terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jipe-robô Curiosity acerta primeiro alvo com sua arma laser no planeta vermelho


Nasa anuncia uma nova missão robótica rumo à Marte, que deverá partir da Terra em 2016.

O jipe-robô Curiosity, que está em Marte desde o início do mês, usou sua arma laser pela primeira vez anteontem (19). O alvo foi uma rocha, cujos minerais serão analisados. O laboratório robótico da Nasa acertou 30 pulsos de laser em uma pedra do tamanho de um punho por um período de dez segundos, segundo nota da agência.

Cada pulso leva uma energia de 1 milhão de watts por cinco bilionésimos de segundo, vaporizando um pedaço de rocha do tamanho de uma cabeça de alfinete e criando uma pequena fagulha, que é analisada por um aparelho montado no jipe. O brilho dá aos cientistas informações sobre a composição química da rocha.

O sistema, o Chemistry-and-Camera ou ChemCam ("química e câmera"), é capaz de identificar mais de 6.000 comprimentos de onda nos espectros ultravioleta, infravermelho e visível e pode fazer 14 mil análises durante a missão em Marte.

O propósito desse primeiro uso do laser foi um treino de pontaria do instrumento. Mas os cientistas vão analisar os dados da rocha, que eles chamaram de "Coronation" ("coroação").

Nova missão - Duas semanas após aterrissar o rover Curiosity em Marte, a Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou o lançamento de uma nova missão para explorar o planeta vermelho. O projeto se chama InSight e deve posicionar instrumentos em setembro de 2016 através da ajuda de um veículo espacial.

O novo objetivo será avaliar o que acontece no interior de Marte. A ideia é descobrir se o núcleo é sólido ou líquido, além de entender se as placas tectônicas deslizam uma contra as outras, como na Terra. O conhecimento possibilitará comparações e uma melhor compreensão de como os planetas são formados. O Curiosity, ao contrário, é um robô que explora a superfície e analisa rochas para descobrir se Marte já teve condições de abrigar vida.

"A exploração do planeta é uma prioridade para a Nasa. A escolha do InSight assegura que vamos continuar descobrindo os mistérios de Marte e estabelecendo as bases para uma futura missão humana por lá", disse em nota Charles Bolden, diretor da Nasa.

O projeto InSight foi escolhido entre três propostas de exploração do Sistema Solar. As derrotadas seriam para estudar um cometa e Titã, uma lua de Saturno. A missão deve custar US$ 425 milhões (cerca de R$ 858 milhões). As agências espaciais da França e da Alemanha vão colaborar na elaboração de instrumentos usados na missão.
(Informações de Agências de Notícias)

Prêmio Finep de Inovação recebe 588 inscrições em 2012


O total representa um aumento de 51% em relação a 2011. Agora, os projetos serão pré-qualificados e julgados, e os primeiros colocados de cada categoria disputarão a premiação nacional.

Na última sexta-feira (17), foram encerradas as inscrições para a 15ª edição do Prêmio Finep de Inovação, com um total de 588 inscritos, um aumento de 56% em relação a 2011. O momento agora é de pré-qualificação dos projetos e, em seguida, eles serão julgados por especialistas. O Prêmio Jovem Inovador - que vai premiar fotografias de jovens de 14 a 18 anos - teve 61 inscritos.

Os primeiros colocados em cada região do País, em cada categoria, disputam entre si a premiação nacional. As datas previstas das cerimônias são: Região Centro-Oeste (10/10 - Cuiabá); Região Nordeste (15/10 - Fortaleza); Região Norte (24/10 - Belém); Região Sul (31/10 - Porto Alegre); e Região Sudeste (8/11 - Belo Horizonte). A final nacional ocorre tradicionalmente em Brasília, em dezembro, ainda sem data definida. O Prêmio Jovem Inovador segue o mesmo calendário de premiação.

Em 2012, a premiação traz uma série de mudanças. A principal delas é que o prêmio será em dinheiro: serão disponibilizados de R$ 100 mil a R$ 600 mil para os primeiros colocados regionais e nacionais de cada categoria, totalizando cerca de R$ 9 milhões. Até 2011, a Finep concedia aos vencedores recursos não reembolsáveis, cuja liberação ficava condicionada à apresentação de um projeto de ciência, tecnologia e inovação.

Outra novidade da edição 2012 é que o Prêmio passa a contar com mais duas categorias direcionadas a empresas: Tecnologia Assistiva e Inovação Sustentável. A primeira contempla produtos e processos que promovam a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida. Já a Inovação Sustentável reconhece iniciativas em que a sustentabilidade tenha sido integrada ao sistema de pesquisa, desenvolvimento e comercialização, pelo viés financeiro, social e ambiental. As novas categorias se juntam às sete já existentes: Micro e Pequena Empresa, Média Empresa, Grande Empresa (apenas na etapa nacional), Instituição de Ciência e Tecnologia, Tecnologia Social, Inventor Inovador e Inovar Fundos - esta também restrita à etapa nacional e dividida em três subcategorias: Governança, Equipe e Operação.

Concorrem ao Prêmio empresas ou Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), públicas ou privadas, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Não Governamentais (ONGs) com sede no País e que tenham a inovação como elemento relevante em suas estratégias de atuação. Na categoria Inventor Inovador, podem concorrer pessoas físicas que tenham patentes concedidas pelo órgão responsável (INPI) e cujo objeto esteja comercializado. Na categoria Inovar Fundos, por sua vez, concorrem empresas gestoras de fundos de capital semente, venture capital e private equity constituídos há, no mínimo, dois anos.

O Prêmio Finep é o mais importante instrumento de estímulo e reconhecimento à inovação no País. Desde 1998, já premiou mais de 500 empresas, instituições e pessoas físicas, sendo responsável pela projeção dos contemplados não apenas no Brasil como no exterior.

Confira mais informações no site http://premio.finep.gov.br/.

(Ascom da Finep)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tesouro no meio da selva


A Amazônia abriga a maior diversidade de vida do planeta e 12% das espécies de plantas já descritas, mas ainda precisa aprender a gerar de lucro sem a destruição do meio ambiente.

A primeira recomendação que um pesquisador recebe ao ingressar na equipe do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) é ficar de boca fechada. Para explorar economicamente um dos maiores santuários de vida selvagem do planeta, um dos cuidados básicos é assinar acordos de confidencialidade com os parceiros privados. Em ocasiões especiais, no entanto, a regra pode ser quebrada.

A clonagem do curauá - uma planta amazônica da família das bromélias, cujo fruto se parece muito com um abacaxi em miniatura - foi uma dessas ocasiões. Amargo demais para virar suco, o curauá entrou no radar dos pesquisadores após a descoberta do potencial econômico das fibras de suas folhas. Além de servir para revestimento de colchões e forro de carros, as folhas do curauá podem entrar na cadeia produtiva de celulares e equipamentos eletrônicos em substituição à fibra de vidro.

Nada mais simbólico do que um abacaxi para ilustrar o esforço do País na busca por um novo ciclo de desenvolvimento econômico para a Amazônia - uma região que tem no desmatamento o maior inimigo. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo e a região amazônica abriga muitos de seus tesouros biológicos. Há 85 mil espécies descritas (43% do total do País). E isso representa apenas uma pequena parte do potencial estimado para a região. A flora, a fauna, os fungos e os micro-organismos da floresta são vistos como matéria-prima para a produção de remédios e alimentos. Só que toda essa riqueza não valerá nada, caso não seja estudada pela ciência. E está aí uma das dificuldades crônicas da região. A Amazônia ocupa 61% do território nacional, mas absorve apenas 4% dos doutores e grupos de pesquisa do País.

"São formiguinhas contra um gigante. Existe pesquisa de qualidade, mas não há escala para o desafio econômico e as oportunidades que a região representa para o País", lamenta o pesquisador Ulisses Galatti, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

Só que transformar pesquisa em dinheiro e tirar a Amazônia do limbo científico não são tarefas fáceis. É necessário conciliar interesses muitas vezes conflitantes. Os cientistas estão empenhados em superar a fronteira do conhecimento. Os empresários apostam na biodiversidade como fonte de lucros. E as comunidades locais dependem da natureza para sobreviver. São interesses que envolvem cifras atraentes. Só na última década, o Museu Goeldi, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), descreveu 130 novas espécies, entre plantas, animais e fungos.

Em menos de um quilômetro quadrado da Floresta Amazônica há mais espécies de plantas do que em todos os países da Zona do Euro. Uma única árvore, por exemplo, é habitat de numerosos tipos de invertebrados, de formigas a aranhas, passando por abelhas e besouros.

Em número de plantas descritas, a Amazônia tem hoje catalogadas 60 mil espécies, o que representa 12% das espécies do planeta. E ainda há três mil espécies de peixes de água doce, 849 de anfíbios, 540 de mamíferos, 1.700 de aves, 693 de répteis e 13 mil de fungos. Além de ser de longe o bioma mais rico do planeta Terra, a Amazônia é, ao mesmo tempo, a floresta com o maior número de espécies descritas. Só que, paradoxalmente, é também onde se estima haver o maior número de espécies a descobrir.

Superar o desafio da biotecnologia vai muito além da identificação de novas espécies. É preciso isolar o princípio ativo (a substância que confere ação de interesse para a produção de fármacos, por exemplo) e descobrir onde aplicá-lo. Criado em 2002, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) precisou de uma década para clonar as mudas do curauá - etapa obrigatória para garantir a produção em larga escala para a indústria. Resta agora atrair parcerias estratégicas. Ou seja, encontrar empresários que acreditem no potencial da fibra amazônica e de outro, rastrear comunidades locais dispostas a plantar as mudas.

A imensidão territorial e as transformações provocadas pela ação humana não bastam para explicar o desconhecimento sobre o potencial da biodiversidade amazônica. Estudos sobre esse tesouro no meio da selva, como o Censo da Biodiversidade, conduzido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, estão apenas no começo. A situação é agravada pela pequena quantidade de pesquisadores residentes na região, muitos deles motivados por posições ideológicas que se chocam com a ideia de explorar comercialmente o patrimônio genético nacional.

No ano em que o CBA foi inaugurado, em Manaus, o mercado internacional de produtos biotecnológicos movimentou US$ 780 bilhões. De olho nesse mercado o projeto saiu do papel para ser um centro de excelência na Amazônia. Visto como um projeto estratégico, a meta era abocanhar uma parcela dos negócios mundo afora. Pesquisas começaram a ser desenvolvidas nos laboratórios montados para explorar o potencial da floresta. Só que, nesses dez anos, os projetos ambiciosos minguaram, a ponto de a instituição ter corrido risco de virar um elefante branco.

Nenhuma patente foi registrada e o centro não tem personalidade jurídica própria, o que o impede de contratar cientistas diretamente. E pior: os recursos do CBA são originários somente dos impostos pagos pelas 600 empresas da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para evitar a paralisia, driblar a burocracia e impedir que o CBA virasse de fato um elefante branco, a saída foi se aproximar do setor privado e se submeter as regras de mercado. O sigilo passou a ser exigido nas pesquisas em andamento e as equipes de cientistas mudaram a dinâmica de trabalho. Agora, elas atuam apenas numa das etapas do desenvolvimento do projeto.

"Inicialmente, os colegas reagiram mal à ideia de trabalhar em linha de montagem. O Brasil não tem essa experiência. Os cientistas sempre foram vinculados à academia. Mas fomos obrigados a cortar esse vínculo. Não fazemos mais pesquisa básica", analisa o farmacêutico José Augusto Cabral, coordenador de Produtos Naturais da instituição. "Quem planeja fazer um mestrado ou mesmo um doutorado, tem que procurar outro lugar para trabalhar".
(O Globo - 7/8)

Brasil se destaca no Ano Internacional da Química


Sete meses após o Ano Internacional da Química - de janeiro a dezembro de 2011 - especialistas e químicos afirmam que o Brasil começa a colher os resultados das atividades realizadas no País

 
Os primeiros frutos são o aumento do interesse de alunos e professores da educação básica por informações e atividades de química, confirmando o propósito do evento de atrair a atenção tanto de alunos dos ensinos médio e fundamental quanto do público geral.

No ano passado, o Brasil ocupou o primeiro lugar nos experimentos de PH da água (análise da qualidade da água) realizados no mundo. O PH, na prática, significa potencial de hidrogênio iônico que mede o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância.

A participação dos alunos brasileiros respondeu por 28% no programa Experimento Global da Água (o PH da água) e por 29% do total dos estudantes mundiais, segundo Claudia Rezende, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), coordenadora do evento no Brasil e professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O experimento foi realizado em escolas públicas e no decorrer da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no ano passado.

A estimativa é de que cerca de 60 mil alunos brasileiros, dos ensinos fundamental e médio, participaram das atividades em comemoração ao Ano Internacional da Química - promovido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC na sigla inglês) juntamente com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Essas e outras informações farão parte do relatório da SBQ, de cerca de 50 páginas, a ser encaminhado à IUPAC nos próximos dias. Trata-se de uma prestação de contas de todos os países sobre as atividades realizadas.

Medição do PH da água - A medição do PH da água foi realizada por intermédio de kits com cinco itens (copinhos plásticos e frasco com solução de indicador azul de bromotimol, entre outros). Esses kits foram idealizados pela ONU e reaplicados nos países. No Brasil foram distribuídos 35 mil kits, projeto fomentado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que, segundo Claudia, destinou R$ 2 milhões para promover as atividades internamente.

Reflexos em cursos de química - A expectativa é de que as atividades realizadas no País estimulem o interesse de alunos pelos cursos de química. E assim, contribuir para aumentar a mão de obra especializada nessa área - hoje insuficiente para atender à demanda local das empresas. Atualmente, as áreas de engenharia e de ciências exatas, incluindo química, respondem por menos de 10% do total das matrículas em graduação no País, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), baseada em dados do Ministério da Educação (MEC). Enquanto isso, as áreas de direito, administração e ciências sociais, dentre outras, respondem pelo grosso das matrículas (60%) nas universidades brasileiras.

Especialistas da Abiquim reafirmam que a oferta de profissionais qualificados em química não atende à procura, gerando uma disputa acirrada entre empresas por químicos no mercado. Para a instituição, esse é um fator preocupante. Apesar de não ser intensiva em mão de obra, essa área é altamente intensiva em conhecimento e emprega pessoas com elevado nível de qualificação, razão pela qual a média salarial dessa categoria supera em 75% à média da indústria manufatureira nacional, contribuindo para elevar os custos das empresas.

Confirmando os dados, o vice-diretor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp),  Antônio Ferreira Braga, responsável pela organização das atividades do Ano Internacional da Química nas escolas públicas da região, disse faltar interesse de alunos pela área de química no Brasil, apesar de sua importante contribuição no cotidiano e na elaboração de produtos. Segundo compara Braga, o número de candidatos por vaga nos vestibulares realizados para os curso de medicina é 10 vezes maior do que na química.

Na avaliação de Braga, o Ano Internacional da Química no Brasil cumpriu a proposta de levar conhecimentos da química para a sociedade de forma geral e "diminuir um pouco" a distância entre a química e o cidadão comum. "Poucos sabem da presença da química no cotidiano. Ela está presente na comida, no vestuário, no remédio, na purificação da água e no conservante de comida", exemplifica.

Conforme entende Braga, o mais importante é a transmissão da mensagem para estudantes da educação básica. "Quando crianças de catorze e quinze anos enxergam o cotidiano de forma diferente isso estimula o interesse delas pela química", avalia.

Buscando embasar o interesse de alunos e professores pelas informações e atividades de química após a realização do evento internacional no Brasil, a vice-presidente da ABQ chama a atenção para a quantidade de visitas ao portal (www.quimica2011.org.br) criado pela SBQ que somam 520 mil acessos, desde 2011.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ciência Hoje On-line: Entre a restrição e o livre acesso


Em entrevista à CH On-line, o bioquímico Bruce Alberts, editor-chefe da revista 'Science', fala sobre os impasses e o futuro do sistema tradicional de revisão e publicação no meio científico.


Onde ele vai, atrai caravanas de fãs. Flashes e autógrafos já fazem parte de sua rotina. Não estamos falando de uma celebridade da TV ou do cinema, mas do bioquímico norte-americano Bruce Alberts, da Universidade da Califórnia, que proferiu palestra na última segunda-feira (30/7) na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na ocasião, alunos e professores lotaram um dos maiores auditórios da universidade e formaram fila extensa para tirar fotos e pedir dedicatórias no livro didático Biologia molecular da célula, escrito pelo cientista e amplamente adotado nos cursos da área.

Além de conhecido por seu trabalho de educação científica e pesquisas sobre duplicação de DNA, Alberts é o atual editor-chefe da revista Science, uma das mais influentes publicações científicas do mundo. Nessa entrevista concedida à CH On-line, focamos esse aspecto da atuação do cientista, que fala sobre os conflitos e desafios do sistema tradicional de publicação científica e deixa escapar sua vontade de tornar livre o acesso de países em desenvolvimento a sua publicação.

Leia a entrevista completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/08/entre-a-restricao-e-o-livre-acesso.

(ICH)

Começa hoje a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica no Brasil


É a primeira vez que o País sedia o evento, que terá a abertura no Planetário do Rio de Janeiro, e ocorrerá na cidade fluminense de Vassouras durante a semana.

Jovens de 32 países estarão reunidos a partir de hoje (6) para participar da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), evento sediado pela primeira vez no País. As cidades anfitriãs serão Rio de Janeiro, onde ocorreu a abertura esta manhã no Planetário da Gávea, e Vassouras, no interior do estado do Rio, que concentrará as provas de 7 a 12 de agosto. O encerramento será na capital fluminense, dia 13 de agosto, no Museu de Astronomia (Mast).

Os participantes da 6ª IOAA, 160 estudantes do ensino médio de 14 a 18 anos de 32 países, vão competir em três modalidades: teórica, na qual resolvem problemas relacionados à Astronomia e Astrofísica; observacional, em que vão demonstrar seus conhecimentos sobre o céu; e prática; na qual deverão interpretar e utilizar dados como astrônomos profissionais.

Além da disputa pelo lugar mais alto do pódio, a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica também tem como objetivo promover a integração entre a cultura dos diferentes povos representados. Emirados Árabes, Irã, China, Polônia, Lituânia, Bangladesh, Bolívia, Chile, Grécia e Portugal são alguns dos países que enviaram representantes.

Índios - A abertura contou com a presença do presidente da IOAA, Chatief Kunjaya, e com os índios da tribo Desana, com uma apresentação especial para o público presente. Isso porque o tema da Olimpíada no Brasil é Astronomia Indígena. Além do desfile oficial das delegações dos países participantes, foi exibido na Cúpula Carl Sagan o filme 'Céu Indígena', que conta como os povos que habitavam o Brasil antes da colonização observavam e identificavam as constelações.

O astrônomo do Museu da Amazônia, Germano Bruno Afonso, foi designado coordenador cultural da Olimpíada e foi o responsável pela ida dos 10 índios Desana ao Rio. Ele lembra que a abertura marca um momento histórico, "a primeira vez que o céu dos índios será apresentado para mais de 30 países". Germano estuda as constelações identificadas pelos índios e mais de vinte delas estavam na pauta da apresentação.

Mobilização em Vassouras - A cidade de Vassouras terá diversas atividades gratuitas durante o evento, com a ideia de integrar a população com a Olimpíada. Numa delas, o astronauta Marcos Pontes vai realizar, amanhã, às 18h, uma palestra na cidade. Haverá ainda Mostra de Filmes Científicos, Planetário Inflável, Exposição de Meteoritos, Apresentação de Orquestra Sinfônica Jovem, entre outras atrações gratuitas.

Este ano, a equipe que irá defender o Brasil é formada por dez estudantes selecionados a partir da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), disputada anualmente no País desde 1998. São sete representantes de São Paulo, um de Minas Gerais, um do Ceará e um do Piauí. "Temos sempre em mente que estamos em uma competição, mas a oportunidade de conviver com pessoas de tantos lugares diferentes é uma experiência única. Conhecer culturas diversas é o primeiro passo para respeitarmos as diferenças", diz Julio Campagnolo, primeiro estudante brasileiro a participar da Olimpíada Internacional de Astronomia, na Tailândia, em 2007. Na ocasião, ele conquistou a medalha de bronze.

A IOAA é a primeira competição científica de alcance mundial realizada no Brasil. Confira a programação da Semana de Astronomia de Vassourashttp://www.mast.br/semana_de_astronomia_em_vassouras.pdf.

(Clarissa Vasconcellos com informações do Mast e Planetário do Rio)

Novo robô da Nasa pousa com sucesso em Marte


A máquina de uma tonelada vai buscar vestígios de vida no planeta vermelho.

O veículo robótico da Nasa pousou com sucesso em uma cratera em Marte em uma missão não tripulada que estudará detalhadamente a possibilidade de ter havido vida no planeta. A nave que carregava o robô Curiosity conseguiu fazer o veículo pousar no interior da cratera de Gale por volta de 2h31 (horário de Brasília) com um conjunto inédito de procedimentos, usando um guindaste e cordas de nylon.

Com a confirmação do pouso na cratera, de 154 quilômetros de diâmetro, a equipe da Nasa em Pasadena, na Califórnia, celebrou com gritos e abraços o sucesso inicial da missão na qual muitos já trabalham há cerca de 10 anos.

A descida pela atmosfera do planeta, após uma viagem da Terra de 570 milhões de quilômetros, foi chamada de "sete minutos de terror" por conta das manobras de alto risco que reduziram a velocidade da nave de 20 mil km/h para apenas 1m/s, o que permitiu que as rodas do jipe-robô tocassem a superfície da cratera suavemente.

O veículo deve executar a primeira fase de sua missão em 98 semanas, mas a expectativa é que continue suas pesquisas por cerca de uma década. Geradores de plutônio têm capacidade de fornecer calor e eletricidade por pelo menos 14 anos para a missão. É um sistema de geração de energia diferente do de outras missões que contaram com painéis para geração de energia solar.

O robô está equipado com ferramentas que podem, entre outras coisas, perfurar rochas e coletar amostras de materiais do planeta. Os estudos do robô começarão em uma montanha localizada no interior da cratera. Ele irá subir a montanha e estudará as peds ali sedimentadas ao longo de bilhões de anos. O veículo buscará indícios de substâncias que possam ter sido propícias à vida em Marte. Indícios da presença de água no passado de Marte foram detectados em estudos anteriores, feitos a partir de imagens do local.

A missão que enviou o jipe-robô Curiosity a Marte custou US$ 2,5 bilhões. A primeira imagem em preto e branco enviada pelo jipe-robô e distribuída pelo Twitter pela Nasa gerou reações variadas.

"Obrigado por não terem usado Instagram", disse um comentário no Twitter. Uma segunda usuária reagiu com mais emoção: "Uau! Isso é muito empolgante". "Não dá para ver nada", disse um terceiro. Imagens coloridas deverão ser divulgadas nos próximos dias.
(Agência Estado)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Prêmio Nobel de Química 2011 apresenta palestra na UFRJ



"A descoberta dos quasicristais: sua importância na concepção da matéria sólida" será ministrada amanhã (27), às 11h.

O professor Daniel Shechtman, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2011, apresentará nesta sexta-feira (27), no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a palestra intitulada "A descoberta dos quasicristais: sua importância na concepção da matéria sólida". A palestra ocorrerá na sala 343 do Bloco A do Centro de Tecnologia, às 11h.

Shechtman é professor of Materials Science do Instituto de Tecnologia de Israel - Technion e professor of Materials Science da Iowa State University, nos EUA. A concessão do Prêmio Nobel se deu pela descoberta dos chamados quasicristais, sólidos cujo arranjo atômico não apresenta periodicidade, assemelhando-se a um "mosaico árabe". Os quasicristais apresentam propriedades físicas especiais, que lhes conferem grande importância científica e tecnológica.
(Informações Instituto de Física/UFRJ)

Segurança na Internet, artigo de Luis Antonio Tavares


Luis Antonio Tavares é professor de Informática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas. Artigo enviado ao JCEmail pelo autor.

A segurança na Internet tem sido um tema preocupante e muito debatido nos dias atuais. Os constantes ataques de hackers, que hoje em dia, ocorre inclusive contra sites de médio porte, somados a denúncias de que os governos usem serviços na Internet para espionar os cidadãos e citando ainda os ciberataques que, segundo algumas fontes, foram utilizados recentemente no oriente médio numa disputa entre os governos de Israel e Irã, nos faz pensar o que nos aguarda no futuro da Internet.

O fato é que nossas vidas são cada vez mais dependentes de serviços online e a segurança das nossas informações traz o seguinte questionamento: Até qual ponto devemos nos expor e confiar nesses serviços? Alguns especialistas afirmam que o ideal seria pagar por nossa conta de e-mail, assim como pagamos pela de telefone, como uma garantia a mais por nossa privacidade.

Mas mesmo enquanto dependentes desses recursos há muito o que pode ser feito para se precaver no diz respeito a exposição de suas informações. Veja algumas dicas a seguir:

1. Sempre atualize seu navegador para as versões mais recentes;
2. Tenha o hábito de sair, efetuar logout ou opção equivalente;
3. Crie senhas difíceis de serem descobertas e altere-as regularmente;
4. Cuidado ao receber links através de e-mails ou através de mensagens de programas de conversação. Certifique-se de que o link seja confiável;
5. Cuidado ao abrir anexos. Você pode receber e-mail com anexos nocivos mesmo de pessoas próximas. Algumas vezes arquivos mal intencionados pode aparentar ser uma simples foto ou vídeo.
6. Cuidado com e-mails falsos de cobrança ou contendo requisições bancárias. Bancos não costumam pedir informações por e-mail;
7. Não entre em sites de conteúdo duvidoso, como sites que contenha conteúdo pornográfico ou informações sobre hackers. Muitos sites possuem rotinas mal intencionadas que são executados ao abrir a página;
8. Mantenha o antivírus atualizado em seu computador;
9. Realize cadastros somente em sites confiáveis.
10. Evite expor informações pessoais desnecessárias em sites de relacionamentos.

Apesar de serem práticas que podem dar um certo trabalho no início, após um tempo você verá estas dicas se tornarem procedimentos naturais do seu dia-a-dia. Ser um usuário atento no mundo internet pode evitar muitas situações indesejadas.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Minha terra tem ciência


Exposição 'Ciência Hoje 30 anos' traz as comemorações do aniversário do Instituto à Reunião Anual da SBPC, evento que testemunhou o nascimento da revista, em 1982.

A revista Ciência Hoje funciona desde a sua criação na cidade do Rio de Janeiro. Porém, se expressada numa hipotética certidão de nascimento, sua naturalidade poderia ser atribuída à Reunião Anual da SBPC. Afinal, foi em um desses encontros, mais especificamente na sua edição de número 34, realizada em Campinas, em 1982, que a publicação foi apresentada ao Brasil.

Desde então, o país mudou e a CH acompanhou esse movimento. Cresceu, se diversificou e superou dificuldades, mas nunca deixou de marcar presença nas edições do encontro. Neste ano em que completa seu 30º aniversário, no entanto, participa do evento em 'traje de gala': durante a edição de 2012, que acontece nesta semana em São Luís, no Maranhão, a Reunião Anual da SBPC recebe a exposição 'Ciência Hoje 30 anos'.

A mostra resgata um pouco da história do país, da ciência nacional e dos momentos vividos pelo próprio Instituto Ciência Hoje nesse período. No espaço, grandes painéis e totens interativos reproduzem algumas das mais emblemáticas capas da publicação. A exposição cria uma linha do tempo que reúne fatos políticos, econômicos e científicos importantes ocorridos no Brasil e no mundo ao longo dos últimos 30 anos, além, é claro, de apresentar a forma como esses eventos foram traduzidos nas páginas da Ciência Hoje.

Em telas multitoque, o acervo completo da publicação também pode ser acessado, proporcionando um mergulho mais profundo na realidade da ciência nacional das últimas três décadas.

A exposição está instalada no campus Bacanga, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde ocorre a 64ª Reunião Anual da SBPC. O lugar? O andar térreo do Centro Pedagógico Paulo Freire, coração do evento e por onde circulam milhares de pessoas todos os dias. A mostra tem atraído a atenção: as grandes capas ampliadas da revista, com seus painéis interativos, detêm os apressados visitantes, que muitas vezes passam correndo para assistir a alguma mesa. No fim, acabam não resistindo às imagens e até param para tirar fotos.

Quem está aqui no Maranhão participando do evento ainda pode conhecer ou visitar novamente a exposição. Ela é gratuita e fica em cartaz até sexta-feira, quando termina a reunião. Para quem não pode conferir de perto, a Ciência Hoje preparou um vídeo que apresenta parte da exposição, além de mostrar a opinião dos visitantes sobre a revista e sobre a importância da divulgação científica no país.

(Instituto Ciência Hoje)

Nova Plataforma Lattes é lançada na 64ª Reunião Anual da SBPC


A plataforma conta agora com abas em que a comunidade científica e tecnológica poderá registrar informações sobre inovação, educação e popularização da ciência e tecnologia e patentes e registros, que ganham um módulo específico.

A nova Plataforma Lattes foi lançada oficialmente, nesta segunda-feira (23), durante a Conferência "Ciência, Tecnologia e Inovação como protagonistas do Desenvolvimento Sustentável", proferida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, na 64ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC), em São Luís (MA). A nova versão traz funcionalidades que introduzem possibilidades de analisar de forma sistemática as atividades de ciência e tecnologia.

A plataforma conta agora com abas em que a comunidade científica e tecnológica poderá registrar informações sobre inovação, educação e popularização da ciência e tecnologia e patentes e registros, que ganham um módulo específico. Para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, as informações disponibilizadas neste sistema deixam de ser somente declaratórios e acrescentam o elemento de confiabilidade dos dados.

Para aqueles que vão informar suas inovações, será necessário indicar o CNPJ da empresa onde foi desenvolvido o projeto, entre outras informações. Após preencher os dados, um e-mail será encaminhado ao responsável pela empresa onde ocorreu a colaboração para certificação do projeto. Já na aba Patentes, o pesquisador poderá incluir o número da patente e os todos os dados serão recuperados na base de dados do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Após isso, ao lado da patente indicada, aparecerá o símbolo de certificação deste instituto.

Segundo Glaucius Oliva, em razão da introdução destas mudanças, os critérios de avaliação de projetos do CNPq passam a considerar o mérito científico do projeto; a relevância, originalidade e repercussão da produção científica do proponente; a formação de recursos humanos; a contribuição científica, tecnológica e de inovação incluindo patentes; a inserção internacional da pesquisa; a contribuição em educação e popularização da ciência entre outros quesitos.

Visite a nova Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/.
(Ascom do CNPq)

Desafios do Enem são discutidos entre estudantes e pesquisadores


Temas como a correção das redações e a possibilidade de haver mais de um exame por ano estiveram na pauta da mesa apresentada na 64ª Reunião Anual da SBPC.

Uma plateia lotada de estudantes assistiu nesta quarta-feira (25), durante a 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a palestra 'Desafios do Enem', que contou com a presença de Luiz Cláudio Costa, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela organização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem); e com os professores Nilson José Machado (Universidade de São Paulo) e Maria Inês Fini (Universidade Metropolitana de Santos), que participaram da criação do exame.

Costa deu início à discussão falando que o Brasil tem 17,4% dos jovens em idade adequada para entrar na universidade atualmente, e que teóricos acreditam que para que a educação superior seja considerada "de massa" esse número deve ser de 30%. "Temos um número baixo. O que queremos é caminhar para a massificação e depois para a universalização", afirma.

Ele lembra da lógica "perversa" do vestibular - que já completou cem anos no Brasil -, por obrigar o aluno a escolher a universidade antes da prova e diminuir as chances de quem não tem condições financeiras de prestar mais de um vestibular. Costa sublinha que o Enem democratizou o acesso. "Tivemos quase quatro milhões de jovens que não pagaram a taxa de inscrição de R$ 35; ele é inclusivo", completa.

Criado em 1998, o Enem teve seu grande salto em 2009, quando surgiu a proposta de utilizá-lo como mecanismo de acesso democrático ao ensino superior de todo o País. Nilson José, que participou do grupo de trabalho do primeiro Enem (liderado por Maria Inês Fini), lembra as mudanças pelas quais o exame passou com as trocas de governo. "Depois de ser ameaçado de acabar, cinco anos após sua criação, virou a menina dos olhos do Inep e do MEC. Mas de 2010 para cá, o Enem tem uma cara ruim porque o foco todo foi para os problemas, como os de logística e o de roubo de provas", lamenta, lembrando que a intenção da mesa-redonda era apresentar propostas e não apontar os erros.

Ajustes - Costa afirma que a última edição teve 6,4 milhões de participantes, sendo que 1,2 milhão se inscreveu no último dia, quando chegou a haver mais de seis mil pessoas acessando o site por hora. "Por ser um exame dessa grandeza, tivemos questões logísticas operacionais. Tivemos problemas nas três edições e precisamos trabalhar arduamente para que haja tranquilidade desde a inscrição até a prova", relata, citando que o exame conta com duas comissões de especialistas e um comitê de governança.

Outra questão polêmica diz respeito à correção das redações. Costa alegou ter descoberto que até instituições de excelência internacional como o MIT têm problemas com a correta avaliação de textos em suas seleções e assegurou que está havendo um avanço para garantir o melhor funcionamento dessa correção.

Ele detalha que a redação vale de zero a mil pontos e lembra que são avaliadas cinco competências, como domínio da norma culta e intervenção no tema. Dois avaliadores corrigem a prova, sem saber o resultado um do outro. Até a última edição, se as avaliações diferissem em a partir de 300 pontos, a redação passaria por um terceiro avaliador. Agora, a discrepância necessária para a entrada de um terceiro corretor será a partir de 200 pontos.

De acordo com Costa, o Inep está investindo em treinamento e qualificação dos avaliadores, com a ideia de padronizar o máximo possível a correção dos textos. Além disso, serão lançados na semana que vem um guia de redação para o Enem, disponível para download e distribuído em escolas públicas, e um edital de R$ 2 milhões para indução do conhecimento em correção de texto.

PLC 180/2008 - Helena Nader, presidente da SBPC, perguntou sobre a posição do Inep a respeito do Projeto de Lei nº 180/2008, que determina a reserva de metade das vagas nas instituições de ensino superior públicas para estudantes oriundos do ensino médio em escolas públicas. Além disso, em seu artigo 2º, o projeto proíbe a realização de exames vestibulares ou o uso do Enem, obrigando que o processo seletivo adote exclusivamente a média das notas obtidas pelos candidatos nas disciplinas cursadas no ensino médio. Dessa maneira, o ingresso no ensino superior deixa de ser responsabilidade da universidade e passa a ser subordinado aos critérios de cada escola.

"A gente sabe que o ensino é diferente em cada instituição, com algumas escolas mais rígidas que outras. Para onde vai a qualidade?", questiona, lembrando que o PLC "fere a decisão da universidade de escolher qual exame [seletivo] ela quer [adotar]". Costa afirma que é necessário ter medidas afirmativas no País, mas também demonstrou preocupação em relação à autonomia das universidades. "Eu gostaria muito que isso fosse debatido profundamente na academia", opina.

Ensino Médio - Maria Inês Fini, que falou pela primeira vez em público sobre o Enem nesta mesa-redonda, afirma que o desafio mais significativo, em sua opinião, é a vinculação do Enem ao Ensino Médio. Ela lembra que o exame nasceu baseado em três eixos estruturantes da reforma do EM de 1998, em que haveria "o desenvolvimento de competências e habilidades ao final da escolaridade básica, com provas interdisciplinares, contextualizadas e organizadas em situações problema".

A professora ressalta a intenção que existia de eleger nas avaliações um novo conceito de aprendizagem, "mais abrangente, que reconhecia que informação não é conhecimento e que memória não é inteligência". As competências exigidas continuaram as mesmas em relação ao 'novo' Enem, no total de cinco: domínio da linguagem, construção de conceitos, resolução de problemas, argumentação consistente e intervenção/criatividade.

No Enem atual, inspirado nas matrizes do antigo Exame Nacional de Certificação de Competências de Educação de Jovens e Adultos (Encceja), há cinco eixos cognitivos, quatro áreas de conhecimento, com trinta competências cada, que se abrem em 120 habilidades, além da lista de conteúdos, segundo lembra Nilson José Machado.

Porém ainda permanecem dúvidas a respeito de como se orientar na hora de estudar e ensinar. "Estudantes questionam a aplicação de simulados com antigas provas do Enem. Não sou contra que eles se familiarizem com o exame, mas acho que não está claro o que vai ser avaliado: as habilidades ou conteúdo? Como estudar para ele?", indaga Maria Inês.

Outra questão latente é o aumento do número de exames. Costa é cuidadoso ao tratar o tema. "Queremos resolver as questões operacionais e profundas e estamos alcançando avanços e atualizações. Fazer dois Enem por ano por quê? Para diminuir a tensão ou por que há público? Temos o alicerce estrutural para fazê-lo, mas temos que pensar que benefício isso terá para a educação", conclui.

(Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência)

Idioma inglês, educação e orçamento são os desafios da ciência, diz Prêmio Nobel de Química 2011


Daniel Shechtman encantou centenas de estudantes, cientistas, pesquisadores em apresentação na 64ª Reunião Anual da SBPC sobre sua trajetória na descoberta dos quasicristais.

A limitação do idioma inglês, a qualidade da educação e a manutenção do orçamento para pesquisa são os três gargalos da área científica, principalmente de países em desenvolvimento - disse o cientista israelense Daniel Shechtman, ganhador do prêmio Nobel de Química em 2011.

Ele concedeu entrevista coletiva à imprensa ontem (24) após ministrar conferência na 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís.

Segundo Shechtman, a língua do mundo científico é o inglês e nem todos os cientistas falam esse idioma. "A ciência é universal, mas o idioma pode ser um obstáculo", disse o cientista, que ganhou o Prêmio Nobel de Química no ano passado pela descoberta dos quasicristais em 1982, teoria que alterou a forma como os químicos entendem a matéria sólida e abriu espaço para pesquisas do diesel até materiais para panelas.

No caso da educação, ele disse ser necessário começar a investir nessa área muito cedo e com alta qualidade nos países latino-americanos. Além disso, as crianças devem ter acesso à ciência na pré-escola. Em países desenvolvidos, ele exemplificou, as crianças com seis anos de idade já sabem ler.

O Nobel de Química de 2011 acrescentou que o orçamento para pesquisa "deve ter um fluxo contínuo". Pois sem ele "não há ciência". Segundo Shechtman, os cientistas também devem contribuir e pautar o governo sobre as prioridades da área. 

Futuro da química verde - Respondendo à imprensa sobre o futuro da química no Brasil, ele declarou que "não há como prever". Acrescentou, porém, que em um país rico em biodiversidade, como é o Brasil que possui a Amazônia, a ciência biológica precisa ter forte investimento em pesquisa e trabalhar em parceria com o setor da química.  Para tanto, o cientista israelense disse, essa medida requer tempo e educação com alta qualidade.

"Se não for assim o Brasil vai continuar fazendo, mas não conquistará a liderança", disse. Ele considera fundamental para a ciência a comunicação e a troca de experiência com outros países.

Nascido em 1941 em Tel Aviv, o Nobel de Química de 2011 é professor dos departamentos de Engenharia de Materiais do Instituto Tecnológico de Haifa, em Israel, e de Ciências dos Materiais da Universidade Estatal de Iowa, nos Estados Unidos.

Gravata - Antes de conceder coletiva à imprensa, o Prêmio Nobel de Química de 2011 ministrou conferência no auditório principal da UFMA. Bem humorado, ele chamou a atenção pela sua gravata azul marinho com desenhos de elementos químicos.

Trajetória - Na Reunião Anual da SBPC em São Luís, Shechtman encantou a plateia composta de centenas de estudantes, cientistas, pesquisadores, dentre outros, ao falar sobre sua trajetória na descoberta dos quasicristais. Ele lembrou ter sido rejeitado pelos próprios colegas e por eminentes cientistas e chegou a ser retirado do grupo de pesquisa quando apresentou seu "paper" sobre a teoria.

Shechtman, que considera a perseverança e tenacidade elementos importantes para qualquer jovem cientista, publicou seu trabalho na revista Physical Review Letters em 1984.

Na conferência, o cientista israelense explicou como foi a descoberta dos quasicristais. Antes da conclusão de sua teoria, lembrou ele, os cientistas acreditavam que a matéria sólida era sempre de átomos organizados em uma ordem definida que podia ser repetida diversas vezes para formar uma estrutura de cristal. Sua teoria revelou, porém, que os átomos não possuíam apenas um arranjo que podia ser repetido. Ao analisar as imagens de um material ele descobriu um formato inexistente até então.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)