina, da marca New Life, concorrente da marca Quality Elements. Este suplemento da New Life é o Phospho 2-AEP, suplemento à base de zinco, que, segundo o site da empresa, contém cálcio e magnésio, além da fosfoetanolamina. Este suplemento foi e está sendo atacado por Marcos Vinícius, Renato Meneguelo e todos os que defendem a fosfoetanolamina da equipe do Prof. Gilberto Chierice. Isto dá para ter uma boa idéia do caso, complicadíssimo! Eles dizem que este suplemento e outros à base de fosfoetanolamina são falsificados e apenas o suplemento produzido pela Quality Elements e preparado com o aval deles é o confiável!
            Nós não temos informações se estes frascos de suplemento pegos pela PRF em Cascavel são procedentes dos USA, o que configura contrabando internacional, ou se estão sendo produzidos e falsificados aqui no Brasil (http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/prf-apreende-14-mil-frascos-de-medicamento-estudado-para-o-tratamento-do-cancer.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar).
            Nós adquirimos no nosso laboratório em Campinas cápsulas de fosfoetanolamina vendidas como suplemento alimentar de dois fornecedores americanos, Cardan Wellness e Quality Elements e fizemos análise independente. Por estes frascos analisados, é possível afirmar que ambas tem os mesmos componentes das cápsulas do IQSC-USP em diferentes proporções e até mais impurezas que as contidas nas cápsulas produzidas originalmente no IQSC-USP. Se você conhece alguém que usa estes produtos, avise para parar, pois os mesmos contém impurezas de outras naturezas além das anteriormente detectadas na fosfoetanolamina produzida pelo grupo de São Carlos, que já era muito impura. Eu convidei o Dr. Marcos Vinicius de Almeida, que me ofendeu publicamente após minha postagem a respeito do assunto em meu perfil no Facebook a vir ao meu laboratório trazendo frascos lacrados de seu suplemento, que eu teria o prazer em analisar e elaborar um laudo oficial. Até o momento não tive qualquer resposta.
            Os ativistas pró-fosfoetanolamina acreditam que tanto a Globo, o Dr. Paulo Hoff, o Dr. Dráuzio Varella e o grupo montado pelo MCTI, onde me incluo, somos todos corrompidos pelas grandes indústrias farmacêuticas. Mas ao que parece, felizmente muitos deles estão mudando de opinião. Hoje eu estou sendo procurado por pessoas que acreditavam no grupo do Prof. Chierice e criticavam minha postura contra a fosfoetanolamina. Há grupos no facebook, inclusive com mais de 20.000 membros que, no passado, acreditavam no Professor Gilberto Chierice e sua equipe. Há entidades que amparam pacientes com câncer e hoje percebem os "enganos" cometidos pelo grupo ligado ao Prof. Chierice. Hoje, vários grupos já não acreditam mais na promessa de cura do câncer e estão solicitando minha ajuda para testar a qualidade e os componentes das cápsulas destes suplementos. Segundo relatos pessoais desses grupos, alguns destes suplementos reforçam o sistema imunológico para ajudar o próprio organismo a lutar contra a doença. Muitos deles sabem que a fosfoetanolamina não cura nenhum tipo de câncer. Mas há os que acreditam. Aparentemente, alguns destes suplementos tem ajudado muitas pessoas que fazem quimioterapia, que parecem não sentir com tanta intensidade os efeitos colaterais adversos e parecem ser um bom adjuvante à quimioterapia. Segundo relatos destes mesmos grupos, o mesmo não é observado com outros suplementos à base de fosfoetanolamina, que parecem enfraquecer ainda mais os pacientes e piorar o quadro de câncer, embora obviamente todos estes relatos precisem de comprovação científica. Mas dá para se ter uma boa idéia do caso, complicadíssimo! Como eu vejo: Há muitos grupos e ativistas com diferentes objetivos. Alguns podem ter boas intenções, mas muitos outros tem interesses escusos. Há os que defendem a fosfoetanolamina do IQSC-USP, outros a da PDT-PHARMA, outros que defendem cada um dos diferentes suplementos contendo fosfoetanolamina. É possível perceber que uns atacam os outros. Embora de forma disfarçada, todos vendem os suplementos com a promessa de cura do câncer ou do alívio dos sintomas. Alguns tem claramente interesses financeiros e tem muita gente lucrando com a dor, o desespero e a falta de informação dos pacientes com câncer. No meio desta fogueira de vaidades estão os pacientes com câncer e seus familiares. Um caos!
            Parece também que a fosfoetanolamina produzida no laboratório PDT-PHARMA em Cravinhos está sendo vendida e fornecida para atender liminares obtidas por pacientes na justiça:
            Muita gente pode estar lucrando no atendimento às liminares e creio que isto deva ser investigado pelas autoridades competentes. Inclusive, relatos de grupos que antes eram pró-fosfoetanolamina do grupo do Prof. Chierice dão conta que a fosfoetanolamina produzida no PDT-PHARMA é muito impura, contém a mesma quantidade de bário detectada nos testes feitos em meu laboratório e está prejudicando pessoas que, inadvertidamente, continuam acreditando nesta história. Acreditamos que isso merece uma investigação cuidadosa!
            Como muito bem resumiu o jornalista Carlos Orsi, esta história envergonhou a ciência brasileira, mas infelizmente parece longe de acabar (http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/fosfoetanolamina-ocaso-que-envergonhou-a-ciencia-brasileira-d5wnxh6h28oop2z9b3xsg6v3w).

Luiz Carlos Dias
Prof. Titular – IQ-UNICAMP



Nota da Editora: No final de 2015, a convite do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e em colaboração com o Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (LASSBio), do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, coordenado pelo Prof. Eliezer Barreiro, o Prof. Luiz Carlos Dias, analisou, no Laboratório de Química Orgânica Sintética do IQ- UNICAMP (LQOS), os componentes químicos das cápsulas de fosfoetanolamina (FOS) oriundas do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP). A iniciativa envolveu ainda a realização de testes in vitro e in vivo no Centro de Inovação de Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP), instituto privado localizado em Florianópolis, coordenado por João Batista Calixto, ex-professor titular aposentado de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e no Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM-UFC), coordenado pelo médico Manoel Odorico de Moraes, professor da UFC. Os cerca de 20 relatórios técnico-científicos gerados pelo Grupo de Trabalho montado pelo MCTI estão divulgados no site especial criado pelo MCTI, dedicado a fosfoetanolamina: http://www.mcti.gov.br/fosfoetanolamina e http://www.mcti.gov.br/relatorios-fosfoetanolamina. O resumo do relatório técnico científico sobre os testes químicos realizados com as cásulas da "pílula do câncer" pode ser acessado em: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2016/n2350.php.

Texto: Mario Henrique Viana (Assessor de Imprensa da SBQ)


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Biossensores na medicina


Portáteis e precisos, dispositivos pretendem aprimorar diagnóstico de doenças infecciosas e genéticas
     
Avanços recentes no campo da biologia molecular estão ampliando as possibilidades de uso de biossensores no diagnóstico e na prevenção de doenças. Desenvolvidos com base em elementos de reconhecimento biológico, como antígenos e anticorpos, esses dispositivos podem se tornar aparelhos portáteis e baratos, semelhantes aos utilizados na medição das taxas de glicose no sangue.
    Amplamente usados em outros países, os biossensores atraem cada vez mais a atenção de grupos de pesquisa brasileiros, que nos últimos anos passaram a investir em dispositivos voltados especificamente para a detecção de doenças infecciosas negligenciadas, associadas à pobreza e à falta de saneamento básico.
       É o caso dos pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP). Desde 2010 eles trabalham no desenvolvimento de um conjunto de sensores capazes de identificar sinais de doenças diversas. Caso se mostrem eficazes nos próximos estágios de avaliação, esses aparelhos podem se tornar uma alternativa aos exames realizados em laboratórios de análises clínicas e ser usados em consultórios médicos ou por agentes de saúde em visitas às residências de pessoas que vivem em regiões remotas do País.
     Nos Estados Unidos, os biossensores há algum tempo estão sendo usados por médicos para acelerar os resultados de exames ou no monitoramento das condições de saúde de indivíduos acometidos por doenças como Aids e hepatite C. Em outras situações, ajudam a medir os níveis de oxigênio ou álcool no sangue, como no caso de um biossensor flexível criado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego.
  Também os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) daquele país investem em pesquisas para a concepção de biossensores médicos baseados em sistemas diversos, seja de atração química, correntes elétricas, detecção de luz, entre outros.
 No IFSC-USP, um dos biossensores médicos em estágio mais avançado de desenvolvimento é o de diagnóstico da dengue, doença que acomete 390 milhões de pessoas no mundo por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O dispositivo baseia-se na identificação elétrica da proteína NS1, secretada pelo vírus na corrente sanguínea nos primeiros dias após a infecção. Essa proteína, um antígeno, induz uma resposta imune no organismo humano para produzir anticorpos contra ela. O problema é que isso acontece somente após o quinto dia, o que dificulta a detecção precoce da doença.
  Para acelerar esse processo, os físicos Nirton Cristi e Alessandra Figueiredo, sob coordenação do engenheiro de materiais Valtencir Zucolotto e do físico Francisco Guimarães, desenvolveram um sistema de diagnóstico da dengue com base na imunoglobulina IgY, anticorpo que combate a NS1.
   A IgY foi isolada de galinhas inoculadas com NS1 e, em seguida, imobilizada em um eletrodo de ouro acoplado a um circuito, sobre o qual há um fluxo constante de elétrons. A ideia é que o exame seja feito por meio de uma gota de sangue sobre o dispositivo. Se houver infecção, ao entrar em contato com a NS1, a imunoglobulina IgY altera o fluxo de elétrons, produzindo um sinal que é registrado e processado por um software. O resultado sai em até 20 minutos.
            “Quanto maior a concentração de NS1 no eletrodo, mais intensa será a alteração do potencial elétrico”, explica Nirton, hoje professor no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em São José dos Campos. O projeto foi desenvolvido com a empresa DNApta Biotecnologia, de São José do Rio Preto, que compartilha os direitos da patente da tecnologia.
            Por meio de uma abordagem distinta, a professora Maria Rita Sierakowski e o doutorando Cleverton Luiz Pirich, do grupo BioPol da Universidade Federal do Paraná (UFPR), criaram um biodispositivo de detecção da NS1 baseado em uma microbalança de quartzo com sensores piezoelétricos, capazes de gerar corrente elétrica quando deformados por uma pressão mecânica.
   O sistema foi desenvolvido em colaboração com o Instituto de Química da USP. É composto por um cristal de quartzo, um eletrodo de ouro revestido com polietilenimina e nanofilmes de nanocristais de celulose bacteriana, modificados para reagir quimicamente ao entrar em contato com a NS1, alterando os padrões de frequência e dissipação de energia nos nanocristais. “Desse modo, quando uma amostra de soro contendo NS1 é colocada sobre o biossensor, é possível verificar, a partir de um software, se a proteína se ligou à superfície do material por meio da detecção de microvibrações mecânicas”, explica Maria Rita.
   O biossensor para diagnóstico de dengue integra uma série de outros dispositivos criados pelos pesquisadores de São Carlos. Todos baseiam-se em sistemas eletroquímicos que alteram padrões de sinais elétricos ao detectarem eventos biológicos específicos.

Leia a reportagem em http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/08/18/biossensores-na-medicina/?cat=tecnologia.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Artigos adormecidos

Para estudar o processo científico e aperfeiçoar sistemas de avaliação, pesquisadores analisam papers inovadores que têm reconhecimento tardio.

BRUNO DE PIERRO Pesquisa FAPESP, n. 256, junho 2017.

        

           Pesquisadores que acompanham a produção científica de sua área sabem que bons papers nem sempre têm repercussão instantânea. Não chega a ser incomum que ideias inovadoras demorem um pouco para ter sua importância assimilada – vencedores do prêmio Nobel, com frequência, são premiados por contribuições feitas há muitos anos, às vezes décadas –, assim como acontece de surgirem aplicações baseadas em conceitos já conhecidos, que ganham relevância extemporânea. Especialistas da área de cientometria, ramo que estuda aspectos quantitativos da produção do conhecimento, apelidaram de “belas adormecidas” os artigos que despertam interesse anos ou até décadas depois de terem sido divulgados. E passaram a estudá-los como expressões do fenômeno do reconhecimento tardio da produção científica.

            Um caso famoso e extremo foi o do virologista norte-americano Francis Peyton Rous, que em 1911 publicou um artigo demonstrando que alguns tipos de câncer de pele observado em aves eram causados por vírus de RNA, os retrovírus. A importância do trabalho só se tornou visível em 1951, depois que um vírus da leucemia foi isolado, definindo o início da associação entre infecções causadas por esses organismos e o câncer. Em 1966, Rous foi agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina. Episódios semelhantes foram analisados em estudos que buscam compreender a natureza dos artigos adormecidos e identificar quais fatores contribuem para despertá-los.

            Para o físico Anthony Van Raan, pesquisador da Universidade de Leiden, na Holanda, é preciso ter em mente que os artigos adormecidos com potencial de provocar mudanças de paradigma são bastante raros, o que torna a identificação deles uma tarefa complicada. “Em sua enorme maioria, artigos que passam despercebidos continuarão assim para sempre simplesmente porque não são interessantes”, comenta Raan, que cunhou pela primeira vez o termo “belas adormecidas” (sleeping beauties) para se referir a papers que tardaram a ser reconhecidos e a ter impacto. Seus trabalhos mais recentes buscam identificar os “príncipes” responsáveis por quebrar o encanto e deflagrar o interesse por esses artigos.

            Em artigo publicado em fevereiro na revista Scientometrics, Raan mostrou que, na área de física, 16% dos artigos adormecidos indexados ao Web of Science foram despertados quando mencionados em patentes. Observou também que o intervalo de tempo entre o ano de publicação de um artigo adormecido e sua primeira citação em uma patente diminuiu a partir do início da década de 1990. “Isso pode significar que artigos adormecidos com importância tecnológica, talvez invenções potenciais, estão sendo descobertos cada vez mais cedo”, sugere Raan. Segundo ele, é comum que bons artigos que possam passar despercebidos apresentem conceitos ou tecnologias que estão à frente de seu tempo. Em 1958, por exemplo, foi publicado um artigo que descrevia uma forma eficiente de obter óxido de grafite em larga escala. O estudo só começou a ser citado em 2007, quando se descobriu que o óxido de grafite poderia ser utilizado na obtenção, em escala industrial, do grafeno, material extremamente duro e maleável, caracterizado como uma folha de carbono com espessura atômica e detentor de propriedades elétricas, mecânicas e ópticas.

            O físico Ado Jório de Vasconcelos, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicou em 2002 um paper no qual descrevia a aplicação de uma técnica conhecida como espectroscopia Raman na identificação das propriedades de nanotubos de carbono, considerados bons condutores térmicos. “O artigo passou a ser citado intensamente apenas a partir de 2010, quando a comunidade científica começou a dar importância para o estudo da anomalia de Kohn, uma característica vibracional dos núcleos atômicos que se acoplam nos elétrons. Esse fenômeno era conhecido em materiais metálicos. Meu trabalho já evidenciava que também era uma característica dos nanotubos”, conta Jório, que em 2016 foi incluído na lista dos 3 mil cientistas “mais influentes” do mundo, divulgada pela empresa Thomson Reuters.

 

Avaliação
            Estudos sobre o reconhecimento tardio de papers também buscam aperfeiçoar os sistemas de avaliação da ciência, muitos deles baseados em indicadores que privilegiam o impacto obtido em curto prazo. Um trabalho publicado em abril na revista Nature sugere que artigos científicos que deram contribuições transformadoras, mesmo não se enquadrando propriamente no conceito de belas adormecidas, demoraram em geral mais tempo para repercutir do que aqueles que produziram avanços incrementais. “Observamos que pesquisas realmente inovadoras recebem citações a longo prazo, a partir de sete anos após a publicação”, disse à Pesquisa FAPESPJian Wang, pesquisador da Universidade de Leuven, na Bélgica, um dos autores do estudo. O estudo concluiu que indicadores bibliométricos que utilizam um período de citação de apenas três anos são claramente ineficientes para avaliar pesquisas cujos resultados necessitam de tempo para serem compreendidos.

            Wang e sua equipe analisaram citações de mais de 660 mil artigos publicados em 2001, em todas as áreas do conhecimento, indexados na base de dados Web of Science. Verificaram que 89% dos manuscritos apresentavam um baixo grau de inovação. Para caracterizar quais artigos seriam considerados inovadores foram selecionados trabalhos que apresentavam referências bibliográficas inusitadas, combinando autores e áreas do conhecimento de forma distinta do padrão de cada área. “Um método para verificar se um artigo contém novas ideias e conceitos é olhar sua capacidade de combinar diferentes referências bibliográficas de maneira inédita. Essa característica pode apontar a natureza mais arriscada da pesquisa”, explica Wang.
            Observou-se que, no período de três anos após a publicação, a probabilidade de que um artigo muito inovador estivesse no conjunto dos 1% altamente citados era menor que a dos demais. Segundo o estudo, os trabalhos que receberam muitas citações logo nos três primeiros anos tenderam a ficar obsoletos. “Já aqueles considerados disruptivos, com alto grau de novidade, representavam 60% dos trabalhos mais citados 15 anos após a publicação”, explica Wang. Ele conclui que, embora agências de fomento sustentem a importância de investir em pesquisas de caráter transformador, seus sistemas de avaliação acabam privilegiando estudos incrementais ao utilizar os indicadores de impacto mais populares. “O uso generalizado de parâmetros como o número de citações por agências de apoio e revisores pode desencorajar pesquisas com potencial de quebrar paradigmas”, sugere Wang.
            Como exemplo de órgãos que utilizam de alguma forma indicadores bibliométricos em seus processos de avaliação, o estudo cita o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China, a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) e a brasileira Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que criou o sistema Qualis de classificação de periódicos científicos. Rita Barradas Barata, diretora de Avaliação da Capes, explica que, para supervisionar os cerca de 4.200 programas de pós-graduação no país, a instituição monitora a produção científica de professores e alunos. “Como é impossível medir a qualidade de cada um dos mais de 800 mil artigos publicados pelos programas, fazemos uma classificação dos veículos nos quais os trabalhos são publicados”, informa. Para isso, são levados em consideração em várias disciplinas indicadores como o Journal Impact Factor (JIF), apontado no estudo de Wang como uma das ferramentas que desfavorecem artigos que demoram para serem reconhecidos.
            Rita reconhece que as instituições se acostumaram a concentrar sua atenção em artigos muito citados no curto prazo. “Há a tendência de orientar o olhar para aquilo que os indicadores bibliométricos dizem que é bom no momento.” Uma ideia em discussão, segundo a diretora, é que as agências e instituições de pesquisa adotem algum tipo de política de prospecção, na tentativa de garimpar temas que podem estar sendo subestimados. Na avaliação de Wang, as agências não precisam buscar formas de favorecer pesquisadores pouco citados. “Basta julgarem cada proposta por seu próprio mérito, o que é difícil de fazer. Sistemas de avaliação por pares são um bom contraponto para o uso excessivo de métricas”, afirma.

Fator de impacto
            Em estudo publicado em 2015 na revista PNAS, pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, analisaram 22 milhões de papers publicados ao longo de 100 anos, indexados aos arquivos da American Physical Society e da Web of Science, e verificaram que a maior parte dos artigos que permaneceram adormecidos por longos períodos de tempo, e depois tornaram-se célebres em suas áreas, é de química, física e estatística. O estudo dos pesquisadores de Indiana chama a atenção para o fato de que o próprio conceito de “fator de impacto” permaneceu escondido em um artigo publicado em 1955 por Eugene Garfield. No artigo, Garfield, que morreu em fevereiro, apresenta ideias e conceitos que mais tarde seriam usados para consolidar a base de dados Web of Science, da Thomson Reuters. “O paper esteve adormecido por quase 50 anos, até se tornar popular no início dos anos 2000 e ser citado em trabalhos sobre bibliometria, alguns do próprio Garfield”, informa o estudo.
            Van Raan explica que, embora se concentrem mais nas ciências exatas, os artigos adormecidos podem ser encontrados em praticamente todas as áreas do conhecimento. “Estou começando a investigar as áreas médicas e também as ciências sociais e espero descobrir coisas interessantes”, conta Raan, que aposta no desenvolvimento de programas de computador capazes de identificar belas adormecidas da ciência.
            Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, vê com naturalidade o fato de bons artigos não receberem, à primeira vista, o devido reconhecimento. “Pesquisas com ideias muito diferentes do mainstream demoram para ser digeridas pela comunidade científica, que muitas vezes reage com estranhamento e até com preconceito a novas ideias”, explica. Segundo ele, os estudos que tentam analisar os artigos adormecidos podem cumprir um papel importante. “Podem nos fornecer pistas para entender por que grandes ideias passam despercebidas.
            Trata-se de uma oportunidade de alertar as editoras a pensarem estratégias de tornar os artigos mais visíveis e legíveis, porque hoje o grau de especialização nas pesquisas é excessivo, o que dificulta o entendimento até para quem é da própria área de pesquisa”, observa. Para Ado Jório, cabe ao autor da pesquisa esforçar-se para divulgar seus trabalhos, especialmente quando sabe que está propondo algo que bate de frente com o paradigma vigente. “Não basta publicar o artigo e torcer para que ele seja lido, compreendido e citado. É preciso participar de congressos, conferências e debates, procurando sempre falar sobre sua pesquisa com as pessoas que possam se interessar por ela”, recomenda.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Homenagens pelo Dia do Químico e 21 Anos do Curso de Química da UVA/CE


  19 de junho de 2017 (Segunda-feira)
18h30min – Abertura das Comemorações de 21 anos do Curso de Química da UVA

Composição da Mesa de Abertura
Prof. Dr. Petrônio Emanuel Timbó Braga (Pró-Reitor de Ensino de Graduação)
Prof. Dr. Francisco Helder Almeida Rodrigues (Diretor do CCET)
Prof. Dr. Geovany Amorim Gomes (Coordenador do Curso de Química)
Local: Auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET)






20h00min – Palestra: "A Pesquisa no Ensino de Química"
Palestrante: Prof. Dr. Francisco Souto de Sousa Junior (UFERSA)
Local: Auditório do CCET





20 de junho de 2017 (Terça-feira)

18h30min – Homenagem ao Dia do Químico

Composição da Mesa de Abertura
Prof. Dra. Maria Somália Sales Viana (Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação)
Prof. Dr. Geovany Amorim Gomes (Coordenador do Curso de Química)
Prof. Dr. Murilo Sérgio da Silva Julião (Coordenador da Capela da Ciência)
Local: Auditório do CCET






19h30min – Palestra de Abertura: "Avanços da Ciência e Tecnologia no Desenvolvimento do Brasil: Contexto Histórico da Agricultura e Biocombustíveis"

Palestrante: Profa. Dra. Tigressa Helena Soares Rodrigues (UVA)
Local: Auditório do CCET







20h30min - Encerramento: Confraternização entre alunos e professores do curso de Química e sorteio de livros de Química.
Local: Auditório do CCET