segunda-feira, 19 de agosto de 2013

'Rastreador de Namorado' Pode ser Criminoso

App permite que namorado ou namorada receba cópia de mensagens, relátórios sobre ligações e a localização do parceiro


Editora GloboHoje de manhã, o Facebook ficou lotado de manifestações indignadas contra um aplicativo de celular. Promovido através de um site bonito, escrito em linguagem descolada, e focado no público feminino, o app Rastreador de Namorados, disponível para Andoid, afirma ajudar namoradas desconfiadas (e não 'neuróticas', como faz questão de deixar claro o F.A.Q. do app) rastrearem toda a vida móvel de seus parceiros. Obama aprova esse aplicativo. 

Uma vez instalado no celular, o app pode ser configurado para enviar para um outro número mensagens de texto contendo localização, histórico de ligações, como duração e número, e também cópias de SMS. A função mais invasiva é uma que faz com que o celular do alvo automaticamente faça uma ligação para o do 'espião': daí, basta atender para ter acesso ao áudio completo de tudo que acontece fora do bolso do dono ou da dona do celular. 

A principal falha no conceito, de acordo com homens e mulheres que comentaram na aba 'avaliações' no Google Play, é que o namorado ou namorada que você queira espionar pode, a qualquer momento, perceber que existe em sua lista de apps um chamado "Rastreador de Namorados" e apagá-lo, acabando com a brincadeira. Não tem problema: lá mesmo, nas respostas às reclmações, os desenvolvedores informam que o aplicativo tinha a função de ficar 'escondido' e que, embora tenha sido necessário desabilitá-la oficialmente devido a restrições da loja de apps do Google, basta enviar-lhes um e-mail para que eles deem 'mais informações sobre o modo escondido'. 

De acordo com a advogada Gisele Truzzi, especializada em direito digital e crimes eletrônicos, como o aplicativo não apenas registra a localização do usuário, mas também envia o conteúdo de mensagens de texto do celular espionado e até ativa o microfone do celular-alvo (o horror!), através de uma ligação automática, instalá-lo em um celular sem o conhecimento do dono configura um caso grave de invasão de privacidade. "Se a pessoa não tiver autorizado isso, é a mesma coisa que espiar uma rede Wi-Fi. Pode caracterizar um crime de interceptação telefônica e telemática, previsto no artigo 10 da lei nº 9.296, pra qual a pena de prisão pode ser de 2 a 4 anos", explica. 

De acordo com a lei brasileira, é proibido interceptar comunicações sem uma autorização judicial, e como o aplicativo envolve tráfego de dados, usá-lo pode se encaixar nesse crime. "A existência do aplicativo por si só não é crime, mas o uso que o usuário faz dele pode caracterizar invasão de privacidade, já que a pessoa não sabe que está sendo rastreada", diz Truzzi. 

Moral da história: se seu namorado ou namorada instalar o Rastreador de Namorados no seu celular, procure um advogado pra você - e um psicólogo pra ele ou pra ela.

Fonte: Revista Galileu. Acessada em 19/08/2013.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Hubble Revela as Origens das Galáxias Modernas


Levatamento que cobriu 80% da História do Universo mostra que diversidade de formatos e tamanhos observada hoje já existia há 11 bilhões de anos



No Universo atual, as galáxias têm variadas formas e tamanhos e são classificadas por um sistema conhecido como Sequência de Hubble, criado pelo astrônomo americano Edwin Hubble em 1926. Com base na morfologia e intensidade de formação de estrelas, as galáxias foram então organizadas em um zoológico cósmico de estruturas espirais, elípticas e irregulares com diferentes distribuições de seus braços, halos, nuvens de gás e poeira e núcleos brilhantes. Mas como essa classificação morfológica se mantém à medida que olhamos para o passado, quando o Universo era jovem? A resposta, a partir de um levantamento realizado com o telescópio espacial Hubble, é que a sequência é válida há pelo menos 11 bilhões de anos.

- Esta era uma questão chave: quando e ao longo de qual escala de tempo a Sequência de Hubble emergiu? - diz BoMee Lee, astrônomo da Universidade de Massachusetts e principal autor de artigo sobre o levantamento, a ser publicado pelo periódico científico "Astrophysical Journal". - Para fazer isso, precisávamos observar galáxias distantes e compará-las com suas parentes mais próximas para ver se elas também poderiam ser descritas da mesma maneira.

Assim, o levantamento, batizado Candels ("velas" em inglês), observou os tamanhos, formatos e cores de galáxias ao longo dos últimos 80% de História do Universo. Ele revelou que os dois principais tipos de galáxias identificados na Sequência de Hubble, elípticas e espirais, já estavam presentes 11 bilhões de anos atrás, assim como um terceiro, chamadas galáxias lenticulares e que ficam no meio do caminho entre os outros dois tipos.

- Este é o único amplo estudo até agora da aparência visual das grandes e massivas galáxias que existiam tão longe no tempo - afirma o astrônomo Arjen van der Wel, do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha, e coautor do artigo. - As galáxias parecem notadamente maduras, o que não é previsto pelos modelos de formação galática para tão cedo na História do Universo.

Segundo os astrônomos, as galáxias deste Universo jovem podem ser divididas em azuis com intensa formação estelar e estruturas complexos - incluindo discos, protuberâncias e aglomerados irregulares - e massivas galáxias vermelhas que não estão formando mais estrelas, como as vistas no Universo próximo. Galáxias tão ou mais massivas quanto a Via Láctea, no entanto, são um tanto raras no Universo jovem, o que dificultou a obtenção de uma amostra grande o bastante de galáxias maduras para melhor descrevê-las de acordo com a Sequência de Hubble. Desta forma, o levantamento Candels foi planejado para preencher esta lacuna.

- O enorme banco de dados do Candels foi um grande recurso que usamos para estudar de forma consistente as antigas galáxias do Universo primordial - destaca Lee. - A Sequência de Hubble fundamenta muito do que sabemos sobre como as galáxias se formaram e evoluíram, e verificar que ela já estava presente no Universo há tanto tempo atrás é uma descoberta significativa.

(Cesar Baima / O Globo)

Tome Ciência: Pesquisadores do Universo


Convidados falam sobre descobertas recentes e teorias já solidificadas em astronomia e física




De 17 a 23 de agosto, o programa de TV Tome Ciência promove um debate que reúne especialistas em astronomia e física. A origem do universo sempre intrigou a humanidade. Na busca de respostas para os fenômenos da natureza quase sempre o inexplicável é atribuído a razões sobrenaturais.

Mas para os debatedores deste programa - cientistas por opção e profissão - nada é mais natural que procurar explicações para o desconhecido. Ao examinar o Universo com o auxílio das mais avançadas tecnologias, eles questionam inclusive as teorias que já pareciam solidificadas, como a que atribuía a origem de tudo a uma grande explosão, o big bang. Comentam das mais recentes descobertas e explicam a expansão acelerada, que pode vir ser o fim de tudo.

Participantes:
Jaime Fernando Villas da Rocha, doutor em astronomia, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador nacional da Comissão de Ensino da Sociedade Astronômica Brasileira.

Martin Makler, doutor em física na área de cosmologia, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Nelson Pinto Neto, doutor em física e pesquisador titular do CBPF, com pós-doutorado na Universidade Pierre et Marie Curie, na França.

Imagem da internet, meramente ilustrativa.
Maurício Ortiz Calvão, com pós-doutorado em física na Universidade California Berkeley, nos Estados Unidos, é professor da Universidade do Estado Rio de Janeiro(UFRJ).

Apresentado pelo jornalista André Motta Lima, o programa conta com a participação de um Conselho Científico integrado pelas entidades vinculadas à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, permitindo que cientistas de várias especialidades debatam temas da atualidade. Os debates são exibidos em diversas emissoras com variadas alternativas de horários. A programação pode ser conferida pelo site do programa: www.tomeciencia.com.br.

Cientistas Mapeiam Mutações Genéticas Ligadas ao Câncer


Foram identificados 21 padrões de alteração que podem estar ligados a processos que provocam a doença



Imagem da internet meramente ilustrativa.
Pesquisadores da Grã-Bretanha publicaram ontem um dos estudos mais amplos já feitos sobre genômica do câncer, que permitiu identificar mais de 20 "assinaturas genéticas" relacionadas a vários tipos de tumores - informações básicas que, segundo eles, poderão nortear a busca por novos métodos de prevenção da doença.

Foram analisadas quase cinco mil mutações, relacionadas a mais de sete mil casos de câncer, dos mais variados tipos. Com base nisso, os pesquisadores identificaram 21 "assinaturas", ou padrões de alteração genética, que eles acreditam estar diretamente vinculadas a processos específicos que desencadearam a doença.

Algumas assinaturas são específicas de determinados tipos de câncer; outras aparecem em uma variedade de tumores. Algumas estão relacionadas à idade dos pacientes; outras a fatores de risco já bem estabelecidos, como exposição ao fumo ou à radiação solar ultravioleta. Várias, porém, não têm causa estabelecida - por enquanto.

"Os resultados revelam a diversidade de processos mutacionais no desenvolvimento do câncer, com potenciais implicações para a compreensão da etiologia, prevenção e tratamento da doença", afirmam os autores no trabalho publicado pela revista Nature. A pesquisa foi liderada pelo WellcomeTrust Sanger Institute (WTSI), na Inglaterra.

Como explica Sir Mike Stratton, diretor do WTSI, já é sabido que todo câncer é causado por um acúmulo de mutações genéticas, que podem ser herdadas ou adquiridas ao longo da vida. O que os cientistas querem entender melhor é o que causa essas mutações, como a interação de todos esses fatores afeta o desenvolvimento da doença. Ele compara o que os biólogos moleculares querem fazer com as "assinaturas genéticas" ao que fazem os arqueólogos quando estudam as características de uma ruína para entender como era e como vivia um determinado povo.

Fonte: (Herton Escobar/O Estado de S.Paulo)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

XII Semana de Química - Unicamp


A Semana de Química é um evento realizado anualmente no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Aberto para alunos de quaisquer instituições, professores e profissionais da área, conta com estrutura para 400 pessoas em sua 12ª edição. 

As palestras são gratuitas e a inscrição, que varia de R$48,00 a R$60,00 de acordo com a categoria desejada, permite ao congressista participar de 2 minicursos de 8 horas (com certificado) e 1 visita técnica, além do kit congressista. 

A Cerimônia de Encerramento será no Teatro Amil, no Shopping D. Pedro com o renomado autor e docente da University of Cambridge, Peter David Wothers.

Carta da SBC e ABC à Presidenta Dilma Roussef

SBPC-081/Dir. 

Excelentíssima Senhora
Presidenta DILMA VANA ROUSSEFF
Presidência da República Federativa do Brasil

Senhora Presidenta, 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestam a sua preocupação com o anúncio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) da decisão de incluir o chamado "Gás de Xisto", obtido por fraturamento da rocha (shale gas fracking), na próxima licitação, em novembro, de campos de gás natural em bacias sedimentares brasileiras. 

Apesar das notícias publicadas pela Agência Internacional de Energia dos EUA, que sugerem reservas de gás de xisto da ordem de 7,35 trilhões de m3 nas bacias geológicas do Paraná, do Parnaíba, do Solimões e Amazonas, do Recôncavo e do São Francisco (norte da Bahia e sul de Minas Gerais), e das estimativas da ANP, de que as mesmas podem ultrapassar no Brasil o dobro desse número, deve-se destacar o caráter totalmente preliminar dessas possíveis reservas, especialmente devido à falta de conhecimento, até o momento, das características petrográficas, estruturais e geomecânicas das rochas consideradas para esse cálculo, que poderão influir decisivamente na economicidade da sua explotação. 

Por outro lado, a explotação de gás de xisto, apesar do sucesso tecnológico e econômico apresentado principalmente nos Estados Unidos, tem sido muito questionada pelos riscos e danos ambientais envolvidos. 

Enquanto o gás natural e o petróleo ocorrem em estruturas geológicas e nichos próprios, o gás de xisto impregna toda a rocha ou formação geológica. Nesta condição, a tecnologia de extração de gás está embasada em processos invasivos da camada geológica portadora do gás, por meio da técnica de fratura hidráulica, com a injeção de água e substâncias químicas, podendo ocasionar vazamentos e contaminação de aquíferos de água doce que ocorrem acima do xisto. 

Por outro lado, os grandes volumes de água necessários no processo de extração, e que retornam à superfície, poluídos por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha e os próprios aditivos químicos utilizados, exigem caríssimas técnicas de purificação e de descarte dos resíduos finais. A própria captação desta água pode representar uma forte concorrência com outros usos considerados preferenciais, como, por exemplo, o abastecimento humano. 

É importante destacar, por exemplo, que boa parte das reservas de gás/óleo de xisto da Bacia do Paraná no Brasil e parte das reservas do norte da Argentina estão logo abaixo do Aquífero Guarani, a maior fonte de água doce de ótima qualidade da América do Sul. Logo, a exploração do gás de xisto nessas regiões deveria ser avaliada com muita cautela, já que há um potencial risco de contaminação das águas deste aquífero. 

Nesse sentido, não é cabível que sejam imediatamente licitadas áreas de exploração a empresas, excluindo desta forma a comunidade científica e os próprios órgãos reguladores do País da possibilidade de acesso e discussão de todas as informações que poderão ser obtidas, por meio de estudos realizados diretamente pelas Universidades e Institutos de Pesquisas, com a finalidade de obter melhor conhecimento, tanto sobre as propriedades intrínsecas das jazidas e as condições de sua exploração, como das consequências ambientais dessa atividade, que poderão superar amplamente seus eventuais ganhos sociais. 

Face ao exposto, e tendo em vista os resultados das discussões realizadas durante a 65ª Reunião da SBPC em Recife, Pernambuco, de 22 a 27 de julho de 2013, solicitamos à Presidenta da República, que seja sustada a licitação de áreas para explotação de Gás de Xisto, na 12ª Rodada prevista para novembro próximo, por um período suficiente para aprofundar os estudos, realizados por ICTs públicas, sobre a real potencialidade da utilização da fratura hidráulica e os possíveis prejuízos ambientais. 

Muito Cordialmente, 

HELENA BONCIANI NADER, Presidente da SBPC 

JACOB PALIS, Presidente da ABC

C/C: Presidentes da Câmara e do Senado, ANP, CNPEM, MME, MCTI, MMA, CTPetro, FINEP, CNPq e Sociedades Associadas à SBPC.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Começou Hoje em Pacoti O Ciência em Cena

Começou hoje (07/08) o Ciência em Cena na cidade de Pacoti interior do estado do Ceará, o Ciência em Cena é um Encontro Nacional de Teatro Científico, que ocorre anualmente desde 2007, o qual grupos que difundem a ciência servindo-se das artes artes cênicas, reúnem-se em diversos lugares do Brasil para divulgação da ciência através do teatro.

Um Pouco de História...

O primeiro e o segundo Ciência em Cena ocorreram na cidade de São Carlos-SP, tendo como organizador o Grupo Ouroboros da UFSCar. A terceira edição, realizou-se em Mossoró-RN, tendo como organização o Grupo Fanáticos da Química. A quarta edição foi realizada em Fortaleza-CE sob organização do Grupo Seara da Ciência. O quinto Ciência em Cena foi sediado em São Carlos novamente, sob a organização do Grupo Ouroboros. A sexta edição, realizado em 2012, teve como sede a cidade de Caxias-MA, sob a organização do Grupo Letrafisic-UEMA.


E este ano...

o VII Ciência em Cena será realizado em Pacoti-Ce, uma cidade serrana do Ceará. O lugar para realização do evento será na Estação Experimental Ecológica da UECE em Pacoti. A organização da atual edição coube ao Grupo Tubo de Ensaio da FACEDI/UECE.

E o Grupo Capela da Ciência...

está participando ativamente com a apresentação de uma peça a partir de uma adaptação livre do livro "O Método científico: como o saber mudou a vida do homem" de Leopoldo de Meis. E durante todo o evento o grupo estará fazendo a cobertura completa do evento com fotos e vídeos.

Aguardem novas atualizações o evento esta apenas começando...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O cientista não tem a formação necessária para fazer divulgação científica, diz especialista



Para conferencista da reunião da SBPC, os pesquisadores devem se unir a pessoas que saibam dizer o que ele quer comunicar


            O cientista não tem a formação necessária para fazer divulgação científica, por isso, precisa se unir a profissionais que conheçam de arte, como jornalistas, designers e artistas - pessoas que saibam dizer o que o pesquisador quer comunicar. A opinião é do diretor do Espaço Ciência e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Antonio Carlos Pavão, e foi dada na sua conferência 'Produção e divulgação científica: o binômio necessário', da programação da 65ª Reunião Anual da SBPC.

            Pavão acredita que a apropriação do conhecimento deveria ser social. "Temos que entender que a construção do conhecimento é coletiva", explicou. "Quando construo uma teoria alguém também trabalhou antes para o desenvolvimento da pesquisa, com outras teorias que ajudaram na conclusão do projeto." Segundo ele, produção, divulgação e ensino de ciência são termos indissociáveis.

            Para ele, a saída para que o pesquisador faça divulgação científica é aproveitar todos os espaços. "Temos que usar todos os espaços disponíveis porque tudo tem ciência: a imprensa, a publicação de artigos, a participação em eventos científicos", disse. Na opinião de Pavão, é preciso que o cientista se aproprie dos conceitos de divulgação científica, afinal o conhecimento é para ser compartilhado e discutido e não para ser propriedade de alguém.

            Para aproximar os cientistas dos estudantes e da sociedade, Pavão acredita que uma das soluções seriam palestras organizadas por museus de ciência e programas de educação. "Essas instituições deveriam ter a obrigação de gerar um caminho para divulgar o trabalho dos cientistas", defendeu. Antes, na opinião do pesquisador, a divulgação das pesquisas era mais simples, natural e clara. "Hoje, muitas vezes, nem o próprio pesquisador entende o que ele está escrevendo", brincou.

            No entender de Pavão, a produção e a divulgação científica devem ser disseminadas na sociedade. "Os cientistas precisam ser mais claros ao dar entrevistas, enquanto os jornalistas precisam se preparar melhor ao coletar as informações", disse. Para Pavão, a mídia tem um papel fundamental para a disseminação do trabalho, mas ressaltou que os profissionais da área precisam se preparar.

            Ele deu exemplos, para deixar claro o que pensa. "Quem cobre esporte sabe muito sobre o assunto, e quando vai fazer uma pergunta para um treinador, por exemplo, a faz com embasamento", disse. "A mesma coisa deve ser feita quando ele vai entrevistar um cientista. Se ele fizer uma pergunta banal, não irá tirar a melhor resposta do entrevistado." Ao mesmo tempo, Pavão acredita que o cientista deve ser claro em suas declarações. "Ninguém é obrigado a entender termos técnicos", disse. "O cientista precisa usar caminhos para que a pesquisa possa ser entendida pelo público."

            O professor da UFPE disse ainda que o sonho de todo cientista é aparecer na grande mídia. "Todos têm sonhos de que suas pesquisas sejam passadas na Rede Globo", afirmou. "Mas isso só vai acontecer se a pesquisa tiver uma grande repercussão. Ou seja, que ela tenha um grande impacto na sociedade como aconteceu com um trabalho que fiz com meu grupo ao conseguimos reproduzir os 'raios-bola' em laboratório." Segundo Pavão, essa repercussão aconteceu porque havia um grande mistério diante da bola luminosa que acontecia durante a queda de um raio. "Existiam diversas histórias, como por exemplo, que esses raios entravam nas casas e matavam as pessoas", explicou.

            O professor lembrou que, ao longo da história humana, as nações que mais se desenvolveram foram as que detinham o conhecimento, que sempre foi utilizado como sinônimo de poder. Por isso, é necessário reconhecer a importância social e política do saber científico como fator de mudança da história. Ele citou alguns fatos históricos que mudaram o rumo da humanidade, como a criação da bomba atômica e as grandes navegações realizadas por Portugal e Espanha, que buscavam cravo, pimenta e outras especiarias da Índia. "As descobertas ajudaram a desenvolver a Europa", explicou. "Os produtos eram estratégicos para esses países."

JC e-mail 4777, de 26 de Julho de 2013.
(Vivian Costa/Ascom da SBPC)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ciência e arte são atividades com a mesma raiz humana, diz vencedor do Prêmio José Reis



Em conferência na reunião da SBPC, Ildeu de Castro Moreira listou dez mandamentos para a popularização da ciência no Brasil.

         A divulgação científica tem crescido no Brasil do ponto de vista numérico, mas ainda não é suficiente, pois os setores sociais não têm sido beneficiados. A afirmação foi feita por Ildeu de Castro Moreira, do Instituto de Física da UFRJ, na conferência "Que divulgação científica é esta? Desafios da popularização da ciência no Brasil" realizada na terça-feira, dia 23 na 65ª Reunião Anual da SBPC, no Recife.
         Os desafios da popularização da ciência no Brasil são enormes. Vencedor da 33ª edição do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, Ildeu listou dez pontos que devem ser analisados e debatidos por toda a sociedade. "É uma espécie de dez mandamentos que servem de base para pensarmos na divulgação científica que estamos fazendo e como podemos mudar", disse. Segundo ele, no Brasil se divulga ciência desde o século XIX.
         O primeiro grande desafio é melhorar a qualidade da educação científica de forma permanente. "É necessário uma campanha mais intensa, mais dura para melhorar a educação. Nossas escolas não ensinam sobre nossos cientistas, que em sua maioria tiveram e tem um papel fundamental na divulgação científica do país", afirmou. Ainda segundo ele, a história da ciência deveria ser ensinada nas universidades.
         De acordo com Ildeu, apenas 15% dos brasileiros são capazes de citar um cientista brasileiro ou uma instituição científica. "A escola básica não mostra isso aos seus alunos. Isso precisa mudar e a divulgação científica pode ajudar", afirmou. Atingir setores mais amplos, melhorar a acessibilidade e a entrada na mídia foram outras questões destacadas. De acordo com o professor, é preciso levar a ciência aonde as pessoas estão, não adianta só ter museus. "A estratégia para os próximos anos não é só criar novos espaços, mas discutir os locais. Sempre se faz dentro das universidades, vamos repensar essa ótica", propôs Ildeu, que chamou a atenção para a média de público que visita um museu no Brasil. "Estamos na escala de 180 mil pessoas, mas temos que multiplicar por dez, colocar essa meta. Mas para isso precisamos de políticas públicas direcionadas", apontou.
         A formação foi outro ponto apresentado pelo professor. Estimular a divulgação científica entre os jovens mestres e doutores é fundamental, segundo ele. "Temos que dizer a eles que isso é importante para que eles possam mostrar para a população o que estão fazendo dentro dos laboratórios. Para isso, vamos discutir outros procedimentos e até a carga didática dos cursos", opinou.

Integração ciência, cultura e arte
         Ciência e arte são atividades com a mesma raiz humana, mas com olhares diferentes. "Temos que aprender que ciência e arte podem interagir sem que uma deturpe a outra", afirmou Ildeu, que completou sua lista de desafios com a necessidade da organização de mais eventos, mais políticas públicas, menos burocracia e apropriação social da ciência.
         A apropriação social da ciência ainda não foi alcançada, de acordo com o professor. "O social deve estar ligado à inovação. Inovar significa melhorar a educação, a saúde, as condições de vida do cidadão, mas esse não é o pensamento predominante. São questões que a ciência e a tecnologia podem resolver, mas que não acontecem por falta de políticas públicas", afirmou.
JC e-mail 4775, de 24 de Julho de 2013.
(Edna Ferreira / Jornal da Ciência)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sensor químico indica concentração de ozônio no ambiente



Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, desenvolveram um novo método para medir a concentração de ozônio no ambiente. O ozônio é um composto tóxico para o homem, plantas e animais, que pode danificar diversos materiais, como borracha e corantes, e contribuir para o aumento do efeito estufa.
          Portátil, mais barato e mais fácil de ser utilizado do que outros equipamentos existentes para essa função, o dispositivo começou a ser desenvolvido durante um projeto de pesquisa, realizado com apoio da FAPESP, e resultou em uma patente, depositada com auxílio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI/Nuplitec), da FAPESP.
          “Realizamos uma pesquisa sobre sistemas analíticos para determinação de ozônio no ambiente e vimos que existiam poucos métodos químicos para essa finalidade”, disse Arnaldo Alves Cardoso, professor do Instituto de Química da Unesp de Araraquara e autor do projeto, à Agência FAPESP.
          “Com base nessa constatação, buscamos desenvolver, a partir do início de 2000, um novo método químico para determinação da concentração de ozônio em ambiente. O método é mais indicado para realizar medidas pontuais em ambientes internos, por exemplo, para as quais não vale a pena adquirir equipamentos eletrônicos existentes hoje, que são sofisticados e caros”, disse Cardoso.
          O sensor desenvolvido é baseado na reação do ozônio com o índigo – corante utilizado na indústria têxtil para tingir tecidos, como o jeans, e na indústria alimentícia para conferir a cor azul anil a balas, chicletes e sucos em pó –, que, na presença do composto, se oxida e descolore.
          Um filtro de celulose impregnado com índigo, em formato circular e com apenas 2 cm de diâmetro, é inserido dentro de uma seringa descartável de plástico com etilenoglicol – substância que aumenta a umidade do filtro e, dessa forma, facilita a reação do ozônio com a superfície do material.
          A aspiração do ar por meio da seringa faz com que ozônio presente provoque a descoloração do índigo contido no filtro de celulose. Dessa forma, quanto maior a concentração de ozônio na amostra de ar coletada de um determinado ambiente, mais clara será a tonalidade do papel.
          Inicialmente, o índigo restante ao final da amostragem era extraído e sua cor determinada por um colorímetro – equipamento que mede a intensidade de cores. Mais recentemente o método foi adaptado para fazer a leitura diretamente no filtro por meio de uma escala de 30 tons de azul, elaborada pelo doutorando Gabriel Garcia a partir de imagens digitalizadas de filtros contendo índigo e que pode ser impressa em qualquer impressora comercial.
          Após algumas horas de duração do teste, a coloração final do filtro é comparada com a escala na qual cada intervalo corresponde a uma concentração de, aproximadamente, 3 ppb (partes por bilhão) de ozônio. Se a diferença entre a cor inicial e a final do filtro de celulose corresponder a 20 tons da escala, por exemplo, a concentração de ozônio na amostra de ar coletada será de, aproximadamente, 60 ppb – medida considerada alta.
          “Por meio da tabela de variações de tons de índigo elaborada pelo Gabriel é possível fazer comparações visuais para saber qual a concentração de ozônio em um determinado ambiente”, disse Cardoso.
Comparações de equipamentos
          Os pesquisadores compararam o desempenho do novo método químico com o equipamento utilizado por órgãos responsáveis pelo monitoramento da qualidade do ar – como o da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em São Paulo – para determinar as concentrações de ozônio na atmosfera em ambientes abertos. Para isso, usaram um equipamento semelhante ao que possuem no Instituto de Química da Unesp de Araraquara e que foi adquirido com recursos da FAPESP.
          Os experimentos, realizados no campus da Unesp em Araraquara, revelaram que os resultados das medições feitas com o sensor químico foram muito próximos das realizadas com o equipamento eletrônico, que custa cerca de US$ 10 mil.
          A diferença entre eles, no entanto, é que enquanto o equipamento eletrônico faz as análises e indica a concentração de ozônio em tempo real, o sensor químico, que custa cerca de R$ 400, fornece a concentração média de um determinado dia, após algumas horas de duração do teste.
          “O sensor que desenvolvemos não substitui totalmente os equipamentos eletrônicos utilizados para medir concentração de ozônio na atmosfera”, ressalvou Cardoso.
          “O equipamento eletrônico indica a concentração de ozônio no ambiente minuto a minuto e, dessa forma, possibilita observar variações rápidas. Já o nosso método permite observar se a concentração de ozônio em um determinado local está alta ou baixa e saber qual o valor médio”, comparou.
          Por ser uma opção mais barata e portátil, segundo o pesquisador, o sensor pode ser uma alternativa para monitorar lugares distantes dos grandes centros urbanos – uma vez que o ozônio está deixando de ser um problema exclusivo das metrópoles – e ambientes internos, que também passaram a gerar o composto.
          Como o ozônio possui propriedade bactericida, eliminando microrganismos da água e do ar e compostos orgânicos que geram odores desagradáveis, como o de cigarro, o gás passou a ser produzido nos últimos anos em uma ampla gama de eletrodomésticos: purificadores de ar, máquinas de lavar roupas e ventiladores, além de lâmpadas germicidas. Além disso, vem sendo misturado na água de piscinas, aquários e utilizado como desodorizante de ambientes e fungicida de grãos.
          Dessa forma, os ambientes internos passaram a contribuir para aumentar a concentração e a exposição das pessoas ao gás, que, em ambientes externos, é formado na atmosfera a partir de reações químicas envolvendo a luz solar, óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis emitidos na evaporação de combustíveis, dos escapamentos dos veículos e até mesmo pela vegetação, como florestas de eucalipto.
          “O grande problema da geração de ozônio em ambientes internos é que ela será somada à produzida em ambientes externos e potencializará a concentração do gás no ar. E isso não se aplica só ao caso deste poluente”, afirmou Cardoso.
Falta de legislação
          Outro problema apontado por Cardoso é que, enquanto há uma legislação bastante rigorosa em cidades como São Paulo para limitar a geração de ozônio em ambientes externos, de modo a não afetar a qualidade do ar, ainda não existem normas que regulem a geração do gás tóxico em ambientes fechados, a despeito do uso “doméstico” cada vez maior do composto.
          Além disso, segundo Cardoso, ainda não se sabe exatamente a quantidade de ozônio gerada pelos eletrodomésticos geradores do gás e qual a concentração residual do composto em ambientes fechados após a utilização desses equipamentos.
          “A falta de especificações técnicas desses equipamentos e de uma legislação que controle a geração de ozônio em ambientes fechados são problemas muito sérios que precisam ser discutidos”, afirmou.
          De acordo com o pesquisador, os valores-limites de concentração de ozônio em ambientes fechados devem ser os mesmos estabelecidos pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento da qualidade do ar para ambientes fechados.
          No final de abril, a Cetesb, por exemplo, baixou um decreto estadual que reduziu de 70 para 50 ppb a concentração máxima tolerável de ozônio na atmosfera do Estado de São Paulo em um intervalo de 8 horas.
          Em medições realizadas com o sensor químico em Araraquara, no entanto, os pesquisadores da Unesp detectaram concentrações de ozônio no ar de até 85 ppb e constataram que a quantidade do gás no ar da região aumenta no meio e no final do verão e durante o período da queima da cana-de-açúcar. “A queima de biomassa aumenta a emissão de compostos na atmosfera que favorecem a formação de ozônio”, explicou Cardoso.
          Já na cidade de São Paulo, que possui a maior frota veicular do país, só em 2012 a concentração de ozônio na região do Parque do Ibirapuera ultrapassou 36 vezes a marca de 81 ppb, segundo dados da Cetesb.
          “Apesar de os carros contarem com catalisadores, como a frota aumenta cada vez mais e, com o passar dos anos, a velocidade média dos veículos vem caindo, está se emitindo muito mais compostos para a atmosfera na cidade que provocarão a formação de ozônio”, disse Cardoso.
          O sensor desenvolvido na Unesp já despertou o interesse de algumas empresas que trabalham com geração de ozônio, mas ainda não está sendo comercializado, em grande parte por causa da falta de legislação que estabeleça limites de geração do composto em ambientes internos.
          Para facilitar seu uso em ambientes fechados uma alternativa já desenvolvida é um sistema em que pequenos filtros impregnados com índigo são colocados dentro de um recipiente aberto e, após algumas horas, retirados para analisar sua coloração e medir a concentração de ozônio. Neste caso não é necessária a utilização de equipamento para aspiração do ar porque o contato do ar ambiente com o índigo é suficiente para provocar a descoloração.
          “O sensor ainda não foi comercializado para ser aplicado em ambientes fechados por falta de demanda de mercado. Mas, independentemente disso, temos buscado desenvolver métodos químicos que façam a determinação de ozônio de forma mais simples, barata e acessível”, disse Cardoso.
11/07/2013

Por Elton Alisson

terça-feira, 16 de julho de 2013

EUA Apresentam Robô Humanoide para Atuar em Emergências

A Darpa, agência de desenvolvimento tecnológico do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, apresentou seu robô Atlas.
Com dois braços, duas pernas, 1,80 metro de altura e 150 quilos, tem o que seus criadores chamam de "antropometria quase humana".
O robô está sendo desenvolvido para atuar em situações de emergência onde atividades normalmente desempenhadas pelo corpo humano - como acionar alavancas, apertar botões ou abrir portas - são necessárias, mas onde pessoas de carne e osso não teriam chance de sobreviver, como acidentes graves em instalações nucleares.
A Darpa estabeleceu um prêmio de US$ 2 milhões para que equipes de pesquisadores criem softwares para ensinar ao robô a fazer coisas como fechar válvulas ou acionar interruptores.
Durante a apresentação ao público, o Atlas moveu as mãos como se estivesse dando cartas numa mesa, e caminhou. O robô foi projetado pela empresa Boston Dynamics.
De acordo com reportagem sobre o robô publicada no jornal The New York Times, embora sistemas robóticos - softwares - já sejam capazes de pilotar aviões ou guiar automóveis, a complexidade envolvida em comandar de um corpo semelhante ao humano é muito maior, e ainda deve demorar para que modelos baseados no Atlas possam realmente ir a campo.
Gill Pratt, um administrador da Darpa, mencionou os 19 bombeiros americanos que morreram em ação no Arizona, na semana passada. "Muitos de nós, no campo da robótica, vemos eventos assim no noticiário, e o que nos comove profundamente é um sentimento de, não poderíamos fazer melhor?", disse.
Pratt disse que a versão atual do Atlas é como uma criança de um ano de idade, mas deve aprender depressa.
Fonte: Carlos Orsi em 15/07/2013

Laser Substitui Furadeira e Serra em Cirurgia Craniana

Quando o cérebro começa a inchar depois de um acidente vascular cerebral, a cirurgia é frequentemente a única opção de tratamento - uma cirurgia que consiste em abrir o crânio do paciente para drenar o acúmulo de líquido.
Laser substitui furadeira e serra em cirurgia cranianaE, em termos de ferramentas para realizar a incisão, as únicas opções são furadeira e serra.
Em breve, contudo, o crânio poderá ser cortado com muito maior precisão, e menor risco para o paciente, usando um feixe de laser.
Pesquisadores do Instituto de Microssistemas Fotônicos, na Alemanha, criaram microespelhos que cobrem uma superfície muito maior do que os atuais, permitindo guiar feixes de laser de grande diâmetro.
O feixe de laser é levado até o instrumento de mão através de um braço espelhado articulado. Seu núcleo consiste de dois novos tipos de microespelhos.
O primeiro faz a incisão no crânio - ele dirige o feixe de laser de forma dinâmica ao longo dos ossos do crânio. O segundo ajusta qualquer mau posicionamento.
A novidade é que os componentes são miniaturizados, podendo tolerar lasers com potência de até 20 watts - o que é cerca de 200 vezes mais do que os microespelhos convencionais.
Além disso, os espelhos - que medem 5 x 7 milímetros e 6 x 8 milímetros - são muito grandes e, assim, também podem orientar feixes de laser de grandes diâmetros. Para comparação, os microespelhos atuais medem entre 1 e 3 milímetros.
Enquanto o painel de silício dos microespelhos convencionais é espelhado por uma camada de alumínio medindo 100 nanômetros de espessura, os novos microespelhos têm suas camadas reflexivas aplicadas eletricamente diretamente sobre o substrato.
Na faixa visível do espectro, os novos espelhos refletem não apenas 90% do feixe de laser, como acontece hoje, mas 99,9%.
Preocupado com um médico disparando um laser na sua cabeça? Pode ficar tranquilo, porque o controle do laser é muito mais preciso do que uma furadeira e uma serra na mão mesmo do mais talentoso cirurgião - sobretudo quando o assunto é a hora de parar de furar e cortar.
Fonte: Site Inovação Tecnológica. Acessado em 16/07/2013;

Vídeo Holográfico Alcança Resolução de TV

Vídeo holográfico alcança resolução de TV
Pela primeira vez, vídeos holográficos foram produzidos com resolução equivalente a uma TV comum. [Imagem: Daniel Smalley]
Uma nova técnica para a geração de hologramas está prometendo não apenas mostrar vídeos holográficos coloridos com a mesma resolução das TVs, como também beneficiar as telas 2D comuns, como as de monitores de computador e das próprias TVs.
Além dos excelentes resultados preliminares obtidos, a nova técnica é baseada em materiais de baixo custo.
Daniel Smalley e seus colegas do MIT, nos Estados Unidos, construíram um protótipo de tela holográfica colorida cuja resolução é aproximadamente a de uma TV de definição padrão, o que é muito melhor do que qualquer vídeo holográfico visto até hoje.
O projetor holográfico pode atualizar as imagens de vídeo 30 vezes por segundo, rápido o suficiente para produzir a ilusão de movimento suave.
Holografia optoacústica
O coração do projetor holográfico é um chip híbrido que manipula ondas de som e ondas de luz.
Mas o que mais chama a atenção é que Smalley construiu esse chip nos laboratórios da própria universidade, a um custo de cerca de US$ 10.
"Todo o resto lá custa mais do que o chip. A fonte de alimentação custa mais do que o chip. Os plásticos custam mais do que o chip," resume o professor Michael Bove, coordenador do trabalho.
Isto foi possível graças à adoção de uma técnica, chamada modulação optoacústica, que é diferente da tradicionalmente usada em holografia.
Na holografia optoacústica - ou, mais precisamente, acústico-óptica - ondas sonoras geradas com precisão são disparadas através de um pedaço de material transparente para alterar sua estrutura:
"As ondas basicamente comprimem e esticam o material, mudando o índice de refração. Então, se você dispara um laser através dele, [as ondas] irão difratar a luz do laser," explica Bove.
Basta então alterar as ondas sonoras para manipular as ondas de luz com precisão.
Vídeo holográfico alcança resolução de TV
As frequências das ondas acústicas passando pelo cristal determinam quais cores vão passar e quais serão filtradas. [Imagem: Daniel Smalley/MIT Media Lab]
Manipulação da luz com som
Esta técnica acústico-óptica já foi usada em outros protótipos de projetor holográfico, mas usando um material muito caro e difícil de produzir, chamado dióxido de telúrio.
Os pesquisadores agora usaram um cristal muito menor e de um material barato, chamado niobato de lítio.
Logo abaixo da superfície do cristal, Smalley criou canais microscópicos, conhecidos como guias de onda, que confinam a luz. Em cada guia de onda, ele depositou um eletrodo de metal, que vibra para produzir uma onda acústica.
Cada guia de ondas corresponde a uma linha de pixels na imagem final. Como eles são muito pequenos, e podem ficar a apenas alguns micrômetros uns dos outros, a resolução do vídeo pode ser bastante elevada em relação aos projetores anteriores.
Feixes de luz vermelha, verde e azul são enviados a cada guia de ondas, e as frequências das ondas acústicas passando pelo cristal determinam quais cores vão passar e quais serão filtradas.
Tecnologia para telas 2D
A grande vantagem da técnica é a simplicidade.
Por exemplo, combinar vermelho e azul para produzir roxo, não exige um guia de ondas separado para cada cor - tudo o que é necessário é gerar uma onda acústica com padrão diferente.
"Até agora, se você queria construir um modulador de luz para um projetor de vídeo, para uma tela LCD ou algo parecido, você tinha de manipular a luz vermelha, a luz verde e a luz azul separadamente," compara Bove.
"Se você olhar atentamente para um painel LCD, cada pixel na verdade tem três filtros de cores. Há um subpixel vermelho, um subpixel verde e um subpixel azul.
"Primeiro de tudo, isto é ineficiente, porque os filtros, mesmo que fossem perfeitos, iriam desperdiçar dois terços da luz. Mas, em segundo lugar, isto reduz ou a resolução ou a velocidade com que o modulador pode operar," conclui o pesquisador, ressaltando que é por isso que a nova técnica de vídeo holográfico também poderá ser usada nas telas 2D convencionais.
Bibliografia:

Anisotropic leaky-mode modulator for holographic video displays
D. E. Smalley, Q. Y. J. Smithwick, V. M. Bove, J. Barabas, S. Jolly
Nature
Vol.: 498, 313-317
DOI: 10.1038/nature12217