segunda-feira, 22 de abril de 2013

Inpa e universidade japonesa mapearão genoma de peixe-boi


Equipamento de sequenciamento de DNA de nova geração, da Universidade de Kyoto, permitirá aos pesquisadores obterem mais informações e ampliarem o conhecimento sobre a espécie

Peixe-boi. Imagem da Internet
O mapeamento do genoma do peixe-boi-da-amazônia será realizado, pela primeira vez, por meio de um acordo de cooperação entre o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Centro de Pesquisa de Vida Selvagem (WRC - sigla em inglês), da Universidade de Kyoto (Japão).

A ideia do projeto, pioneiro com mamíferos aquáticos no Brasil, é sequenciar o código genético do peixe-boi com um equipamento de sequenciamento de DNA de nova geração da Universidade de Kyoto, que permitirá aos pesquisadores obterem mais informações e ampliarem o conhecimento sobre a espécie.

A pesquisadora Vera Silva, da Coordenação de Biodiversidade (CBio/Inpa) e do LMA, explica os procedimentos da coleta: "O sangue de dois peixes-bois machos vivos do plantel (lote de animais) do Inpa foi coletado pelo veterinário do LMA, e os pesquisadores japoneses vieram ao instituto, no laboratório temático de genética, e extraíram o DNA que vai ser utilizado para sequenciar o genoma, isto é, toda a sequência do código genético ou da informação hereditária de um organismo codificada em seu DNA, que forma o animal".

Segundo a pesquisadora, o equipamento tem o potencial de acelerar as pesquisas biológicas e biomédicas, permitindo uma completa análise do genoma. "Depois do mapeamento vamos conseguir ampliar ainda mais o nível de pesquisas e conhecimento sobre a biologia e a ecologia do animal no seu ambiente natural - por exemplo, identificar com mais facilidade doenças, ocorrência de parasitas, hábitos alimentares e outros pontos", ressalta.

A parceria com a Universidade de Kyoto foi concretizada em 2012, quando o diretor do Inpa, Adalberto Val, selou formalmente os convênios com a instituição japonesa.


(Fernanda Farias - Ascom do Inpa)

Inscrições para o Prêmio Jovem Cientista


Objetivo é promover a reflexão e a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução de desafios brasileiros

Jovens cientistas começam a ser convocados em todo o país para o Prêmio Jovem Cientista, premiação organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com Fundação Roberto Marinho, Gerdau e General Eletric. O prêmio tem objetivo de promover a reflexão e a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução de desafios brasileiros.

As inscrições poderão ser feitas de 6 de maio ao dia 30 de agosto pelo site do Prêmio Jovem Cientista. Para participar é preciso ter menos de 40 anos e estar ligado a instituição de ensino. As categorias são estudantes de ensino médio - que inclui estudantes de ensino técnico e profissionalizante -, estudantes de ensino superior e mestre doutor.

Haverá prêmio de mérito científico para a instituição de ensino médio e para a de ensino superior que apresentarem o maior número de inscrições de trabalhos com mérito científico. Será premiado também um pesquisador doutor que tenha dedicado a carreira ao tema abordado pelo prêmio. O  deste ano é Água: Desafios da Sociedade.

Antes da abertura das inscrições, uma equipe começou, esta semana, a percorrer cidades brasileiras para divulgar a premiação para secretarias de Educação e escolas de ensino médio. Hoje (18) as visitas foram feitas em Brasília. "O prêmio incentiva a pesquisa e é importante para que tenhamos jovens que se motivem a trabalhar com inovação, o que não é muito incentivado nas escolas", diz Marlise Levorsse de Almeida, uma das donas de escola visitada esta manhã. A proposta foi apresentada aos professores e deve chegar na semana que vem às salas de aula.

Os professores, na etapa, ocupam um papel importante, explica a gerente de Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho, Andrea Margit. "São eles que vão acompanhar e orientar os projetos". Por isso, é oferecido a esses profissionais um kit que contém um caderno conteúdo, com sugestões de planos de aula e fichas de exercícios para serem desenvolvidos pelos estudantes.

Além das visitas, em maio, ocorrerão oficinas para estudantes do ensino médio para que tenham contato com o método científico, que será empregado nos projetos. Elas terão a duração de quatro horas e serão feitas em dez capitais: Belém, Campo Grande, Curitiba, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Brasília. As inscrições para as oficinas podem ser feitas a partir da semana que vem, também pelo portal do prêmio.

Os prêmios vão de R$ 15 mil a R$ 30 mil para a categoria de mestre e doutor e de R$ 10 mil a R$ 15 mil para nível superior. No ensino médio, os três primeiros lugares recebem laptops. As instituições premiadas recebem R$ 35 mil cada e o pesquisador doutor premiado recebe R$ 20 mil. Os vencedores também são contemplados com bolsas de estudo do CNPq, além da publicação dos trabalhos. As empresas parceiras, Gerdau e General Eletric, oferecerão visitas aos laboratórios globais de pesquisa.

A estudante Ana Gabriela Person foi a vencedora do prêmio em 2011 na categoria de estudante de ensino médio. Ela foi incentivada pela professora a inscrever o projeto que desenvolvia na instituição de ensino técnico onde estudava. Ana Gariela propôs a utilização de materiais orgânicos para armazenar e transportar mudas de plantas no lugar dos saquinhos pretos de polietileno usados atualmente.

"O prêmio foi importante para que eu pudesse divulgar o meu trabalho. Cheguei a apresentá-lo em mais duas feiras de ciência de nível nacional e ele foi muito bem aceito. Ganhei mais uma premiação pelo projeto", diz.

(Mariana Tokarnia / Agência Brasil)

Brasil tem Três Computadores para cada Cinco Habitantes

Imagem da Internet. Meramente inlustrativa

Pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV mostra que o número de computadores dobrou em quatro anos

A quantidade de computadores em uso no Brasil, somados os corporativos e os domésticos, chega a 118 milhões, aponta pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada nesta quinta-feira (18). Isso significa que existem, no país, três computadores para cada cinco habitantes.

O estudo mostrou também que o número de computadores dobrou no período de quatro anos. Para este ano, a FGV estima que serão comercializados 22,6 milhões de unidades, o que equivale a uma unidade por segundo.

A projeção para daqui três anos é que o país tenha um computador por habitante, com 200 milhões de unidades. Esse crescimento será puxado, explica o professor Fernando Meirelles, coordenador da pesquisa, pelo aumento previsto nas vendas de tablets, também classificado como computador pela pesquisa.

O levantamento, que é feito há 24 anos e divulgado anualmente, consultou 5 mil grandes e médias empresas com 2,2 mil respostas válidas.

(Fernanda Cruz, Agência Brasil)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Grupo da UNESP descobre novo material






Filamentos de prata irradiados com elétrons têm propriedades bactericida, fotoluminescente e fotodegradante mais elevadas do que material sintetizado por outras rotas

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, descobriram um material com propriedades bactericida, fotoluminescente e fotodegradante que poderá ter aplicações importantes em muitas áreas, como na indústria de alimentos. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (17/04) na revista Scientific Reports do grupo Nature.

            O grupo, que também faz parte do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, conseguiu obter filamentos de prata metálica em um composto formado por óxido de prata e tungstênio (chamado de tungstato) a partir de uma nova rota de síntese do material.

“Esses filamentos têm propriedades aumentadas em relação ao material convencional e foram obtidos por meio de uma rota inusitada, até então inédita e sem descrição na literatura científica”, disse Elson Longo, um dos autores do artigo, à Agência FAPESP. O estudo também contou com a participação de cientistas do Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos e da Universitat Jaume I, na Espanha. 

            Longo é coordenador do CMDC e do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN), também apoiado pela FAPESP, ambos com sede no Instituto de Química da Unesp. Nos últimos dois anos, Longo e outros pesquisadores do CMDC iniciaram um projeto para entender a origem de algumas propriedades ópticas – como a fotoluminescência – apresentada pelo tungstato de prata por meio de microscópios eletrônicos de varredura de alta resolução e de transmissão.

            Durante o estudo, o grupo verificou um crescimento exponencial de filamentos de prata metálica em escalas nanométrica (bilionésima parte do metro) e micrométrica (milionésima parte do metro) em diferentes regiões da superfície de cristais de tungstato.

            “Em um primeiro momento, achamos que os filamentos eram de carbono. Depois de cinco meses de trabalho de análise das amostras de cristais de tungstato, constatamos que, de fato, cresciam filamentos de prata na superfície do material”, contou Longo.

            Ao estudar os mecanismos de crescimento e as propriedades fotoluminescentes dos filamentos de prata, por meio de um projeto realizado com apoio da FAPESP, os pesquisadores identificaram que os elétrons dos microscópios de varredura e de transmissão que incidem nos cristais de tungstato induziam uma reação química no material que possibilitava o crescimento dos filamentos de prata metálica.

            Segundo Longo, a interação dos elétrons gerados pelos microscópios – principalmente os de varredura, cujas partículas são mais energéticas – com os íons de prata do tungstato promove a redução a prata metálica. “Vimos os filamentos de prata metálica crescerem no tungstato de forma clara em uma sequência curta de imagens. Essas imagens estão publicadas na internet no artigo na Scientific Reports”, contou Longo.

            “Quanto maior o tempo de interação entre os elétrons com os íons de prata, maior é o crescimento dos filamentos de prata metálica, e é possível observar esse fenômeno por meio de microscópio de varredura ou de transmissão”, explicou.

            De acordo com os pesquisadores, o efeito de eletrossíntese de filamento de prata que observaram tem semelhanças com a reação que provoca o efeito fotoelétrico descrito por Albert Einstein (1879-1955) em 1905 e que rendeu o prêmio Nobel de Física ao cientista alemão em 1921.

            Enquanto no efeito fotoelétrico é o fóton de uma radiação eletromagnética – como a luz – que, ao incidir sobre metal, pode ejetar elétrons do material, dependendo de sua energia, no caso do efeito de eletrossíntese é o elétron que, ao incidir sobre um material metálico – neste caso, o tungstato –, provoca uma reação química de redução-oxidação, ou redox.

            “Esse fenômeno – que denominamos no artigo de ‘síntese de filamento de prata dirigido por elétrons’ – é muito inovador e até então ninguém havia conseguido explicá-lo”, disse José Arana Varela, professor titular do Instituto de Química da UNESP e um dos autores da pesquisa e do artigo.

            “No artigo agora publicado, explicamos como essa reação redox é induzida pelos elétrons irradiados pelo microscópio de varredura e de transmissão”, afirmou Varela, que também é diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

 
Novo material

            Segundo os pesquisadores da UNESP, outros grupos de pesquisa internacionais já haviam conseguido obter filamentos de prata metálica a partir do tungstato de prata, mas isso por rotas de síntese do material totalmente diferentes da que utilizaram. Uma dessas rotas é a hidrotérmica, com a aplicação de pressão e temperatura para se obter o produto.

            Mas até então não havia se tentado obter o material por meio da irradiação de elétrons em tungstato – como fez o grupo brasileiro –, que aumenta as propriedades fotoluminescente, fotodegradante e bactericida dos filamentos de prata metálica em comparação ao mesmo produto obtido por meio de um processo diferente.

            “Esse novo material apresenta vantagens em relação aos métodos bactericidas atuais, nos quais se deposita prata em materiais – como polímeros – para conferir a eles essa propriedade”, disse Longo. “A irradiação com elétrons aumenta a propriedade bactericida dos filamentos de prata três vezes em comparação ao método atual de deposição.”

            Por causa dessa propriedade, a tecnologia, para a qual o grupo solicitou patente, começou a despertar o interesse de fabricantes de materiais bactericidas para o desenvolvimento de embalagens de alimentos. Outras possíveis aplicações do novo material estão na fotodegradação de compostos orgânicos na água e nas áreas de cerâmica, microeletrônica e química.

            “Agora, estamos estudando como fazer crescer esses filamentos de prata metálica em outros sistemas, como molibdatos. Já verificamos que nos molibdatos o material cresce utilizando um processo semelhante. Queremos ver qual limite de energia dos elétrons é suficiente para induzir essa reação e se eles melhoram as aplicações dos sistemas existentes”, disse Varela.

            O artigo Direct in situ observation of the electron-driven synthesis of Ag filaments on α-Ag2WO4 crystals(doi: 10.1038/srep01676), de Longo e outros, pode ser lido em www.nature.com/srep/2013/130417/srep01676/full/srep01676.html.

terça-feira, 16 de abril de 2013

SiBBr Recebe Informações Sobre Bancos de Dados de Biodiversidade

Imagen da Internet 

Termina hoje o prazo para instituições e centros de pesquisa enviarem seus dados para o levantamento nacional

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) recebe até segunda-feira (15) informações sobre os bancos de dados de biodiversidade das diversas instituições e centros de pesquisa. O levantamento busca identificar como a informação está apresentada e armazenada nessas entidades e qual a infraestrutura de informática existente nos potenciais parceiros da iniciativa.

A consulta abrange coleções biológicas, herbários, listas de espécies e catálogos, entre outros acervos. Consiste em dois questionários - um focado mais nas informações sobre o conteúdo desses bancos, e outro para conhecer as soluções de tecnologia da informação (TI) usadas pela instituição.

O objetivo é o aperfeiçoamento do SiBBr de modo a permitir que seja capaz de integrar dados de diversas fontes. Além disso, o conhecimento detalhado de cada instituição possibilita uma estratégia de articulação entre elas.

O SiBBr integrará bancos de dados sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros, subsidiando pesquisas científicas e a formulação de políticas públicas. É um projeto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e apoio financeiro do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), responsáveis pelo desenvolvimento e pela hospedagem do SiBBr, são os principais parceiros do projeto.

(Ascom do MCTI, com informações do Pnuma)

domingo, 24 de março de 2013

22 de Março: Dia Mundial da Água




Por Murilo Sérgio da Silva Julião
 

Todos os anos comemora-se em 22 de março o dia mundial da água, porém é interessante frisar que a obtenção de água limpa e cristalina ainda custa muito pouco para as pessoas que tem acesso à água tratada e não dão o devido valor a esse bem finito.

 
            Cada pessoa no Brasil, em média, utiliza de 120 a 190 litros de água todos os dias; dependendo da região em que ela more; para beber, lavar, cozinhar, tomar banho etc. As companhias e/ou empresas de saneamento fornecem água e ao mesmo tempo devem assegurar que a mesma não contenha qualquer contaminante químico ou biológico que poderia ser perigoso para nossa saúde.
 
            No Brasil, cerca de 2/3 de nossa água potável é proveniente de fontes superficiais, isto é lagos, represas e rios e cerca de 1/3 é proveniente de fontes subterrâneas. As águas subterrâneas estão localizadas nos aquíferos, que são formados quando as águas de chuva penetram através dos poros de formações rochosas tais como arenito ou gesso. As companhias de água extraem a água perfurando poços ou de fontes naturais. O processo de tratamento depende da proveniência da água. Por exemplo, águas subterrâneas de boa qualidade necessitam somente serem desinfetadas, entretanto algumas águas subterrâneas e superficiais necessitam de tratamento adicional para remoção de ferro e manganês que ocorrem naturalmente ou para remover pesticidas ou nitratos ou poluentes orgânicos ao nível de traço oriundos da agricultura.
 

Tratamentos típicos


            As águas superficiais e algumas águas subterrâneas de baixa qualidade devem passar por três processos principais – clarificação, filtração e desinfecção – antes de chegar aos nossos lares.

 

Clareamento


            Pequenas partículas; incluindo-se solos, algas, bactérias, vírus e ácidos fúlvicos e húmicos que causam coloração às águas; podem estar presentes na água. Essas partículas, com tamanho variando entre 10 nm (10 x 10-9 m) e 10 mm (10 x 10-6 m), são coloidais, isto é, por causa de seu tamanho reduzido elas permanecem suspensas na água. Sistemas coloidais em águas naturais são sistemas tipicamente estáveis de duas fases que consistem de finas partículas sólidas dispersas numa fase líquida. A maioria dessas partículas coloidais têm fraca carga negativa, fazendo com que as mesmas sofram repulsão entre si, porém são estabilizadas por uma nuvem circundante de íons com carga contrária. As companhias de água, tais como CAGECE, SABESP, CEDAE etc., clarificam a água com adição de um agente coagulante, que remove aproximadamente 90% dos sólidos suspensos. Em geral, utilizam-se os seguintes agentes coagulantes, sulfato de alumínio [Al2(SO4)3] e sulfato férrico [Fe2(SO4)3]. Estes contém cátions polivalentes (ex. Al3+ ou Fe3+), os quais alteram o ambiente carregado e desestabilizam as suspensões coloidais. Resultando em pequenas partículas unidas que formam agregados também chamados de flocos. Estes tanto podem serem forçados, por microbolhas de ar (aeração), a formar flocos cada vez maiores no topo do tanque de clarificação como podem se depositar no fundo do tanque. Outros coagulantes podem ser usados, entre eles o sulfato ferroso, aluminato de sódio, sílica ativada ou polímeros catiônicos, porém sua utilização depende sobretudo do pH da água natural, que afeta a estabilidade do sistema coloidal e da quantidade de sólidos suspensos que a água natural contém.

 

O Papel dos Químicos na Indústria de Água


            Os químicos analisam e monitoram a água distribuída de acordo com as normas estabelecidas pelas Portarias divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela OMS.



Contaminantes

Técnica analítica


Nitratos, fluoretos e vários metais

Espectrofotometria de absorção molecular ou atômica

Sulfatos

Análise gravimétrica

Fenóis

Espectrofotometria de absorção molecular

Hidrocarbonetos

Espectrofotometria do infravermelho

Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos

Cromatografia de camada delgada associada à fluorescência UV

Pesticidas (ex. hexaclorociclohexano)

Cromatografia à gás ou líquida

 
Filtração

            As companhias de água utilizam uma combinação de vários tipos de filtros, incluindo-se os de areia (lentos) e os que fazem uso da pressão ou da gravidade (rápidos). Os filtros de areia consistem de camadas de areia que aprisionam partículas de um certo tamanho, nesses casos a água percola a uma velocidade de aproximadamente 0,1 m3/h. Eles possuem a vantagem de que a água não necessita ser antes clarificada. Pois quando o fluxo da água atravessa, forma-se uma camada de matéria biológica (denominada camada Schmutzdecke) que atua como uma fina esteira de pressão. Além disso, numa fina camada (alguns mm) do topo desta camada a matéria orgânica é destruída e as plantas e bactérias vivas consomem os nutrientes disponíveis, tais como fosfatos e nitratos, e convertem quaisquer compostos solúveis de ferro e manganês presentes em compostos de hidróxidos insolúveis.

            Os filtros de pressão e gravidade forçam a água através de camadas de areia e cascalho numa alta velocidade, cerca de 6 m3/h. Atualmente, algumas companhias de água incorporam o carvão ativado granulado (GAC) dentro dos filtros. O GAC tem uma grande área superficial contendo pequenos poros. Estes poros aprisionam qualquer substância orgânica dissolvida presente e a remove da água de abastecimento. O GAC é algumas vezes utilizada como uma camada discreta nos filtros, lentos, de areia para remover pesticidas ou como um filtro de contato com o ozônio para remover pesticidas e contaminantes traços. O ozônio (O3) é um poderoso oxidante que oxida qualquer poluente e pesticida, presente na água, provenientes de produtos perigosos.
            Além disso, a membrana de filtração – tanto a de ultrafitração como a de microfiltração dependem do tamanho da partícula que está sendo removida – está se tornando um processo de tratamento comum nas grandes companhias de água no Brasil. Os filtros de membrana são geralmente feitos de polietersulfona, porém podem ser também feitos de polipropeno, poliamida ou de cerâmicas. As membranas de microfiltração têm poros na faixa de 0,1 – 10 mm de tamanho; pequeno o suficiente para reter e remover parasitas tais como Crystosporidium, que pode causar problemas estomacais nas pessoas. As membranas de ultrafiltração possuem poros na faixa de 0,001 – 0,1 mm de tamanho e adicionalmente poderiam remover alguns vírus e algumas moléculas orgânicas.
 
Desinfecção

            Finalmente, todas as águas necessitam ser desinfetadas antes de chegar em nossas residências. Nos últimos 80 anos, o cloro tem sido amplamente usado para este propósito. E ainda hoje é utilizado, porém em combinação com outros processos, incluindo-se o ozônio e o tratamento UV, que reduzem a quantidade total de cloro a ser usada. Uma quantidade residual de cloro é deixada na água para eliminar alguma bactéria que pode estar presente nas tubulações de fornecimento de água. A desinfecção remove a maioria de microrganismos perigosos, tais como a Escherichia coli. Entretanto, ela não é eficiente contra parasitas como o Crystosporidium. Estes parasitas são circundados por uma camada de proteção, tornando-os resistentes aos cloro (obs. são removidos pela membrana de filtração).

            O ozônio (O3) é muito usado na França como um desinfetante, e algumas companhias de água do Reino Unido utilizam o O3 antes da clarificação da água com a finalidade de remover algas residuais e novamente após a filtração como um desinfetante adicional. As companhias de água tendem a usar a luz ultravioleta como uma parte do procedimento de desinfecção de águas subterrâneas de boa qualidade. A luz UV é responsável por dar início as mortíferas reações fotoquímicas no interior das células de certos vírus e bactérias.

            A indústria da água fornece mais de 20.000 milhões de m3 de água todos os dias para 150 milhões de pessoas no Brasil.

terça-feira, 19 de março de 2013

Pesticidas, comida-lixo, diabetes e Alzheimer



Por: Jean Remy Davée Guimarães, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ.

 
Estudo sugere ligação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Em sua coluna de março, o biólogo Jean Remy Guimarães comenta a pesquisa e evidências crescentes das relações estreitas entre essas substâncias e doenças crônicas.

  
            Estudo realizado com 386 pacientes adultos aponta relação direta entre os níveis de resíduo de pesticidas no tecido adiposo e desenvolvimento de diabetes, independentemente de idade, sexo e peso corporal.

            A relação epidemiológica entre o uso de pesticidas e a crescente incidência de males como câncer, problemas hormonais e reprodutivos, entre outros, é cada vez mais clara. Mas novos estudos têm apontado uma nova e incômoda conexão, desta vez entre pesticidas e diabetes tipo 2, o que poderia explicar, ao menos parcialmente, as proporções epidêmicas que essa doença vem assumindo em escala global.

            A edição de janeiro da Environmental Research traz um estudo de Arrebola e colaboradores, da Universidade de Granada, Espanha, que é, ironicamente, uma bomba. A equipe dosou resíduos de diversos pesticidas no tecido adiposo de 386 pacientes adultos em dois hospitais do sul do país e concluiu que os pacientes com maiores níveis de DDE (um produto da degradação do DDT) tinham quatro vezes mais probabilidade de ter diabetes tipo 2.

            Os autores observaram ainda que um dos componentes do popular pesticida Lindano também favorece o surgimento do diabetes tipo 2. A relação direta observada entre os níveis de poluentes orgânicos persistentes e o desenvolvimento de diabetes era independente da idade, sexo ou peso corporal do paciente.

            Segundo os pesquisadores, o acúmulo desses poluentes lipofílicos na gordura corporal poderia explicar por que os obesos têm maior tendência a desenvolver diabetes. Não se sabe ao certo o mecanismo envolvido, mas os autores sugerem que os pesticidas provocam uma reação imunológica em receptores de estrogênio envolvidos no metabolismo dos açúcares.

 Monitor de açúcar no sangue e caneta injetora de insulina usados por diabéticos. Pesquisa sugere que o acúmulo de poluentes lipofílicos (como componentes de pesticidas) na gordura corporal poderia explicar a maior tendência de obesos a desenvolver diabetes. (foto: Karen Barefoot/ Sxc.hu)

 
            As autoridades de saúde estimam que, em 2030, cerca de 4,5% da população mundial será diabética. Atualmente, cerca de 346 milhões de pessoas sofrem da doença, enquanto 35 milhões são acometidos pelo Alzheimer. As duas condições geram muito sofrimento e elevado custo social.

 
Correlações perturbadoras

            Se você já estava se perguntando o que diabetes têm a ver com meio ambiente, a menção ao Alzheimer talvez aumente a confusão.

            Mas, justamente, diabetes, Alzheimer e obesidade estão aumentando exponencialmente e com correlações perturbadoras entre elas. Da mesma forma, a disseminação da junk-food (comida-lixo) e da agricultura industrial regada a pesticidas que a sustenta andam juntas.

            Ok, pesticidas/junk-food e obesidade/diabetes já são binômios quase familiares para aqueles que leem as magras seções de ciência da grande imprensa, mas a insistência do Alzheimer em se meter em estatísticas onde não foi chamado já intrigava os cientistas há algum tempo, a ponto de esses começarem a buscar uma relação causal entre essa doença, o diabetes e a obesidade.

            Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas?

Já se sabia que há uma forte associação entre diabetes, obesidade, dieta, demência e Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm probabilidade 2 a 3 vezes maior de desenvolver Alzheimer do que a média da população. A conexão obesidade-Alzheimer é menos estudada, mas sabe-se que a obesidade em idade madura predispõe ao Alzheimer e que uma vida ativa e dieta saudável reduzem a ocorrência de demência.

            Mas... e se o Alzheimer fosse, como o diabetes, uma doença metabólica, associada ao (des)desequilíbrio hormonal e, portanto, induzível por pesticidas, entre outros disruptores endócrinos? Isto poderia explicar as correlações observadas. As evidências nesse sentido são tantas que muitos especialistas já defendem que o Alzheimer seja considerado como um diabetes tipo 3, pois vários estudos sugerem que o Alzheimer seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina.

            Esta, além de regular o metabolismo do açúcar, tem papel bem definido na química cerebral, modulando a troca de sinais entre neurônios e atuando no aprendizado e na memória, bem como na manutenção dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.

Tomografia de um cérebro humano com Alzheimer. Pessoas que sofrem de diabetes têm maior probabilidade de desenvolver a condição. Especialistas defendem, inclusive, que o Alzheimer seja considerado um diabetes tipo 3, pois há evidências de que seria uma consequência de perturbações na resposta do cérebro à insulina. (imagem: NHI/ Wikimedia Commons)

 
            Eu achava que o sistema hormonal funcionava, por analogia, como uma orquestra em que o som produzido por um instrumento influencia o som de todos os outros, e vice-versa. Já era complicado o bastante, mas escrever esta coluna me ensinou que a imagem mais correta seria a da mesma orquestra, mas com cada músico tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, e todos os sons se influenciando mutuamente. Agora imagine se colocarmos pó-de-mico na gola dos músicos... É o que ocorre quando um disruptor endócrino é absorvido por inalação, ingestão ou via cutânea.

            Portanto, se você achava que por ser um urbanoide não-obeso, que gasta boas quantias em alimentos orgânicos, você estaria a salvo, pode tirar o cavalinho da chuva: os pesticidas são apenas uma das várias categorias de disruptores endócrinos, e a dieta é apenas uma das vias de exposição aos pesticidas.

 
Equacionando prós e contras

            E a junk-food, onde entra nisso tudo? O X-tudo com fritas e o rodízio de salgadinhos já era apontado como fator de desenvolvimento de Alzheimer devido à redução de irrigação sanguínea causada pelo colesterol e aumento da pressão sanguínea, mas os estudos mais recentes sugerem que alimentos com muito açúcar e gordura podem danificar o cérebro por interromper seu suprimento de insulina.

A ingestão excessiva de alimentos com muito açúcar e gordura já era apontada como fator para o desenvolvimento de Alzheimer – devido à redução de irrigação sanguínea causada pelo colesterol e aumento da pressão sanguínea. Estudos mais recentes sugerem que estes podem também danificar o cérebro por interromper seu suprimento de insulina. (foto: David Boylan/ Sxc.hu)
 

            Naturalmente, como sempre, mais estudos são necessários etc. etc., mas se as relações causais aqui descritas forem confirmadas, será uma ótima notícia. É uma esperança de melhores tratamentos para os que já sofrem com esses males e de melhores prognósticos para os ilesos até aqui.

            É também um exemplo que gera reflexão sobre o custo/benefício do modo de vida que adotamos. Sim, a tecnologia nos permite viver com mais conforto e por mais tempo, mas também nos rouba qualidade de vida.

            De que adianta termos Viagras e cia. se não lembrarmos mais para que serve uma ereção, nem quem é aquela pessoa idosa dormindo ao nosso lado? Quantos hectares de soja, arroz ou milho são necessários para bancar um ano de tratamento de um diabético ou uma vítima de Alzheimer?

            Somando esses e outros custos, ambientais e de saúde, podemos talvez acabar concluindo que o modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada.

            O modelo de agricultura industrial vigente gera prejuízos que engolem seus ganhos de produtividade e ainda deixam uma conta pendurada

Estudos como os aqui relatados nos dão pistas importantes de como equacionar tudo isso e tornam mais premente a discussão do tema.

            Por último, mas não menos importante, cada novo estudo apontando efeitos negativos de pesticidas – ou qualquer outra substância sujeita à regulamentação – desmoraliza um pouco mais os órgãos que autorizaram sua produção e uso e não monitoraram seus efeitos.

            Acredite se quiser, mas a liberação é baseada em testes de até 60 dias com animais de laboratório. Quem realiza esses testes? O próprio fabricante, ou alguém que ele contratou para isso.

            Mas relaxe, está tudo dominado.
 

Ciência Hoje On-lne

Publicado em 15/03/2013 | Atualizado em 15/03/2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Google abre inscrições para feira de ciências


Science Fair premiará os melhores projetos de alunos entre 13 e 18 anos com US$ 50 mil e viagens com a National Geographic

            Se você é um daqueles que adora participar das feiras de ciência na escola, mas, ao contrário do que gostaria, os projetos sempre se resumem a algumas cartolinas na parede e textos decorados para explicar aos familiares, talvez esse seja o momento de colocar aquela grande ideia em prática. A 3ª edição da Google Science Fair quer encontrar os jovens mais brilhantes e revolucionários do mundo, com idades entre 13 e 18 anos, que tenham um método científico capaz de solucionar algum problema global. Brasileiros são muito bem-vindos.

            Para participar, o estudante terá que criar uma conta do Google e enviar o seu projeto que poderá ser escrito em 13 idiomas, inclusive português pelo site até o dia 30 de abril, data limite das inscrições. Em junho, serão selecionados os 90 finalistas, sendo 30 das Américas, 30 da Ásia e do Pacífico e 30 da Europa, Oriente Médio e África. No dia 23 de setembro, os 15 melhores projetos serão levados para a sede do Google, em Mountain View, Califórnia, onde passarão por um painel de juízes internacionais que escolherão o vencedor.

            O estudante que, segundo o júri, tiver desenvolvido o melhor entre todos os projetos, receberá como prêmio uma bolsa de US$ 50.000 do Google; uma viagem para as Ilhas Galápagos com expedições da National Geographic; experiências de trabalho no CERN, no Google ou no Grupo LEGO, além de conquistar, para sua escola, US$ 10.000 e acesso aos arquivos digitais da Scientific American por um ano. Assista ao vídeo feito pelo Google que convoca futuros cientistas que querem mudar o mundo.

            No site da competição, o aluno tem acesso a informações que podem ajudar no desenvolvimento de seu projeto, como material sobre método científico e análise de resultados, exemplos de organizações e instituições que podem ser úteis durante a pesquisa, além de dicas. Também é possível participar de um fórum de discussões no Google+, ambiente virtual em que inscritos de todo o mundo podem compartilhar experiências. Para inspirar os novos cientistas, a plataforma disponibiliza ainda os vídeos e pesquisas dos vencedores dos anos interiores.

            Nas duas primeiras edições da Google Science Fair, milhares de estudantes de mais de 90 países apresentaram projetos de pesquisa que abordam algum dos problemas mais difíceis que enfrentamos hoje. Entre eles está Brittany, uma garota de 17 anos, que ganhou o grande prêmio por seu projeto que buscava construir um aplicativo para prevenção do câncer de mama. E Jonah Kohn, de apenas 14 anos, foi premiado por inventar um dispositivo que melhora a experiência de ouvir música para pessoas com deficiência auditiva, transmitindo os sons diretamente para o corpo humano, através do contato por vibrações.

(Site Porvir)

Do céu para os hospitais


Por: Sofia Moutinho (Ciência Hoje On-line)

Método para identificar galáxias, estrelas e planetas distantes é adaptado para a detecção de tipos graves de câncer de mama. A 'troca de figurinhas' entre astrônomos e médicos ajuda no encaminhamento para o tratamento adequado.
Na esquerda, foto de células de câncer tratadas com reagente pronta para ser submetida ao programa. Na direita, o objeto comum dos astrônomos: espaço sideral repleto de estrelas, planetas e galáxias. (fotos: Simon Shears | M. Kornmesser/ ESO)

            Uma técnica usada para identificar gigantescos objetos astronômicos fotografados por telescópios agora pode ser aplicada na detecção de minúsculas células cancerosas vistas através de microscópios. A ideia da interessante troca é de pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
            Os cientistas do Centro de Pesquisa de Câncer e do Instituto de Astronomia da instituição formaram uma parceria para adaptar um programa de análise de imagens que identifica galáxias, estrelas e planetas no céu para ele passar a apontar células de tumores de câncer de mama agressivos.
           
          Existem tumores de diferentes níveis de severidade e a identificação do estágio exato em que se encontram ajuda a direcionar o tipo de tratamento mais adequado em cada caso. Os cientistas conseguem saber se um câncer é de categoria agressiva pela presença de determinadas proteínas que a célula tumoral produz. Hoje, a detecção dessas proteínas é feita pela visualização de amostras em microscópios, um processo que pode tomar muito tempo.
            Com o programa, a identificação dos tumores é automatizada e mais de 5 mil imagens podem ser analisadas por dia
            O programa de astronomia adaptado faz esse trabalho de modo automático e mais rápido. Os cientistas só precisam jogar sobre as amostras de tumor uma substância que reage com as células e deixa uma mancha marrom onde há a proteína que procuram. Feito isso, basta deixar que o software processe fotografias das amostras e identifique, sozinho, as células marcadas.
            “A medicina moderna está dando os primeiros passos no sentido de prever o sucesso ou a falha de tratamentos específicos para determinados perfis de câncer”, comenta um dos pesquisadores envolvidos na iniciativa, o oncologista Carlos Caldas. “Mas, para isso, precisamos verificar milhares de amostras de tumores no microscópio. Com esse processo automatizado, podemos analisar mais de cinco mil imagens por dia.”
            O programa já foi testado com tumores de duas mil pacientes e se mostrou tão eficaz quanto os métodos tradicionais. Os cientistas agora planejam repetir os testes com mais amostras e refinar o programa para detectar outros elementos.
 
Troca de experiências
           A ideia de usar as ferramentas da astronomia na medicina surgiu depois que cientistas do grupo participaram de um congresso que reuniu físicos, astrônomos e cientistas de biomédicas justamente para compartilharem conhecimentos.
            Pode ser difícil de ver semelhanças entre as áreas, mas o líder da pesquisa, o oncologista Raza Ali, conta que logo de cara soube como aproveitar a expertise dos colegas astrônomos.
            “É incrível que nosso software usado para procurar planetas que podem abrigar vida fora do sistema solar possa agora ser usado para ajudar vidas de pacientes de câncer aqui na Terra”
            “Os astrônomos desenvolveram uma grande caixa de ferramentas de análises de imagens para diferentes problemas que encontram”, diz. “Eles tipicamente identificam e descrevem estrelas e planetas, mas se você parar para pensar, esses objetos são, em certo sentido, parecidos com as células de câncer que estamos interessados. Eles usam programas para procurar características comuns a esses objetos em meio a trilhões de astros. Nós fazemos a mesma coisa com as células de câncer.”
            O astrônomo Nicholas Walton, que ajudou Ali a adaptar o programa de identificação de astros, se diz satisfeito com a colaboração interdisciplinar. “É incrível que nosso software usado para procurar planetas que podem abrigar vida fora do sistema solar possa agora ser usado para ajudar vidas de pacientes de câncer aqui na Terra.”