sábado, 25 de agosto de 2012

CNPq e Oxford ampliam cooperação no Ciência sem Fronteiras


Carta de intenções assinada pelo presidente do CNPq e pelo vice-reitor da universidade britânica objetiva ampliar a cooperação Brasil-Reino Unido em ciência e tecnologia.

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, e o vice-reitor da Universidade de Oxford, Andrew Hamilton, assinaram na tarde desta quarta-feira (22), na sede do CNPq, uma Carta de Intenções com o objetivo de ampliar a cooperação entre o Brasil e o Reino Unido nas áreas de ciência e tecnologia.

Considerada a melhor universidade do Reino Unido e a quarta melhor do mundo, Oxford é a primeira e mais tradicional instituição de ensino superior de língua inglesa, sendo reconhecida pela qualidade de seu ensino em diversas áreas do conhecimento. Foi uma das primeiras universidades a fundar um centro de estudos brasileiros, na década de 1990.

Para o vice-reitor, Andrew Hamilton, "a assinatura do acordo beneficia diretamente as áreas médicas, engenharias e ciências da vida e pode inspirar o estudante de outras áreas a ver Oxford como uma possibilidade para seus estudos. Os estudantes brasileiros que forem para Oxford por meio do acordo vão contribuir para além de suas áreas de formação quando retornarem ao Brasil".

Atualmente, a Universidade de Oxford já faz parte do Programa Ciência sem Fronteiras, tendo sido concedidas 15 bolsas pelo programa para alunos brasileiros. Dessas 15 bolsas iniciais, 5 estudantes se encontram em Oxford, 3 lá estiveram e já retornaram ao Brasil e 7 ainda não viajaram, estando em fase de preparação para o intercâmbio.

Segundo o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, "embora a Universidade de Oxford já esteja fazendo parte do Ciência sem Fronteiras através do acordo global assinado pelo CNPq com o órgão que representa todas as grandes universidades britânicas, o Universities UK, a intenção do acordo específico é ampliar a parceria, com o envio de mais bolsistas brasileiros para Oxford. A criação deste acordo sinaliza para a comunidade de estudantes e pesquisadores brasileiros de que as oportunidades estão abertas, com o apoio do Governo Brasileiro e da Universidade de Oxford."

A cooperação contemplará a concessão de bolsas para estudantes brasileiros por meio do Programa Ciência sem Fronteiras. Poderão concorrer estudantes brasileiros de pós-graduação das áreas de medicina, física, matemática e ciências da vida, que não residam em países da União Européia e pretendam retornar ao Brasil após a conclusão dos estudos.
(Ascom do CNPq)

Apetite por energia, artigo de Drausio Atalla e Carlos Henrique Mariz


Drausio Atalla e Carlos Henrique Mariz são técnicos da Eletronuclear. Artigo publicado no jornal O Globo de hoje (24).

Assentada no centro da economia mundial, a energia constitui o elemento chave da política e da diplomacia. É chave da segurança, da soberania e da dignidade humana no século XXI. O desenvolvimento econômico do Brasil cria um apetite por energia que poderá ser atendido apenas mediante a expansão de todos os combustíveis. Ainda não existe solução capaz de compatibilizar as quatro vertentes da sustentabilidade: custo acessível, abundância, limpeza ambiental e segurança de suprimento. O melhor a fazer é diversificar. Como consequência, a diversificação de fontes supridoras assume um papel crucial na estruturação dos sistemas de eletricidade. Advogar a exclusão de qualquer dessas fontes é um desserviço para a nossa sociedade.

Diante do crescimento dos últimos anos, praticamente toda nossa infraestrutura se tornou obsoleta e diminuta. A ascensão socioeconômica de milhões estressa nossos sistemas de saúde, educação, segurança, habitação e saneamento. Em todas as áreas encontramos evidências de um sapato pequeno, apertando e se esgarçando, diante do crescimento do pé. Quem é grande, frequentemente tem o pé grande. Um pé grande ocupa espaço e, vez por outra, pisa nos outros - o que leva à necessidade de defesa, onde também precisamos crescer.

Vejamos o setor de eletricidade. Consumimos apenas 2.400 KWh/pessoa/ano, diante de um consumo mínimo de 5.000 entre os países desenvolvidos, chegando ao despropósito de 15.000, em alguns países. O vínculo entre consumo de eletricidade e desenvolvimento humano talvez seja o mais íntimo entre as infraestruturas e o estado de bem-estar social. Onde puder ser instalado um motor elétrico nenhuma outra máquina será tão eficiente quanto este equipamento - o que exprime a importância dos sistemas de eletricidade de um país.

Diante do longo tempo de maturação de um empreendimento de geração elétrica e considerando que a exaustão de nossas fontes hidráulicas ocorrerá num prazo de 10 a 15 anos, precisamos urgentemente expandir outras fontes de eletricidade. Tanto as renováveis, porém intermitentes, quanto as de base.

A visão de centrais nucleares em locais selecionados a partir de dezenas de critérios e utilizando a tecnologia mais avançada, com investimentos complementares do Estado e do capital privado, pode atenuar a necessidade de infraestrutura de geração elétrica. A visão de três grandes centrais nucleares, com até seis unidades no Sudeste, no Sul e no Nordeste, dobraria nossa capacidade nacional de geração, trazendo segurança de abastecimento e preços acessíveis, além de impulsionar as economias dessas regiões. Grande parte dessa infraestrutura pode ser instalada com capital privado amortizável em 15 anos. Dessa maneira, nos beneficiaríamos com eletricidade abundante e acessível pelo resto do século. O que estamos esperando?

* A equipe do Capela da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do blog.

Nova plataforma de tratamento do câncer


Pela primeira vez no Brasil, uma nova plataforma de tratamento contra o câncer de mama começa a ser comparada aos tratamentos convencionais. O estudo iniciado pelo pesquisador Raul Maranhão, da Universidade de São Paulo, encontra-se na fase dois de estudos clínicos no Hospital Pérola Byington, de São Paulo, sob a direção do professor Roberto Hegg.

A nova abordagem de tratamento desenvolvida pela equipe de Maranhão consiste em encapsular o quimioterápico convencional com a partícula LDE, que é muito parecida com o LDL (lipoproteina de baixa densidade), porém sem a proteína de membrana apo B, que é altamente hidrofóbica e muito grande.

A célula neoplásica, por apresentar uma alta taxa de multiplicação, superexpressa receptores de LDL. Quando injetada na circulação, a LDE se ligará com mais afinidade que o LDL nos receptores e terá uma concentração até seis vezes maior no tumor do que nos outros tecidos. Estudos de toxicidade mostraram uma redução de até dez vezes nos efeitos colaterais desta nova metodologia. "A ação da LDE torna a droga mais efetiva na sua ação antitumoral", explica Raul.

Atualmente, os pesquisadores realizam testes em pacientes com câncer de mama para comparar a eficácia do tratamento convencional com a nova plataforma proposta. Nessa fase do estudo clínico, um grupo com 30 pacientes recebe o esquema convencional onde são utilizados os quimioterápicos taxol, adriamicina e ciclofosfamida injetados de forma livre no organismo. Outro grupo, também 30 pacientes, recebe a adriamicina e a ciclofosfamida de forma livre e o taxol encapsulado pela partícula LDE.

"Por mais que os testes clínicos ainda estejam na metade do caminho, os resultados preliminares parecem promissores", afirma Maranhão. Apesar de dois dos três quimioterápicos ainda serem administrados de forma livre, somente o encapsulamento de um quimioterápico já foi o suficiente para reduzir drasticamente os efeitos colaterais.
Esse projeto tem parceria com a indústria farmacêutica Cristália que possui interesse nesse novo sistema para o uso com os quimioterápicos paclitaxel e etoposide.

Além do tratamento de câncer, essa nova plataforma pode ser utilizada para vários outros processos inflamatórios crônicos e já é objeto de estudos do grupo para doenças como artrite reumatóide, aterosclerose, doença coronária do transplante e endometriose.
Esses resultados foram divulgados durante a 27ª Reunião anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que termina amanhã (25), em Águas de Lindoia, São Paulo.

(Fonte: Gabriel Machado pela FeSBE)

Ceará terá Centro de Oceanografia e base na Funceme para gestão de risco e resposta a desastres naturais


Funcap apresenta projetos de R$ 150 milhões para agenda comum com o MCTI de apoio à inovação.


O Plano de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais, lançado pela presidente Dilma Rousseff com previsão de R$ 18 bilhões para operar nos três primeiros anos, vai investir mais de R$ 1 bilhão na infraestrutura de previsão da secas, seus impactos na sociedade e o aumento da resiliência da população. A maior parcela será aplicada em obras, informou nesta quinta-feira (23), em Fortaleza, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, no lançamento da Segunda Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (UNCCD), no Palácio Iracema, sede do governo cearense.

O ministro Marco Antonio Raupp, do MCTI, anunciou, na ocasião, que o Plano de Gestão de Risco vai operar no Ceará por meio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A aplicação da meteorologia na previsão de chuvas para a distribuição de sementes selecionadas, utilizada no Ceará desde a década de 80, foi citada por ele como exemplo de contribuição da ciência e tecnologia para mitigar os problemas das regiões secas, 40% do planeta, onde vivem mais de dois bilhões de pessoas.

O pouco conhecimento da influência da temperatura do Oceano Atlântico na estação de chuvas foi apontado como fator limitante da previsão da estação de chuvas pelo presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins Rodrigues. O ministro anunciou que será instalado no Ceará um Centro de Pesquisas Oceanográficas do MCTI que contratará pesquisadores, para estudo do Atlântico na faixa equatorial, entre outros temas, e outro no Rio Grande do Sul, que irá conhecer o Oceano no Sul.

Conforme Raupp, será transformado em plataforma de pesquisa oceanográfica, com laboratórios, o navio em fase de aquisição pelo MCTI, investimento de US$ 80 milhões com parceria da Vale e Petrobras. Ele disse ter expectativa de que a compra direta seja anunciada pela presidente Dilma no dia 7 de setembro, "pelo caráter nacional" do investimento. O "laboratório flutuante" será usado pelos pesquisadores das universidades e dos dois Centros - um terceiro está em cogitação para implantação em seguida em Belém, na foz do rio Amazonas.

"Se não tivermos conhecimento, não teremos soberania", disse Raupp com relação às águas territoriais do Brasil, a chamada Amazônia Azul. O navio será operado pela Marinha. O ministro formulou um pleito ao governador Cid Gomes, com quem teve audiência após o lançamento da Conferência da ONU, para que o Ceará ofereça a área onde o Centro Oceanográfico será construído na Beira Mar. 

Raupp confirmou presença em Fortaleza em novembro para o lançamento do Plano de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para o Nordeste, que recebeu este mês em Brasília dos deputados Ariosto Holanda, relator, e José Guimarães, coordenador da Bancada do Nordeste. "Apoio integralmente o Plano capitaneado por dois cearenses", disse o ministro, citando o papel do BNB na iniciativa.

"A ideia é que os programas federais, para terem mais capilaridade e atingirem a ponta do sistema de modo a beneficiarem com ampla repercussão, têm que estar associados com participantes regionais", afirmou Raupp. Segundo ele, a participação da representação da região do Nordeste no Congresso Nacional dará força política a esse sistema integrado entre vários níveis de governo. A execução das políticas públicas envolverá órgãos de fomento e setores do governo do estado que possam se associar com os órgãos fomentadores de ciência e tecnologia com as esferas municipal, estadual e federal, com maior impacto em relação aos seus objetivos, avalia.

O secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, René Barreira, que na reunião representou o governador Cid Gomes, disse que compreende a importância do Plano da Bancada do Nordeste que, segundo ele, será discutido nesta sexta-feira na reunião do Consecti, em Recife. O presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Haroldo Rodrigues Júnior, apresentou ao ministro uma proposta com prioridades apontadas por diversos gestores do sistema de ciência, tecnologia e inovação do estado e elencou projetos com custo estimado por ele em R$ 150 milhões a serem compartilhados pelo MCTI, governo do Ceará, Fundo de Inovação Tecnológica (FIT) da Funcap, Ministério da Saúde e MEC.

O ministro disse ter "ficado bem impressionado" com a organização da articulação das entidades e a visão da Funcap em apresentar as propostas a serem discutidas e propôs como encaminhamento uma reunião com os secretários do MCTI já com os detalhes objetivos dos projetos. "O Ceará pode ser um exemplo de um sistema integrado para apoio à inovação", ele afirmou. Foram feitos ao ministro relatos de trabalho pelos presidentes do Nutec, Lindberg Gonçalves (e do IPDI); da FIEC, Roberto Macedo; da Etice, Fernando Carvalho; e do CTI, Victor Mammana, instituto do MCTI que tem uma base em Fortaleza desde 1996.

No evento, foi firmado um termo de ajuste ao acordo de cooperação entre a Etice e a Rede Nacional de Pesquisa (RNP). O conteúdo define ações e o modo como integrar o Cinturão Digital - a infraestrutura de comunicação de dados e Internet banda larga do Ceará de 2.400 Km de  fibra ótica -, à infraestrutura da RNP. "É crucial ter uma rede só operando no estado", defendeu Raupp. Também foi dada posse ao Conselho Superior da Funcap, integrado por gestores da área pública, privada e pesquisadores.

Como fatores para sediar no Ceará a Segunda Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação, Raupp citou a capacidade do estado por ter realizado a 1ª e a 2ª Conferência Internacional sobre o Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento das Regiões Áridas e Semiáridas (ICID), em 1992 e 2010. Os dois eventos foram coordenados por Antonio Rocha Magalhães, presidente do Comitê Científico da Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Secas (UNCCD) da Organização das Nações Unidas (ONU), presente no lançamento.

"O Ceará tem liderado o conhecimento científico e a aplicação deste conhecimento na direção do desenvolvimento das suas regiões semiáridas e do planeta com grande penetração internacional", assinalou Carlos Nobre, pesquisador na área climática. O secretário do MCTI lembrou que há 20 anos passava 10 dias por mês em Fortaleza, de janeiro a março, para ajudar a Funceme a criar o sistema de previsão de secas, "hoje consagrado nacional e internacionalmente sob liderança do Marco Antônio Raupp, na época diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)". Segundo ele, o estado foi o primeiro a utilizar a previsão climática para a distribuição de sementes na safra, no final dos anos 80, e desde então avançou muito.

Antes desta data, Raupp acrescentou que já andava no Ceará na época em que Ariosto Holanda era secretário da Ciência e Tecnologia do governo Tasso Jereissati para implantar o sistema de previsão de chuvas na Funceme. O ministro disse que o MCTI vai participar de modo efetivo da Conferência com a parceria dos ministérios da Integração Nacional e do Meio Ambiente. "O que se quer é que essa Conferência dê subsídios para políticas que o governo possa e deva implementar", ele afirmou.

Carlos Nobre informou que na Conferência apresentará um estudo sobre como o Brasil se prepara para diminuir a vulnerabilidade aos desastres naturais, com destaque para a seca. Segundo ele, a 2ª Conferência adquire importância capital após a Rio+20 que politicamente não foi clara em relação às questões do desenvolvimento sustentável no semiárido, questão que ficou obscurecida muitos anos em relação a outras regiões do planeta. O tema agora aparece com mais destaque - observou -, ao avaliar que o evento em Fortaleza vem coroar um momento político global e que o Brasil tem um papel de liderar em muitos aspectos esse desenvolvimento, concluiu.

(Flamínio Araripe para o Jornal da Ciência)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jipe-robô Curiosity acerta primeiro alvo com sua arma laser no planeta vermelho


Nasa anuncia uma nova missão robótica rumo à Marte, que deverá partir da Terra em 2016.

O jipe-robô Curiosity, que está em Marte desde o início do mês, usou sua arma laser pela primeira vez anteontem (19). O alvo foi uma rocha, cujos minerais serão analisados. O laboratório robótico da Nasa acertou 30 pulsos de laser em uma pedra do tamanho de um punho por um período de dez segundos, segundo nota da agência.

Cada pulso leva uma energia de 1 milhão de watts por cinco bilionésimos de segundo, vaporizando um pedaço de rocha do tamanho de uma cabeça de alfinete e criando uma pequena fagulha, que é analisada por um aparelho montado no jipe. O brilho dá aos cientistas informações sobre a composição química da rocha.

O sistema, o Chemistry-and-Camera ou ChemCam ("química e câmera"), é capaz de identificar mais de 6.000 comprimentos de onda nos espectros ultravioleta, infravermelho e visível e pode fazer 14 mil análises durante a missão em Marte.

O propósito desse primeiro uso do laser foi um treino de pontaria do instrumento. Mas os cientistas vão analisar os dados da rocha, que eles chamaram de "Coronation" ("coroação").

Nova missão - Duas semanas após aterrissar o rover Curiosity em Marte, a Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou o lançamento de uma nova missão para explorar o planeta vermelho. O projeto se chama InSight e deve posicionar instrumentos em setembro de 2016 através da ajuda de um veículo espacial.

O novo objetivo será avaliar o que acontece no interior de Marte. A ideia é descobrir se o núcleo é sólido ou líquido, além de entender se as placas tectônicas deslizam uma contra as outras, como na Terra. O conhecimento possibilitará comparações e uma melhor compreensão de como os planetas são formados. O Curiosity, ao contrário, é um robô que explora a superfície e analisa rochas para descobrir se Marte já teve condições de abrigar vida.

"A exploração do planeta é uma prioridade para a Nasa. A escolha do InSight assegura que vamos continuar descobrindo os mistérios de Marte e estabelecendo as bases para uma futura missão humana por lá", disse em nota Charles Bolden, diretor da Nasa.

O projeto InSight foi escolhido entre três propostas de exploração do Sistema Solar. As derrotadas seriam para estudar um cometa e Titã, uma lua de Saturno. A missão deve custar US$ 425 milhões (cerca de R$ 858 milhões). As agências espaciais da França e da Alemanha vão colaborar na elaboração de instrumentos usados na missão.
(Informações de Agências de Notícias)

Prêmio Finep de Inovação recebe 588 inscrições em 2012


O total representa um aumento de 51% em relação a 2011. Agora, os projetos serão pré-qualificados e julgados, e os primeiros colocados de cada categoria disputarão a premiação nacional.

Na última sexta-feira (17), foram encerradas as inscrições para a 15ª edição do Prêmio Finep de Inovação, com um total de 588 inscritos, um aumento de 56% em relação a 2011. O momento agora é de pré-qualificação dos projetos e, em seguida, eles serão julgados por especialistas. O Prêmio Jovem Inovador - que vai premiar fotografias de jovens de 14 a 18 anos - teve 61 inscritos.

Os primeiros colocados em cada região do País, em cada categoria, disputam entre si a premiação nacional. As datas previstas das cerimônias são: Região Centro-Oeste (10/10 - Cuiabá); Região Nordeste (15/10 - Fortaleza); Região Norte (24/10 - Belém); Região Sul (31/10 - Porto Alegre); e Região Sudeste (8/11 - Belo Horizonte). A final nacional ocorre tradicionalmente em Brasília, em dezembro, ainda sem data definida. O Prêmio Jovem Inovador segue o mesmo calendário de premiação.

Em 2012, a premiação traz uma série de mudanças. A principal delas é que o prêmio será em dinheiro: serão disponibilizados de R$ 100 mil a R$ 600 mil para os primeiros colocados regionais e nacionais de cada categoria, totalizando cerca de R$ 9 milhões. Até 2011, a Finep concedia aos vencedores recursos não reembolsáveis, cuja liberação ficava condicionada à apresentação de um projeto de ciência, tecnologia e inovação.

Outra novidade da edição 2012 é que o Prêmio passa a contar com mais duas categorias direcionadas a empresas: Tecnologia Assistiva e Inovação Sustentável. A primeira contempla produtos e processos que promovam a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida. Já a Inovação Sustentável reconhece iniciativas em que a sustentabilidade tenha sido integrada ao sistema de pesquisa, desenvolvimento e comercialização, pelo viés financeiro, social e ambiental. As novas categorias se juntam às sete já existentes: Micro e Pequena Empresa, Média Empresa, Grande Empresa (apenas na etapa nacional), Instituição de Ciência e Tecnologia, Tecnologia Social, Inventor Inovador e Inovar Fundos - esta também restrita à etapa nacional e dividida em três subcategorias: Governança, Equipe e Operação.

Concorrem ao Prêmio empresas ou Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), públicas ou privadas, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Não Governamentais (ONGs) com sede no País e que tenham a inovação como elemento relevante em suas estratégias de atuação. Na categoria Inventor Inovador, podem concorrer pessoas físicas que tenham patentes concedidas pelo órgão responsável (INPI) e cujo objeto esteja comercializado. Na categoria Inovar Fundos, por sua vez, concorrem empresas gestoras de fundos de capital semente, venture capital e private equity constituídos há, no mínimo, dois anos.

O Prêmio Finep é o mais importante instrumento de estímulo e reconhecimento à inovação no País. Desde 1998, já premiou mais de 500 empresas, instituições e pessoas físicas, sendo responsável pela projeção dos contemplados não apenas no Brasil como no exterior.

Confira mais informações no site http://premio.finep.gov.br/.

(Ascom da Finep)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tesouro no meio da selva


A Amazônia abriga a maior diversidade de vida do planeta e 12% das espécies de plantas já descritas, mas ainda precisa aprender a gerar de lucro sem a destruição do meio ambiente.

A primeira recomendação que um pesquisador recebe ao ingressar na equipe do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) é ficar de boca fechada. Para explorar economicamente um dos maiores santuários de vida selvagem do planeta, um dos cuidados básicos é assinar acordos de confidencialidade com os parceiros privados. Em ocasiões especiais, no entanto, a regra pode ser quebrada.

A clonagem do curauá - uma planta amazônica da família das bromélias, cujo fruto se parece muito com um abacaxi em miniatura - foi uma dessas ocasiões. Amargo demais para virar suco, o curauá entrou no radar dos pesquisadores após a descoberta do potencial econômico das fibras de suas folhas. Além de servir para revestimento de colchões e forro de carros, as folhas do curauá podem entrar na cadeia produtiva de celulares e equipamentos eletrônicos em substituição à fibra de vidro.

Nada mais simbólico do que um abacaxi para ilustrar o esforço do País na busca por um novo ciclo de desenvolvimento econômico para a Amazônia - uma região que tem no desmatamento o maior inimigo. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo e a região amazônica abriga muitos de seus tesouros biológicos. Há 85 mil espécies descritas (43% do total do País). E isso representa apenas uma pequena parte do potencial estimado para a região. A flora, a fauna, os fungos e os micro-organismos da floresta são vistos como matéria-prima para a produção de remédios e alimentos. Só que toda essa riqueza não valerá nada, caso não seja estudada pela ciência. E está aí uma das dificuldades crônicas da região. A Amazônia ocupa 61% do território nacional, mas absorve apenas 4% dos doutores e grupos de pesquisa do País.

"São formiguinhas contra um gigante. Existe pesquisa de qualidade, mas não há escala para o desafio econômico e as oportunidades que a região representa para o País", lamenta o pesquisador Ulisses Galatti, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

Só que transformar pesquisa em dinheiro e tirar a Amazônia do limbo científico não são tarefas fáceis. É necessário conciliar interesses muitas vezes conflitantes. Os cientistas estão empenhados em superar a fronteira do conhecimento. Os empresários apostam na biodiversidade como fonte de lucros. E as comunidades locais dependem da natureza para sobreviver. São interesses que envolvem cifras atraentes. Só na última década, o Museu Goeldi, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), descreveu 130 novas espécies, entre plantas, animais e fungos.

Em menos de um quilômetro quadrado da Floresta Amazônica há mais espécies de plantas do que em todos os países da Zona do Euro. Uma única árvore, por exemplo, é habitat de numerosos tipos de invertebrados, de formigas a aranhas, passando por abelhas e besouros.

Em número de plantas descritas, a Amazônia tem hoje catalogadas 60 mil espécies, o que representa 12% das espécies do planeta. E ainda há três mil espécies de peixes de água doce, 849 de anfíbios, 540 de mamíferos, 1.700 de aves, 693 de répteis e 13 mil de fungos. Além de ser de longe o bioma mais rico do planeta Terra, a Amazônia é, ao mesmo tempo, a floresta com o maior número de espécies descritas. Só que, paradoxalmente, é também onde se estima haver o maior número de espécies a descobrir.

Superar o desafio da biotecnologia vai muito além da identificação de novas espécies. É preciso isolar o princípio ativo (a substância que confere ação de interesse para a produção de fármacos, por exemplo) e descobrir onde aplicá-lo. Criado em 2002, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) precisou de uma década para clonar as mudas do curauá - etapa obrigatória para garantir a produção em larga escala para a indústria. Resta agora atrair parcerias estratégicas. Ou seja, encontrar empresários que acreditem no potencial da fibra amazônica e de outro, rastrear comunidades locais dispostas a plantar as mudas.

A imensidão territorial e as transformações provocadas pela ação humana não bastam para explicar o desconhecimento sobre o potencial da biodiversidade amazônica. Estudos sobre esse tesouro no meio da selva, como o Censo da Biodiversidade, conduzido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, estão apenas no começo. A situação é agravada pela pequena quantidade de pesquisadores residentes na região, muitos deles motivados por posições ideológicas que se chocam com a ideia de explorar comercialmente o patrimônio genético nacional.

No ano em que o CBA foi inaugurado, em Manaus, o mercado internacional de produtos biotecnológicos movimentou US$ 780 bilhões. De olho nesse mercado o projeto saiu do papel para ser um centro de excelência na Amazônia. Visto como um projeto estratégico, a meta era abocanhar uma parcela dos negócios mundo afora. Pesquisas começaram a ser desenvolvidas nos laboratórios montados para explorar o potencial da floresta. Só que, nesses dez anos, os projetos ambiciosos minguaram, a ponto de a instituição ter corrido risco de virar um elefante branco.

Nenhuma patente foi registrada e o centro não tem personalidade jurídica própria, o que o impede de contratar cientistas diretamente. E pior: os recursos do CBA são originários somente dos impostos pagos pelas 600 empresas da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para evitar a paralisia, driblar a burocracia e impedir que o CBA virasse de fato um elefante branco, a saída foi se aproximar do setor privado e se submeter as regras de mercado. O sigilo passou a ser exigido nas pesquisas em andamento e as equipes de cientistas mudaram a dinâmica de trabalho. Agora, elas atuam apenas numa das etapas do desenvolvimento do projeto.

"Inicialmente, os colegas reagiram mal à ideia de trabalhar em linha de montagem. O Brasil não tem essa experiência. Os cientistas sempre foram vinculados à academia. Mas fomos obrigados a cortar esse vínculo. Não fazemos mais pesquisa básica", analisa o farmacêutico José Augusto Cabral, coordenador de Produtos Naturais da instituição. "Quem planeja fazer um mestrado ou mesmo um doutorado, tem que procurar outro lugar para trabalhar".
(O Globo - 7/8)

Brasil se destaca no Ano Internacional da Química


Sete meses após o Ano Internacional da Química - de janeiro a dezembro de 2011 - especialistas e químicos afirmam que o Brasil começa a colher os resultados das atividades realizadas no País

 
Os primeiros frutos são o aumento do interesse de alunos e professores da educação básica por informações e atividades de química, confirmando o propósito do evento de atrair a atenção tanto de alunos dos ensinos médio e fundamental quanto do público geral.

No ano passado, o Brasil ocupou o primeiro lugar nos experimentos de PH da água (análise da qualidade da água) realizados no mundo. O PH, na prática, significa potencial de hidrogênio iônico que mede o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância.

A participação dos alunos brasileiros respondeu por 28% no programa Experimento Global da Água (o PH da água) e por 29% do total dos estudantes mundiais, segundo Claudia Rezende, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), coordenadora do evento no Brasil e professora do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O experimento foi realizado em escolas públicas e no decorrer da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no ano passado.

A estimativa é de que cerca de 60 mil alunos brasileiros, dos ensinos fundamental e médio, participaram das atividades em comemoração ao Ano Internacional da Química - promovido pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC na sigla inglês) juntamente com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Essas e outras informações farão parte do relatório da SBQ, de cerca de 50 páginas, a ser encaminhado à IUPAC nos próximos dias. Trata-se de uma prestação de contas de todos os países sobre as atividades realizadas.

Medição do PH da água - A medição do PH da água foi realizada por intermédio de kits com cinco itens (copinhos plásticos e frasco com solução de indicador azul de bromotimol, entre outros). Esses kits foram idealizados pela ONU e reaplicados nos países. No Brasil foram distribuídos 35 mil kits, projeto fomentado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que, segundo Claudia, destinou R$ 2 milhões para promover as atividades internamente.

Reflexos em cursos de química - A expectativa é de que as atividades realizadas no País estimulem o interesse de alunos pelos cursos de química. E assim, contribuir para aumentar a mão de obra especializada nessa área - hoje insuficiente para atender à demanda local das empresas. Atualmente, as áreas de engenharia e de ciências exatas, incluindo química, respondem por menos de 10% do total das matrículas em graduação no País, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), baseada em dados do Ministério da Educação (MEC). Enquanto isso, as áreas de direito, administração e ciências sociais, dentre outras, respondem pelo grosso das matrículas (60%) nas universidades brasileiras.

Especialistas da Abiquim reafirmam que a oferta de profissionais qualificados em química não atende à procura, gerando uma disputa acirrada entre empresas por químicos no mercado. Para a instituição, esse é um fator preocupante. Apesar de não ser intensiva em mão de obra, essa área é altamente intensiva em conhecimento e emprega pessoas com elevado nível de qualificação, razão pela qual a média salarial dessa categoria supera em 75% à média da indústria manufatureira nacional, contribuindo para elevar os custos das empresas.

Confirmando os dados, o vice-diretor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp),  Antônio Ferreira Braga, responsável pela organização das atividades do Ano Internacional da Química nas escolas públicas da região, disse faltar interesse de alunos pela área de química no Brasil, apesar de sua importante contribuição no cotidiano e na elaboração de produtos. Segundo compara Braga, o número de candidatos por vaga nos vestibulares realizados para os curso de medicina é 10 vezes maior do que na química.

Na avaliação de Braga, o Ano Internacional da Química no Brasil cumpriu a proposta de levar conhecimentos da química para a sociedade de forma geral e "diminuir um pouco" a distância entre a química e o cidadão comum. "Poucos sabem da presença da química no cotidiano. Ela está presente na comida, no vestuário, no remédio, na purificação da água e no conservante de comida", exemplifica.

Conforme entende Braga, o mais importante é a transmissão da mensagem para estudantes da educação básica. "Quando crianças de catorze e quinze anos enxergam o cotidiano de forma diferente isso estimula o interesse delas pela química", avalia.

Buscando embasar o interesse de alunos e professores pelas informações e atividades de química após a realização do evento internacional no Brasil, a vice-presidente da ABQ chama a atenção para a quantidade de visitas ao portal (www.quimica2011.org.br) criado pela SBQ que somam 520 mil acessos, desde 2011.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ciência Hoje On-line: Entre a restrição e o livre acesso


Em entrevista à CH On-line, o bioquímico Bruce Alberts, editor-chefe da revista 'Science', fala sobre os impasses e o futuro do sistema tradicional de revisão e publicação no meio científico.


Onde ele vai, atrai caravanas de fãs. Flashes e autógrafos já fazem parte de sua rotina. Não estamos falando de uma celebridade da TV ou do cinema, mas do bioquímico norte-americano Bruce Alberts, da Universidade da Califórnia, que proferiu palestra na última segunda-feira (30/7) na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na ocasião, alunos e professores lotaram um dos maiores auditórios da universidade e formaram fila extensa para tirar fotos e pedir dedicatórias no livro didático Biologia molecular da célula, escrito pelo cientista e amplamente adotado nos cursos da área.

Além de conhecido por seu trabalho de educação científica e pesquisas sobre duplicação de DNA, Alberts é o atual editor-chefe da revista Science, uma das mais influentes publicações científicas do mundo. Nessa entrevista concedida à CH On-line, focamos esse aspecto da atuação do cientista, que fala sobre os conflitos e desafios do sistema tradicional de publicação científica e deixa escapar sua vontade de tornar livre o acesso de países em desenvolvimento a sua publicação.

Leia a entrevista completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/08/entre-a-restricao-e-o-livre-acesso.

(ICH)

Começa hoje a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica no Brasil


É a primeira vez que o País sedia o evento, que terá a abertura no Planetário do Rio de Janeiro, e ocorrerá na cidade fluminense de Vassouras durante a semana.

Jovens de 32 países estarão reunidos a partir de hoje (6) para participar da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), evento sediado pela primeira vez no País. As cidades anfitriãs serão Rio de Janeiro, onde ocorreu a abertura esta manhã no Planetário da Gávea, e Vassouras, no interior do estado do Rio, que concentrará as provas de 7 a 12 de agosto. O encerramento será na capital fluminense, dia 13 de agosto, no Museu de Astronomia (Mast).

Os participantes da 6ª IOAA, 160 estudantes do ensino médio de 14 a 18 anos de 32 países, vão competir em três modalidades: teórica, na qual resolvem problemas relacionados à Astronomia e Astrofísica; observacional, em que vão demonstrar seus conhecimentos sobre o céu; e prática; na qual deverão interpretar e utilizar dados como astrônomos profissionais.

Além da disputa pelo lugar mais alto do pódio, a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica também tem como objetivo promover a integração entre a cultura dos diferentes povos representados. Emirados Árabes, Irã, China, Polônia, Lituânia, Bangladesh, Bolívia, Chile, Grécia e Portugal são alguns dos países que enviaram representantes.

Índios - A abertura contou com a presença do presidente da IOAA, Chatief Kunjaya, e com os índios da tribo Desana, com uma apresentação especial para o público presente. Isso porque o tema da Olimpíada no Brasil é Astronomia Indígena. Além do desfile oficial das delegações dos países participantes, foi exibido na Cúpula Carl Sagan o filme 'Céu Indígena', que conta como os povos que habitavam o Brasil antes da colonização observavam e identificavam as constelações.

O astrônomo do Museu da Amazônia, Germano Bruno Afonso, foi designado coordenador cultural da Olimpíada e foi o responsável pela ida dos 10 índios Desana ao Rio. Ele lembra que a abertura marca um momento histórico, "a primeira vez que o céu dos índios será apresentado para mais de 30 países". Germano estuda as constelações identificadas pelos índios e mais de vinte delas estavam na pauta da apresentação.

Mobilização em Vassouras - A cidade de Vassouras terá diversas atividades gratuitas durante o evento, com a ideia de integrar a população com a Olimpíada. Numa delas, o astronauta Marcos Pontes vai realizar, amanhã, às 18h, uma palestra na cidade. Haverá ainda Mostra de Filmes Científicos, Planetário Inflável, Exposição de Meteoritos, Apresentação de Orquestra Sinfônica Jovem, entre outras atrações gratuitas.

Este ano, a equipe que irá defender o Brasil é formada por dez estudantes selecionados a partir da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), disputada anualmente no País desde 1998. São sete representantes de São Paulo, um de Minas Gerais, um do Ceará e um do Piauí. "Temos sempre em mente que estamos em uma competição, mas a oportunidade de conviver com pessoas de tantos lugares diferentes é uma experiência única. Conhecer culturas diversas é o primeiro passo para respeitarmos as diferenças", diz Julio Campagnolo, primeiro estudante brasileiro a participar da Olimpíada Internacional de Astronomia, na Tailândia, em 2007. Na ocasião, ele conquistou a medalha de bronze.

A IOAA é a primeira competição científica de alcance mundial realizada no Brasil. Confira a programação da Semana de Astronomia de Vassourashttp://www.mast.br/semana_de_astronomia_em_vassouras.pdf.

(Clarissa Vasconcellos com informações do Mast e Planetário do Rio)

Novo robô da Nasa pousa com sucesso em Marte


A máquina de uma tonelada vai buscar vestígios de vida no planeta vermelho.

O veículo robótico da Nasa pousou com sucesso em uma cratera em Marte em uma missão não tripulada que estudará detalhadamente a possibilidade de ter havido vida no planeta. A nave que carregava o robô Curiosity conseguiu fazer o veículo pousar no interior da cratera de Gale por volta de 2h31 (horário de Brasília) com um conjunto inédito de procedimentos, usando um guindaste e cordas de nylon.

Com a confirmação do pouso na cratera, de 154 quilômetros de diâmetro, a equipe da Nasa em Pasadena, na Califórnia, celebrou com gritos e abraços o sucesso inicial da missão na qual muitos já trabalham há cerca de 10 anos.

A descida pela atmosfera do planeta, após uma viagem da Terra de 570 milhões de quilômetros, foi chamada de "sete minutos de terror" por conta das manobras de alto risco que reduziram a velocidade da nave de 20 mil km/h para apenas 1m/s, o que permitiu que as rodas do jipe-robô tocassem a superfície da cratera suavemente.

O veículo deve executar a primeira fase de sua missão em 98 semanas, mas a expectativa é que continue suas pesquisas por cerca de uma década. Geradores de plutônio têm capacidade de fornecer calor e eletricidade por pelo menos 14 anos para a missão. É um sistema de geração de energia diferente do de outras missões que contaram com painéis para geração de energia solar.

O robô está equipado com ferramentas que podem, entre outras coisas, perfurar rochas e coletar amostras de materiais do planeta. Os estudos do robô começarão em uma montanha localizada no interior da cratera. Ele irá subir a montanha e estudará as peds ali sedimentadas ao longo de bilhões de anos. O veículo buscará indícios de substâncias que possam ter sido propícias à vida em Marte. Indícios da presença de água no passado de Marte foram detectados em estudos anteriores, feitos a partir de imagens do local.

A missão que enviou o jipe-robô Curiosity a Marte custou US$ 2,5 bilhões. A primeira imagem em preto e branco enviada pelo jipe-robô e distribuída pelo Twitter pela Nasa gerou reações variadas.

"Obrigado por não terem usado Instagram", disse um comentário no Twitter. Uma segunda usuária reagiu com mais emoção: "Uau! Isso é muito empolgante". "Não dá para ver nada", disse um terceiro. Imagens coloridas deverão ser divulgadas nos próximos dias.
(Agência Estado)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Prêmio Nobel de Química 2011 apresenta palestra na UFRJ



"A descoberta dos quasicristais: sua importância na concepção da matéria sólida" será ministrada amanhã (27), às 11h.

O professor Daniel Shechtman, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2011, apresentará nesta sexta-feira (27), no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a palestra intitulada "A descoberta dos quasicristais: sua importância na concepção da matéria sólida". A palestra ocorrerá na sala 343 do Bloco A do Centro de Tecnologia, às 11h.

Shechtman é professor of Materials Science do Instituto de Tecnologia de Israel - Technion e professor of Materials Science da Iowa State University, nos EUA. A concessão do Prêmio Nobel se deu pela descoberta dos chamados quasicristais, sólidos cujo arranjo atômico não apresenta periodicidade, assemelhando-se a um "mosaico árabe". Os quasicristais apresentam propriedades físicas especiais, que lhes conferem grande importância científica e tecnológica.
(Informações Instituto de Física/UFRJ)

Segurança na Internet, artigo de Luis Antonio Tavares


Luis Antonio Tavares é professor de Informática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas. Artigo enviado ao JCEmail pelo autor.

A segurança na Internet tem sido um tema preocupante e muito debatido nos dias atuais. Os constantes ataques de hackers, que hoje em dia, ocorre inclusive contra sites de médio porte, somados a denúncias de que os governos usem serviços na Internet para espionar os cidadãos e citando ainda os ciberataques que, segundo algumas fontes, foram utilizados recentemente no oriente médio numa disputa entre os governos de Israel e Irã, nos faz pensar o que nos aguarda no futuro da Internet.

O fato é que nossas vidas são cada vez mais dependentes de serviços online e a segurança das nossas informações traz o seguinte questionamento: Até qual ponto devemos nos expor e confiar nesses serviços? Alguns especialistas afirmam que o ideal seria pagar por nossa conta de e-mail, assim como pagamos pela de telefone, como uma garantia a mais por nossa privacidade.

Mas mesmo enquanto dependentes desses recursos há muito o que pode ser feito para se precaver no diz respeito a exposição de suas informações. Veja algumas dicas a seguir:

1. Sempre atualize seu navegador para as versões mais recentes;
2. Tenha o hábito de sair, efetuar logout ou opção equivalente;
3. Crie senhas difíceis de serem descobertas e altere-as regularmente;
4. Cuidado ao receber links através de e-mails ou através de mensagens de programas de conversação. Certifique-se de que o link seja confiável;
5. Cuidado ao abrir anexos. Você pode receber e-mail com anexos nocivos mesmo de pessoas próximas. Algumas vezes arquivos mal intencionados pode aparentar ser uma simples foto ou vídeo.
6. Cuidado com e-mails falsos de cobrança ou contendo requisições bancárias. Bancos não costumam pedir informações por e-mail;
7. Não entre em sites de conteúdo duvidoso, como sites que contenha conteúdo pornográfico ou informações sobre hackers. Muitos sites possuem rotinas mal intencionadas que são executados ao abrir a página;
8. Mantenha o antivírus atualizado em seu computador;
9. Realize cadastros somente em sites confiáveis.
10. Evite expor informações pessoais desnecessárias em sites de relacionamentos.

Apesar de serem práticas que podem dar um certo trabalho no início, após um tempo você verá estas dicas se tornarem procedimentos naturais do seu dia-a-dia. Ser um usuário atento no mundo internet pode evitar muitas situações indesejadas.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.