Fotografia do Projeto Capela da Ciência Selecionada para a Seção Chemistry in Pictures da Revista C&EN (Chemical and Engineering News)
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2021: Desvendando o maior órgão do corpo humano por meio das sensações de calor, frio e tatuais
O
Nobel de 2021 em fisiologia ou medicina foi compartilhado por dois
pesquisadores dos Estados Unidos, cujo trabalho ajuda a explicar a nossa capacidade
de sentir o tato e perceber a temperatura. Os cientistas David Julius, da
Universidade da California, em São Francisco (USA) e Ardem Patapoutian do Instituto
de Pesquisas Scripps, em La Jolla, Califórnia (USA), foram reconhecidos pelo Comitê
do Nobel por suas descobertas dos receptores de temperatura e do toque.
David
Julius realizou experimentos usando a capsaicina (substância responsável pela
picância (calor) presente nas pimentas do gênero Capsicum) para
identificar o canal iônico sensível à temperatura conhecido como TRPV1. Essa
descoberta foi publicada na revista Nature em outubro de 1997 e levou à
descoberta de outros receptores que também estariam envolvidos na detecção da
temperatura. Isso inclui o canal iônico TRPM8, independentemente mostrado por David
Julius e Ardem Patapoutian em experimentos, os quais utilizavam o mentol para
responder ao frio.
O canal
iônico TRPV1 como sensor de temperatura foi descoberto pela primeira vez após
experimentos utilizando a capsaicina.
Fonte: ©The Nobel Committee for Physiology or Medicine/Mattias
Karlén
Em 2010, Ardem Patapoutian também identificou um tipo
de célula que responde à força mecânica, uma vez que emitia um sinal elétrico
quando cutucado com uma micropipeta. Após uma busca trabalhosa, o grupo de
pesquisa de Patapoutian descobriu os dois canais iônicos mecanossensíveis,
Piezo1 e Piezo2, responsáveis por aquele fenômeno. O Piezo2 em particular está
presente em níveis elevados nos neurônios sensoriais. Além de seu papel
essencial em nosso tato, o qual é sensível o suficiente para conseguir diferenciar
entre superfícies que são praticamente idênticas, porém diferentes apenas pela presença
de um único átomo, o Piezo 2 também ajuda a regular outros processos
fisiológicos, como a respiração e controle da bexiga.
O comitê do prêmio Nobel considerou que
o conhecimento científico presente no cerne do prêmio deste ano está sendo
usado atualmente para desenvolver tratamentos para uma ampla gama de doenças,
incluindo a dor crônica.
Observação:
Em 2020, quando escrevi o capítulo: Sabores e aromas picantes das pimentas capsicum: explorando aspectos químicos e sensoriais para um livro da área de Gastronomia, discorri sobre a deliciosa picância das pimentas do gênero Capsicum, e ao pesquisar quais eram os possíveis sensores responsáveis em detectar o "calor" proveniente dessas pimentas me deparei logo com um artigo do Dr. David Julius publicado numa revista alemã.
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
Elétrons localizados no orbital 3d completamente preenchido do zinco podem participar de reações químicas
Um estudo teórico demonstra que o zinco (Zn) pode ter um estado de oxidação +3. A pesquisa desafia um conceito fundamental da Química, pois mostra que os elétrons do orbital d do Zn podem participar de ligações químicas.
Fonte: ©Puru
Jena/Virginia Commonwealth University.
Geometrias otimizadas dos ânions: (A) BeB11(CN)123−,
(B) BeB23(CN)223− e dos compostos neutros: (C)
ZnBeB11(CN)12, (D) ZnBeB23(CN)22.
Os átomos de boro são mostrados em verde, carbono em cinza, nitrogênio em azul,
berílio em laranja e zinco em ciano.
Até recentemente, pensava-se que o Zn estava
limitado ao estado de oxidação +2 devido à sua configuração eletrônica ser do
tipo [Ar] 3d104s2. Agora, cientistas da Virginia
Commonwealth University, nos Estados Unidos, calcularam que, se o zinco
interagir com triânions supereletrofílicos altamente estáveis, o metal poderá gerar
compostos de zinco com estado de oxidação +3.
Tentativas anteriores de persuadir o zinco a um
estado de oxidação +3 foram realizadas usando-se três ânions separados, mas
falharam, pois os ânions se uniram formando dímeros, em vez de se ligarem ao Zn.
Na pesquisa divulgada aqui, os pesquisadores usaram triânions singulares, o BeBu11(CN)123-
ou o BeB23(CN)223-, para evitar tais
complicações. Os triânions recebem três elétrons do zinco e permanecem
altamente estáveis indicando que os elétrons do orbital d do Zn
participaram das ligações zinco-nitrogênio.
Apresentando estados de oxidação variáveis, o comportamento do Zn se alinha mais de perto com outros metais de transição.
Referência
H. Fang et al., Nanoscale, v. 13, p. 14041, 2021. (DOI: 10.1039/d1nr02816b).
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
A Ciência Química Vinda do Interior do Ceará
Mais de um 1/3 da produção científica da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UEVA) publicada em língua Inglesa no ano de 2020 e indexada na base de dados Web of Science teve origem nos laboratórios do curso de Química da UEVA, em Sobral.
Produção
Científica dos Pesquisadores(as) da UEVA Publicada em Língua Inglesa no Ano de 2020
De acordo com o
relatório da FUNCAP sobre a produção científica do Estado do Ceará em 2020
publicada em periódicos internacionais (língua inglesa) indexados na Web of
Science da empresa britânica Clarivate Analytics, no período de
01/01/2020 a 31/12/2020 e utilizando o filtro: affiliation para o descritor
“universidade estadual vale do acaraú” os pesquisadores(as) da UEVA publicaram 44
artigos científicos registrados nessa base de dados.
O quadro a seguir apresenta os cursos da UEVA que mais contribuíram para a produção científica publicada em periódicos internacionais (língua inglesa) e indexados na base de dados Web of Science.
|
Curso |
No de
Artigos Publicados |
Somatório das
Citações |
Média de
Citações por Artigo Publicado |
H-index (Índice
H) |
Artigos
Publicados por Pesquisadores da UEVA (%) |
|
Química |
16 |
53 |
3,31 |
5 |
36,4 |
|
Zootecnia |
10 |
11 |
1,10 |
2 |
22,7 |
|
Ciências
Biológicas |
08 |
18 |
2,25 |
2 |
18,2 |
|
Engenharia Civil |
05 |
03 |
0,60 |
1 |
11,4 |
|
Enfermagem |
03 |
05 |
1,67 |
1 |
6,8 |
|
Geografia |
01 |
00 |
0,00 |
0 |
2,2 |
|
Outros |
01 |
¾ |
¾ |
¾ |
2,2 |
|
Total da UEVA |
44 |
89 |
2,02 |
5 |
100,0 |
1) O número de
artigos e os percentuais consideram as co-autorias
2) Na verdade, o total de artigos publicados em língua inglesa e indexados no Web of Science em 2020 por pesquisadores(as) da UEVA foi 43, pois há um artigo publicado por uma estudante de iniciação científica que se diz aluna do curso de Ciências Biológicas da UEVA, porém a mesma não faz (e nunca fez) parte do colegiado deste curso.
Fonte: Clarivate
Analytics, por meio da Plataforma Web of Science.
Disponível em: https://www-webofscience.ez11.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/summary/baeb78d7-e1cf-4427-87f6-feec1877cf10-04b41b4b/relevance/1
Acesso em: 16 Ago. 2021.
Entretanto, quando se consideram os artigos publicados tanto em língua inglesa como em língua portuguesa, os pesquisadores e pesquisadoras da UEVA contribuíram com 80 artigos publicados em periódicos internacionais (língua inglesa) e indexados na base de dados Web of Science.
O quadro a seguir
apresenta os cursos da UEVA que mais contribuíram para a produção científica total
publicada em periódicos indexados na base de dados Web of Science.
|
Curso |
No de
Artigos Publicados |
Somatório das
Citações |
Média de
Citações por Artigo Publicado |
H-index (Índice
H) |
Artigos
Publicados por Pesquisadores da UEVA (%) |
|
Química |
20 |
61 |
3,05 |
5 |
25,0 |
|
Zootecnia |
15 |
17 |
1,13 |
2 |
18,8 |
|
Ciências
Biológicas |
12 |
30 |
2,50 |
3 |
15,0 |
|
Enfermagem |
11 |
8 |
0,73 |
1 |
13,8 |
|
Pedagogia |
5 |
2 |
0,40 |
1 |
6,30 |
|
Engenharia Civil |
4 |
2 |
0,50 |
1 |
5,00 |
|
Geografia |
4 |
0 |
0 |
0 |
5,00 |
|
Filosofia |
2 |
0 |
0 |
0 |
2,50 |
|
Outros |
7 |
¾ |
¾ |
¾ |
8,80 |
|
Total da UEVA |
80 |
132 |
1,65 |
6 |
100,0 |
Observações:
1) O número de
artigos e os percentuais consideram as co-autorias.
2) Na verdade, o total de artigos publicados em língua inglesa e indexados no Web of Science em 2020 por pesquisadores(as) da UEVA foi 79, pois há um artigo publicado por uma estudante de iniciação científica que se diz aluna do curso de Ciências Biológicas da UEVA, porém a mesma não faz (e nunca fez) parte do colegiado deste curso.
Áreas de Pesquisa
Relacionadas ao Total de Artigos Publicados no Ano de 2020
Fonte: Clarivate
Analytics, por meio da Plataforma Web of Science.
Disponível em: https://www-webofscience.ez11.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/summary/1ca69163-6538-4b08-9260-5c559960f0a5-04913eb1/relevance/1.
Acesso em: 16 Ago. 2021.
COVID-19: O Que Precisamos Saber Sobre as Variantes do SARS-CoV-2
Por
Murilo Sérgio da Silva Julião.
As variantes do SARS-CoV-2 estão emergindo e ganhando força em todo o
mundo. O que isso significa para as atuais vacinas e tratamentos para COVID-19?
Mutações fazem parte da vida. Cada vez que um vírus se
replica, há uma chance de que seu código genético não seja copiado com
precisão. Esses erros de digitação viajam dentro de novas partículas de vírus à
medida que deixam um corpo e se movem para infectar o próximo. Algumas dessas
mutações morrem; outras sobrevivem e circulam amplamente; algumas são
inofensivas; outras aumentam a infectividade ou permitem que um vírus consiga escapar
do sistema imunológico – nestes últimos casos é quando os órgãos de saúde
pública passam a considerar essa cepa uma variante de preocupação.
As trocas ou exclusões de um único
aminoácido podem alterar as formas de diferentes proteínas. As mutações podem
acontecer em qualquer uma das proteínas do SARS-CoV-2 e podem alterar as
propriedades do vírus. Muitas das mutações preocupantes são encontradas numa
proteína do tipo spike (pico, prego ou grampo), pois ela é o alvo dos
tratamentos com anticorpos e é mimetizada pelas vacinas COVID-19 atualmente
autorizadas. Os pesquisadores ficam especialmente preocupados quando erros de
digitação ocorrem em duas partes da proteína spike – o domínio com N-terminal,
que está no início da proteína e que alguns anticorpos têm como alvo, e o
domínio com ligação ao receptor (RBD), que agarra aos receptores ACE2 nas
células humanas e inicia o processo de infecção.
Para entender como as mutações
específicas afetam a estrutura e a função da proteína spike e o que
essas mudanças significam para os tratamentos e vacinas, cientistas de vários
países realizaram diferentes ensaios bioquímicos combinados com microscopia
crioeletrônica e modelagem molecular a fim de mostrar como as mutações observadas
nas variantes trabalham juntas para alterar a estabilidade da proteína spike.
No quadro a seguir, estão descritas as
variantes de preocupação denominadas pelos Centros de Controle e Prevenção de
Doenças (CDC) dos Estados Unidos da América e pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) e as emergentes que estão sendo observadas de perto.
|
Denominação da
variante/ Status / Local inicial da detecção |
Impacto
biológico |
Significado para
o arsenal de vacinas |
|
B.1.1.7 (Alfa) / Preocupação /
Reino Unido |
Estudos sugerem
que o vírus é cerca de 50 a 70% mais infeccioso. |
Dados obtidos em
países como Israel sugerem que as vacinas autorizadas continuam a oferecer
proteção robusta. Os anticorpos terapêuticos que têm como alvo o RBD ainda
funcionam bem, mas aqueles que têm como alvo o domínio N-terminal mostram uma
ligação mais fraca em alguns ensaios. |
|
B.1.351 (Beta) /
Preocupação / África do Sul |
50% mais
infecciosa do que o vírus original. |
Ensaios clínicos
demonstraram que várias vacinas são menos eficazes contra essa variante. Por
exemplo, a África do Sul, onde essa variante se generalizou, suspendeu o uso
da vacina de vetor adenoviral da AstraZeneca devido ao temor de que ela não
seja tão protetora contra essa variante. As vacinas de mRNA parecem
superar a redução da neutralização e a Moderna lançou um ensaio de uma vacina
modificada para combater essa variante |
|
P.1 (Gama) / Preocupação / Brasil |
Aumenta a
ligação ao receptor ACE2. |
Estudos de
laboratório sugerem que as vacinas podem não ser tão protetoras. |
|
B.1.617 (Delta) /
Preocupação / Índia |
Experimentos de
laboratório mostraram que essa variante entra nas células com mais facilidade
e se replica com mais eficácia. Estudos epidemiológicos descobriram que é
mais transmissível do que a Alfa e por consequência, a Delta tornou-se a
variante dominante em muitos países. |
Ensaios laboratoriais
sugerem que algumas terapias com anticorpos oferecem menos proteção, mas o
coquetel casirivimabe-imdevimabe da Regeneron Phamaceuticals e o sotrovimabe
da GlaxoSmithKline e da Vir Biotechnology ainda são eficazes contra a
variante Delta. Análises iniciais de casos em vários países mostram que as
vacinas baseadas em RNA mensageiro e DNA ainda oferecem proteção contra
infecção sintomática e internação hospitalar, mas em um nível ligeiramente
reduzido. A Pfizer e sua parceira BioNTech anunciaram que estão realizando
testes iniciais para determinar se uma terceira dose de sua vacina de mRNA
poderia aumentar a proteção. As empresas também estão desenvolvendo uma
vacina modificada sob medida para a variante Delta. |
|
B.1.427 e B.1.429 (Epsilon) / Preocupação /
Califórnia (EUA) |
As primeiras
evidências mostraram que essa variante é cerca de 20% mais infecciosa, mas
agora parece estar morrendo. |
Há vidências de
que as vacinas são ligeiramente menos eficazes contra essa variante. |
|
B.1.526 (Iota) e B.1.526.1 / Interesse / Nova
Iorque (EUA) |
Desconhecido. |
Essas variantes
podem enfraquecer a força da ligação dos anticorpos ao vírus, mas os efeitos
sobre os tratamentos e vacinas ainda são desconhecidos. |
Observação:
os órgãos de saúde pública designam uma variante de preocupação como aquela que
espalha mais, que causa doenças mais graves ou aquela contra a qual as vacinas
ou tratamentos são menos eficazes. As variantes de interesse podem estar relacionadas
aos grupos de surtos ou ter mutações preocupantes, mas não há evidências
suficientes de uma ligação causal.
Fonte: Chemical & Engineering News, v. 99,
n. 20, 2021.



